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A tempestade perfeita

A pandemia do corona vírus 19 vai abalar os alicerces das estruturas econômicas globais, e também do Brasil, que já estavam em crise e bastante debilitadas desde a debacle financeira mundial em 2008, iniciada nos Estados Unidos.

As distâncias entre o mundo das elites financeiras e o resto das sociedades estão aumentando meteoricamente em meio às consequências da pandemia sanitária.

Assim como crescem as distâncias entre uma parcela da classe média e a grande maioria das sociedades, que já viviam em situação de vida extremamente precária.

Somadas às condições anteriores da, quase, estagnação dos indicadores de crescimento econômico, com o impacto provocado pela atual crise sanitária, vamos assistir a um empobrecimento rápido de muitas parcelas dos segmentos médios, além de uma catástrofe social de proporções gigantescas junto às grandes maiorias sociais do mundo, e do povo brasileiro.

Se fizéssemos uma analogia desse cenário com um desastre natural, poderíamos compará-lo, sem nenhuma caricatura, a um terremoto de grande magnitude, seguido de incêndio, sequenciado por um tsunami de ondas enormes.

As sociedades estão hipnotizadas pelas narrativas da grande mídia tradicional, que simplesmente não se debruça, propositalmente, sobre o conjunto desses graves fenômenos simultâneos em curso.

Fechada em casa, pelo necessário isolamento social, parte dos setores progressistas, dos segmentos médios, vive em um mundo paralelo fantasioso, erguido durante anos, de agendas  políticas identitárias, mas que não sinalizam, nem de longe, para o caos, a tragédia econômica, social que os atingirá com um impacto imenso.

Estamos em vias de conviver, em termos econômicos, com um gigantesco passo atrás, jamais acontecido nos últimos cem anos.

Por isso, as narrativas da grande mídia hegemônica tradicional, associada às injunções culturais do grande capital financeiro, produziram em parcelas esclarecidas dos setores de classe média enormes efeitos anestesiantes.

Enquanto vão se formando as condições para uma tempestade perfeita, a sociedade, os diversos segmentos políticos, encontram-se alheios e ausentes de “uma análise crítica a longo prazo”.

Porque grande parte desses setores políticos incorporaram, de um jeito ou de outro, as agendas ultra liberais da globalização financeira, nas linhas econômicas a serem traçadas para o Brasil, como os neoliberais no governo Bolsonaro,  do ministro Paulo Guedes.

Mas também setores políticos de oposição, como nas áreas da chamada “nova esquerda”, que adotaram a agenda cultural do liberalismo financeiro associado a compensações de políticas sociais, com as mesmas políticas econômicas.

Diante da tempestade perfeita, que se forma rapidamente, a comparação que pode ser feita é semelhante ao famoso “último baile da Ilha Fiscal”, em 9 de novembro de 1899, no Rio de janeiro, às vésperas da queda do Império no Brasil.

Sem uma visão crítica de longo prazo, em meio a um quadro econômico, social e político apocalíptico em formação, sem a união de amplas forças no País, em torno de um projeto estratégico de desenvolvimento nacional, que considere esse novo cenário dramático em curso, o Brasil corre sério risco de ver regredir o seu protagonismo econômico, em um século.

Cabe-nos somar forças em defesa do País e do povo brasileiro. Na crise, também surgem as grandes oportunidades. Mas isso depende do nosso esforço conjunto, empenho e determinação. Não há uma terceira alternativa.

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