TRE-AL recebe denúncia de possível racismo e demissões por posição política em Boca da Mata
Instituto do Negro apresentou vídeos e imagens de manifestação com suposto “blackface” e pediu apuração sobre desligamento de três trabalhadores após o segundo turno
O Tribunal Regional Eleitoral de Alagoas (TRE-AL) recebeu uma denúncia sobre possível prática de racismo durante uma manifestação política realizada em Boca da Mata no período do segundo turno das eleições presidenciais. O documento também relata a suposta demissão de três trabalhadores que teriam manifestado apoio a uma das candidaturas.
A denúncia foi apresentada nesta quinta-feira (29) por representantes do Instituto do Negro de Alagoas (INEG-AL) ao Comitê de Promoção à Equidade Racial do TRE-AL. A entidade entregou um ofício acompanhado de vídeos e capturas de publicações feitas nas redes sociais.
Os representantes do Instituto foram recebidos pelo presidente do Comitê, desembargador eleitoral Antônio José de Carvalho Araújo, e pela servidora Flávia Gomes de Barros, gestora do Pacto do Judiciário pela Equidade Racial no Tribunal.
Segundo o INEG-AL, participantes da manifestação teriam pintado os rostos com tinta preta, prática conhecida como blackface e historicamente associada à representação depreciativa e estereotipada de pessoas negras.
O material entregue ao TRE também mostraria uma encenação na qual um homem negro teria sido conduzido por homens brancos que carregavam capim. Na avaliação dos denunciantes, a cena pode representar uma forma de desumanização da população negra.
A existência da denúncia e a entrega dos vídeos são fatos confirmados pelo TRE-AL. Entretanto, ainda não existe decisão oficial reconhecendo a ocorrência de crime de racismo ou identificando as pessoas que participaram da manifestação. Os fatos permanecem no campo da alegação e deverão passar por apuração.
Supostas demissões
O ofício apresentado pelo INEG-AL também relata que três trabalhadores de Boca da Mata teriam sido demitidos depois de manifestarem apoio político a uma das candidaturas à Presidência da República.
A entidade pediu que as autoridades investiguem se os desligamentos tiveram relação com o posicionamento político dos empregados e se as condutas podem configurar assédio ou coação eleitoral.
O TRE-AL não divulgou os nomes dos trabalhadores, dos empregadores ou dos organizadores da manifestação.
Também não informou qual candidatura teria recebido o apoio das pessoas supostamente demitidas.
Além da entrega do documento ao Comitê de Promoção à Equidade Racial, a denúncia foi formalizada na Ouvidoria da Igualdade Racial do Tribunal. Segundo o TRE, as informações serão analisadas e encaminhadas de acordo com as atribuições dos órgãos competentes.
Até o momento, não foi divulgado número de processo, notícia de fato ou procedimento investigatório.
Também não há confirmação de encaminhamento ao Ministério Público Eleitoral, Ministério Público do Trabalho, Ministério Público Estadual ou Polícia Federal.
Os organizadores da manifestação e os empregadores mencionados devem ser procurados antes da publicação de qualquer identificação, assegurando-se o contraditório e o direito de resposta.