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O Quinze

Por Laurentino Veiga Publicado em 17/10/2026 às 08:00
Laurentino Veiga Assessoria

Recebi, com prazer, da minha querida filha advogada Vanissa Veiga, o livro O quinze da escritora cearense Rachel de Queiroz, imortal da Academia Brasileira de Letras, primeira mulher a acessar à Casa de Machado de Assis, filha do Juiz de Direito Daniel de Queiroz e Clotilde Franklin de Queiroz. Veio ao mundo no dia 17 de novembro de 1910. Falecendo no dia no dia 4 de novembro de 2003, seis dias antes de completar 93 anos.

Editado pela José Olímpio (2023), 207 páginas narrando a seca de 1915 que castigou seu querido Estado do Ceará, cujas orelhas escritas por Antônio Torres, prefaciado pela escritora Elvia Bezerra. Na década de 30, surpreendeu Graciliano Ramos. ” Não há ninguém com esse nome. É pilhéria. Uma garota assim fazer romance! Deve ser pseudônimo de sujeito barbado”.

“ O Quinze causou sensação, e ainda hoje desperta interesse, pelo drama que descreve, o embate entre o homem e a natureza, no trágico destino de um povo assolado pela grande de seca de 1915 ”.Sua saudosa mãe, deu-lhe educação refinada. Colocando nas sus mãos revistas estrangeiras, bem como livros dos mais brilhantes escritores nacionais.

No dizer de Elvia Bezerra: ” Antes de considerar este livro que surpreendeu o Brasil, vale lembrar três questões que iluminam a forja onde era moldada a fatura escritora. Primeiramente, não se deve esquecer que a acolhedora casa alpendrada, de arquitetura franciscana, Fazenda Junco, no sertão cearense do Quixadá, Rachel de Queiroz viveu em ambiente intelectualmente refinado. A mãe, Clotilde Franklin de Queiroz, tratou de lhe tirar das mãos um livro de literatura rosée que a adolescente uma vez ensaiou ler e rapidamente o substituiu por exemplar de A cidade e as serras, de Eça de Queroz..

Em seguida viriam os clássicos franceses e, naturalmente, os russos. Formava, assim, o gosto literário da filha, irrigava-lhe o vocabulário e lhe alargava os horizontes muito além dos monólitos que cercavam o Quixadá, registrados com tanta sensibilidade pelo fotógrafo Eduardo Simões. Em segundo lugar, é preciso atentar para o fato de que a marca de desassombro da autora, tão louvada na sua obra, está clara nos artigos que escreveu desde a estreia no jornal O Ceará, passando pelo O Povo e a revista A Jandaia, para citar alguns. Não só do ponto de vista temático como estilístico, a iniciante é a mesma que se consagraria na crônica e no romance.

A obra, por sua vez, insere a biografia da consagrada escritora. Narra toda sua trajetória. Primeiro, com os pais vivos, depois, ascendendo à Casa de Machado de Assis. Mulher intelectual de escol, erudita pela sua formação herdada de sua mãe. Consagrou-se como jornalista, contista, romancista de seu tempo. Recomendo a leitura. Merece, pois, homenageá-la pelos relevantes serviços prestados as letras nacionais.