Ronaldo Medeiros denuncia supostas demissões de trabalhadores por votarem em Lula
Deputado estadual critica relatos de perseguição política após o segundo turno das eleições e cobra providências das autoridades contra possíveis casos de assédio eleitoral
O deputado estadual Ronaldo Medeiros (PT) denunciou, durante a sessão ordinária da Assembleia Legislativa de Alagoas nesta quarta-feira (28), supostos casos de perseguição política contra trabalhadores e prestadores de serviços que votaram no presidente Luiz Inácio Lula da Silva, reeleito no segundo turno das eleições presidenciais, realizado no domingo (25).
Segundo o parlamentar, empresários, políticos e apoiadores mais radicais do candidato derrotado Flávio Bolsonaro (PL) estariam promovendo demissões e boicotes em razão das escolhas eleitorais de funcionários e profissionais autônomos.
Medeiros classificou as atitudes relatadas como possíveis práticas de assédio eleitoral e defendeu a atuação dos órgãos competentes para investigar as denúncias.
“Estamos vendo no Brasil vários empresários e pessoas que têm funcionários demitindo e incentivando outros a demitirem os trabalhadores que votaram no presidente Lula. Isso é assédio eleitoral, é um crime muito grave”, declarou.
Deputado critica ameaças e fiscalização de posicionamentos políticos
Durante o pronunciamento, Ronaldo Medeiros também questionou a postura de vereadores e deputados do Partido Liberal que, conforme suas declarações, estariam defendendo a cassação de mandatos ou a demissão de trabalhadores em razão do voto em Lula.
O parlamentar afirmou ainda que haveria orientações para investigar publicações em redes sociais e relações pessoais de eleitores, numa tentativa de identificar seus posicionamentos políticos.
“Outros mandando investigar redes sociais, investigar amizades, num clima policialesco antidemocrático. A eleição passou. O trabalhador e a trabalhadora são livres. O voto de cabresto acabou. Isso não pode acontecer de maneira nenhuma”, afirmou.
Para Medeiros, divergências eleitorais não podem servir de justificativa para ameaças, constrangimentos ou punições no ambiente profissional.
O deputado ressaltou que a liberdade de escolha dos eleitores deve ser respeitada, independentemente do resultado das urnas ou das preferências partidárias de empregadores e trabalhadores.
Ronaldo Medeiros cobra atuação do Ministério do Trabalho e da Polícia Federal
Na parte final do discurso, o parlamentar defendeu que o Governo Federal, o Ministério do Trabalho e a Polícia Federal adotem providências diante de eventuais casos de coação motivados por escolhas eleitorais.
Medeiros comparou as situações denunciadas a práticas históricas de pressão política sobre eleitores, mencionando o coronelismo e o período da ditadura.
“Estão querendo voltar à época do coronelismo, da ditadura, em que as pessoas eram obrigadas a votar em alguém. Quero deixar o nosso protesto, o nosso alerta, para que coisas iguais a essa não prosperem”, concluiu.
O pronunciamento foi marcado pela defesa da liberdade de voto e pelo pedido de apuração de possíveis práticas de assédio eleitoral contra trabalhadores.
As situações mencionadas foram relatadas pelo deputado durante a sessão parlamentar. O texto apresentado não identifica casos específicos nem informa a existência de investigações ou decisões judiciais relacionadas às acusações.