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Diário do isolamento

Em tempos de coronavírus 19 muita coisa mudou, mas não como alguns dizem, a começar pela ideia de se fazer esse diário, que não vai se chamar diário do exílio, como era mais comum, mas diário do isolamento social, como mandam as coisas do bom senso.

O mundo se encontra frente a dois problemas gravíssimos: a pandemia de um vírus tremendamente agressivo, que ainda, por enquanto, não tem uma vacina, e por isso mesmo, bem mais letal que os seus demais primos, tipo a Influenza, “gripe espanhola” e outros.

Cuja enorme diferença é que a ciência já produziu os respectivos anticorpos, ou seja, a conhecida vacina, mas que mesmo assim continua matando muita gente que não se vacina, seja por desinformação, ou porque aderiram ao Movimento Naturalista contra a Vacinação.

No Brasil, existem ainda outras epidemias igualmente dramáticas, como a dengue, por exemplo. Que recebe reforços de doenças antes debeladas, ou quase, como o sarampo, a malária, a febre amarela, aquela que o grande médico brasileiro Oswaldo Cruz enfrentou corajosamente, provocando inclusive a famosa Revolta da Vacina, insuflada pela mídia da época, em uma tremenda peleja política.

Mas como a memória nacional vem sendo rejeitada, um movimento também global, poucos sabem da imensa batalha contra a varíola, enfrentada pelo herói nacional Dr. Oswaldo Cruz e a sublevação popular que ele enfrentou por tornar a vacinação obrigatória, salvando centenas de milhares de vidas. Pensem num sujeito odiado à época. Era ele.

O País convive diariamente com muitas outras graves epidemias, decorrentes da ausência de saneamento básico nas grandes e pequenas cidades com rios e riachos fétidos, desde o acelerado e caótico processo de urbanização, principalmente ali pela década de setenta do século passado.

O descaso para com a população é amplo, geral e irrestrito. Nunca houve um plano nacional estratégico de saneamento básico que saísse do papel, o que salvaria, anualmente, centenas de milhares de crianças e adultos em todo o País.

O que provoca uma espécie de darwinismo social, ceifando vidas nas populações mais “vulneráveis”, palavra na moda hoje em dia, que se refere aos mais pobres, aos deserdados de uma vida digna.

Estamos diante de um falso dilema: o isolamento social frente ao coronavírus ou a retomada da economia. Na verdade, há que se promover o isolamento social em defesa da vida de milhões, por razões humanitárias, cristã etc.,  para diminuir o grande número de vítimas que já ocorre, e vai aumentar substancialmente, infelizmente.

Não há o que se discutir. A vida não é um dado estatístico na análise de economistas, nada é mais relevante que o precioso dom da vida. E vamos combinar, o coronavírus é “democrático”, não faz distinção de classes, sexo, ou ideologias. Embora os mais desvalidos irão pagar um preço mais caro, no final dessa conta.

E depois, vamos ter que superar uma brutal recessão econômica, e global, que já se faz presente, mas que poucos têm a exata dimensão da catástrofe social que se avizinha em termos de desemprego generalizado, quebradeira nas pequenas, médias e grandes empresas, só algumas das grandes empresas irão se salvar, agricultura, comércio, serviços etc.

Já existem algumas “teses” sobre o que virá após a pandemia. Uma delas, me alertou um dileto amigo, é que teremos uma época do pós-capitalismo.

Que significaria um tempo de “tutti fratelli”, todos irmãos, em uma sociedade mundial solidária, uma governança global irmã. Uma espécie de Nova Era de Aquários, tão em moda nos anos sessenta passados.  Seria lindo, mas não vai ser verdade.

O capital financeiro, que será bem mais concentrado, vai continuar exercendo a sua hegemonia rentista, as grandes potências vão continuar a impor as suas vontades e interesses.

A única “novidade” é que a globalização financeira não é a solução aos povos, e o Estado nacional mostra que sem ele a catástrofe seria mais horrível.

O “mercado” financeiro não acudiu, nem vai acudir, aos infectados pelo coronavírus, só o Estado nacional, tão agredido e vilipendiado, é quem está em ação, através dos profissionais da saúde, polícia, forças armadas, bombeiros, trabalhadores essenciais, equipamentos estratégicos, da Justiça etc,. Alguns setores da indústria, comércio, agricultura, também estão atuando solidariamente.

Mas, em resumo, o Estado nacional tem sido o verdadeiro protagonista nessa pandemia.

E também será o protagonista central na reconstrução do Brasil, assim como nos demais Países duramente afetados por essa tragédia de saúde pública. Seja na Itália, França, Espanha, Peru, Equador etc. etc.

Essa é a única novidade, que não é nova, a do papel estratégico dos Estados nacionais. Sem eles os povos sucumbem ao caos, ao pântano. Enfim, nós precisamos de união nacional. Em defesa da vida e da reconstrução econômica e social do povo brasileiro.

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