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Adultização infantil: quando a brincadeira passa dos limites

unnamed (7) É cada vez mais comum que as crianças queiram uma vez ou outra imitar atitudes e comportamentos dos adultos, inspiradas em artistas famosos ou mesmo nos próprios pais. É o caso de um garotinho que passa a espuma de barbear do pai no rosto ou a menina que se encanta ao ver suas unhas cor de rosa como a da mamãe. Isso sem falar nos pequenos que deixam as bonecas e carrinhos de lado para dar lugar aos smartphones, redes sociais, maquiagens e saltos altos. Tudo parece muito inocente e até mesmo divertido. No entanto, será que eles estão preparados psico e fisicamente para a vida adulta sem terem atingido a maturidade? Quando a brincadeira começa a passar do limite? Os pais devem compreender que tudo que ultrapassa o limite do aceitável passa a ser prejudicial. Mas, nem sempre é fácil desassociar o comportamento normal do exagero, ainda mais se tratando de uma sociedade moderna onde as coisas mudam a todo instante. A pediatra do Hapvida Saúde, Luana Dias, sugere que tentar ficar parecido com o pai ou a mãe, esporadicamente, faz parte do desenvolvimento e do imaginário infantil, mas adverte, “adotar este comportamento adulto no cotidiano e não se identificar mais com objetos e tendências do mundo da criança é patológico”. A adultização precoce não é salutar e deve ser trabalhada nas famílias e na sociedade, incentivando o que é próprio da idade para que as etapas do desenvolvimento não sejam negligenciadas. As consequências do abandono das experiências que são próprias da infância podem gerar conflitos psicológicos por toda a vida. Luana esclarece que em casos mais acentuados, a necessidade constante de estar com o visual sempre impecável pode esconder uma baixa autoestima. Em poucas palavras, a criança tenta através de sua imagem conseguir elogios e chamar a atenção das pessoas. “Na verdade, isso também vale para os adultos, mas é mais grave quando já se inicia na primeira infância”, ressalta a pediatra. Os exageros da vaidade devem ser considerados e encarados seriamente. Na maioria das vezes, a própria criança não tem ciência de seus atos. Os pais e responsáveis precisam perceber essas mudanças comportamentais para combatê-las precocemente. Primeira infância A infância é um estágio fundamental e muito suscetível a intervenções ideológicas. É justamente nesse período mágico que sua personalidade começa a ser formada e suas primeiras percepções do mundo se revelam. Não há problemas se a garotinha, de vez em quando, quiser se parecer com a mamãe usando acessórios e maquiagens dela, ou até mesmo brincar de desfile de moda, desde que esta atitude seja feita de forma lúdica, sem a intenção de se tornar corriqueira. O convívio com brincadeiras é essencial para evitar que troquem a infância pela adolescência, antes mesmo de passar pela puberdade. “Desfrutar da criatividade dos pequenos faz parte do processo natural de maturação das crianças. Tudo parte do diálogo e valores repassados aos filhos dentro de casa” , enfatiza Luana. Para os pequenos, os pais são a grande referência. Eles devem cuidar para que não haja lacunas psicológicas formadas pela ausência da infância verdadeira. Período mágico em que cabelos assanhados, joelhos “ralados”, blusas manchadas e mãos sujas de terra nunca serão uma preocupação para os pequenos, apenas brincadeiras de criança. Beatriz Nunes>New Pubb

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