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O herdeiro e o profissional: a falsa rivalidade que destrói o valor das empresas familiares

Por Carlos Donzelli Publicado em 30/07/2026 às 16:43
Carlos Donzelli Divulgação

Um dos mitos mais persistentes no ambiente corporativo é o de que a profissionalização de uma empresa familiar exige o afastamento compulsório da família fundadora da gestão do negócio. Trata-se de uma visão simplista e, na maioria das vezes, prejudicial. Profissionalizar não significa anular a presença dos fundadores ou de seus herdeiros, mas sim estabelecer regras claras de competência, cobrança e meritocracia que valem para todos, independentemente do sobrenome.

O verdadeiro valor de uma empresa familiar reside na preservação do seu legado, da sua cultura e do seu propósito de longo prazo. No entanto, confundir a proteção desse patrimônio com a obrigação de colocar parentes em cargos executivos para os quais não estão preparados é o caminho mais rápido para a destruição de valor. O mercado não tolera o amadorismo e, em cenários de alta competitividade e juros restritivos, a eficiência operacional cobra o seu preço diariamente.

O papel fundamental de estruturas como o Conselho de Administração e o family office é justamente criar o ecossistema no qual herdeiros e executivos de mercado possam coexistir e somar forças. O sucesso dessa relação depende de uma mudança de perspectiva. A nova geração precisa ser preparada, antes de tudo, para ser composta por acionistas responsáveis e conscientes. Saber cobrar resultados, entender de alocação de capital e zelar pela governança são funções tão vitais para a perpetuidade do negócio quanto a operação do dia a dia.

Quando um herdeiro possui a competência técnica e o desejo legítimo de ocupar uma cadeira executiva, ele deve passar pelos mesmos ritos de avaliação que qualquer profissional de mercado. A legitimidade da liderança em uma empresa familiar madura não se herda pela árvore genealógica. Ela se conquista no chão da fábrica, na mesa de negociação e no cumprimento de metas.

Não existe rivalidade real entre o herdeiro e o executivo profissional quando os papéis estão bem definidos. A profissionalização bem-sucedida é aquela que blinda a operação contra conflitos familiares, enquanto mantém viva a alma e os valores fundamentais que ergueram a companhia. O futuro das grandes marcas familiares depende dessa maturidade institucional.

Carlos Donzelli, Head Family Office Magalu e conselheiro do Magalu