Lendo & Comentando
O Imortal da Academia Brasileira de Letras (ABL), ex-presidente da República, José Sarney vaticinou: O poeta nasce não pode ser feito. É o Caso de Jader Tenório: Se eu nascesse novamente nasceria aqui de novo para dizer ao meu povo eu estou aqui presente. Não ser nunca diferente do que fui no passado. De novo dar meu recado. Para essa turma seleta. Ser matuto e ser poeta. Viçosa, muito obrigado.
Poetas De Canto A Canto teve suas orelhas pelo conterrâneo Sidney Wanderley, bem como prefaciado por outro amigo Denis Melo. Nele registrou a cantoria entre Lourival Batista por Pinto de Monteiro: Queria ver Lourival Morto debaixo de um trem /Ou num beco pedindo esmola/ Onde não passe ninguém / E se passar, que seja cego pedindo esmola também.
A bem da verdade, o poeta viçosense empreendeu viagem no Nordeste. Registrou o que é mais precioso na poesia popular. Destaco: Zé Limeira, poeta do absurdo, Zé da Luz, Ivanildo Vila Nova, Dimas, Cego Aderaldo, Chico Nunes de Palmeira dos Índios, os Manoés Nenem, e Xudu. Violeiros e cantadores que abrilhantaram o solo nordestino.
A obra, por sua vez, recheada de fotos que retratam in loco a incursão feita pelo vate. E, sendo assim, Jader no seu poema O mal da terceira idade verseja: Além da diverticulite, do refluxo, da gastrite/ Veio agora uma bursite que me deixou na metade/ Mas não há que me convença /Nem quem mude a minha crença/ Isso não doença/ É mal da terceira idade.
Por outro lado, Zé Miúde assegura: Se a mulher não lhe quer vá viver com outro alguém/ Procure outra também/ Não vá ficar sem mulher /Arranje uma qualquer pra ficar sempre ao seu lado /Não vá ficar revoltado /Nem brigando, nem bebendo/ Não faça nada sabendo/ Que estou fazendo errado.
A Escola de Viçosa teve Dr. José Maria, Théo Brandão, Zé do Cavaquinho e tantos outros que deixaram marcas indeléveis. Jader Tenório completa a constelação de homens eruditos com sua poesia, animação de feira, e, sobretudo, contador de anedotas. São versos que encantam feitos pelos artistas populares.
Manoel Neném, ao chegar a Viçosa ainda jovem, fez versos que deixavam as pessoas satisfeita. Disse: Já estou quase de ida/ Pra ir pra eternidade/ Já estou sentindo saudade/ Da hora da despedida/ É breve a minha partida/ E eu parto sem companhia/ Eu vou fazer poesia pros anjos celestiais/E o senhor não me ver mais/ Adeus até outro dia. Devo dizer: Não sou poeta, não faço versos, nem rima. Sou apenas um mortal cuidando da minha sina.
E ainda, Jader Tenório no seu poema Eu sou Assim: Sou poeta, matuto, sou vaqueiro temperado no clima do sertão/ Porta-voz do nordeste brasileiro Andarilho, vagando sem Nação. Parabenizo sua magnitude de vate. Sei que durou alguns anos para trazer à tona a obra Poetas de Canto a Canto. Faço votos que arranje tempo para brindar a toda sua versatilidade poética.