ECONOMIA

Alagoas busca US$ 80 milhões em cooperação internacional

Governo alagoano realiza missão à China e Mongólia visando investimentos e desenvolvimento sustentável.

Por Agência Alagoas Publicado em 28/10/2026 às 15:16
Missão do Governo de Alagoas busca financiamento de até US$ 80 milhões para investimentos sustentáveis. Ascom Semarh

Ascom Semarh Amanda Farias / Ascom Serfi

O Governo de Alagoas ampliou sua articulação internacional este ano durante missão à China e à Mongólia voltada à atração de investimentos, à cooperação técnica e ao desenvolvimento sustentável. Em articulação com o Consórcio Nordeste, a agenda teve como um dos principais resultados a abertura de diálogo para estruturar uma possível operação de financiamento de até US$ 80 milhões junto ao Banco Asiático de Investimento em Infraestrutura (AIIB).

A missão também fortaleceu relações com a diplomacia brasileira, instituições financeiras e organismos internacionais, além de ampliar a participação de Alagoas nas discussões globais sobre segurança hídrica, recuperação de áreas degradadas, transição energética e adaptação às mudanças climáticas.

A programação foi dividida em duas etapas. Em Pequim, a delegação alagoana participou de reuniões institucionais com a Embaixada do Brasil na China e com representantes do AIIB, banco multilateral de desenvolvimento sediado na capital chinesa. Em seguida, a comitiva seguiu para Ulaanbaatar, na Mongólia, onde participou da 17ª Conferência das Partes da Convenção das Nações Unidas de Combate à Desertificação (COP17/UNCCD).

O valor de US$ 80 milhões é uma referência inicial para a estruturação de uma possível operação de financiamento. Não há, neste momento, contratação ou liberação de recursos. Uma eventual operação dependerá da elaboração dos projetos, da maturidade técnica das propostas e do cumprimento dos critérios de elegibilidade da instituição financeira.

Durante a reunião com o AIIB, foram discutidas possibilidades de financiamento para iniciativas relacionadas à infraestrutura sustentável, à segurança hídrica, ao monitoramento ambiental, à digitalização e ao enfrentamento dos impactos das mudanças climáticas.

Segundo o superintendente de Relações Internacionais, Gabriel Prata, a missão representou um avanço importante na estratégia de internacionalização de Alagoas e do Nordeste.

“Em Pequim, fortalecemos a interlocução com a Embaixada do Brasil e realizamos uma agenda estratégica no Banco Asiático de Investimento em Infraestrutura, o AIIB, abrindo caminho para a estruturação de uma possível operação na ordem de US$ 80 milhões, voltada a projetos de infraestrutura sustentável, segurança hídrica e enfrentamento às mudanças climáticas”, afirmou.

Ainda em Pequim, a delegação de Alagoas foi recebida na Embaixada do Brasil na China pelo embaixador Marcos Galvão. O encontro permitiu apresentar as prioridades do Estado e discutir oportunidades de investimentos e cooperação nas áreas de infraestrutura, sustentabilidade, energia e desenvolvimento de baixo carbono.

A China ocupa posição de destaque nos setores de infraestrutura, tecnologia e energia, além de desempenhar papel relevante na transição para uma economia de baixo carbono.

Na segunda etapa da missão, em Ulaanbaatar, a delegação participou da COP17/UNCCD, conferência que reuniu governos, instituições financeiras, organismos internacionais, entidades multilaterais e representantes da sociedade civil para discutir respostas à desertificação, à degradação da terra e à seca.

Em articulação com o Consórcio Nordeste, Alagoas integrou a estratégia de apresentar o Semiárido brasileiro e a Caatinga não apenas como territórios vulneráveis às mudanças climáticas, mas também como regiões capazes de desenvolver e compartilhar soluções com outras áreas áridas e semiáridas do planeta.

A estratégia incluiu a apresentação do Plano Brasil Nordeste de Transformação Ecológica (PTE-NE), que reúne uma carteira de aproximadamente 50 projetos estruturantes, e do Fundo Caatinga, concebido para reunir diferentes fontes de recursos, como doações, financiamentos e mecanismos de financiamento combinado (blended finance).

Prata destacou que a participação na COP17 permitiu apresentar o potencial do Nordeste para desenvolver soluções concretas de convivência com a seca e de recuperação ambiental.

“A apresentação do Fundo Caatinga e do Plano Brasil Nordeste de Transformação Ecológica demonstrou que a região possui projetos estruturados e instrumentos capazes de atrair financiamento climático, promover o recaatingamento e gerar desenvolvimento sustentável”, acrescentou.

Outro resultado da agenda foi a assinatura de um Memorando de Entendimento entre o Consórcio Nordeste e a Convenção das Nações Unidas de Combate à Desertificação (UNCCD), com o objetivo de estabelecer um canal permanente de cooperação técnica com as Nações Unidas.

O superintendente também agradeceu ao Consórcio Nordeste, ao Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima e ao ICLEI pela articulação e pelo trabalho conjunto que contribuíram para a realização da agenda internacional.

“O balanço da missão é extremamente positivo: ampliamos a presença internacional de Alagoas, construímos novas parcerias e abrimos oportunidades para transformar cooperação internacional em investimentos e políticas públicas que melhorem a vida da população”, concluiu.

Para a secretária de Estado de Relações Federativas e Internacionais (Serfi), Jacqueline Rêgo, a missão à China e à Mongólia representa um passo importante na estratégia de internacionalização de Alagoas e na busca por novas oportunidades de cooperação e investimentos.

“Mais do que estabelecer contatos, essa missão demonstra o esforço de Alagoas na busca de parcerias internacionais capazes de contribuir para o desenvolvimento sustentável e para a melhoria da qualidade de vida da população”, afirmou.

A comitiva do Governo de Alagoas foi formada pela secretária de Estado de Relações Federativas e Internacionais, Jacqueline Rêgo; pelo secretário de Estado do Meio Ambiente e dos Recursos Hídricos, João Ygo Araújo Costa; pelo superintendente de Relações Internacionais, Gabriel Prata; pela superintendente de Meio Ambiente, Rayssa Cabral; e pelo assessor técnico Cauê Rinaldo. Os representantes atuaram na apresentação de projetos, políticas públicas e experiências relacionadas à convivência com o Semiárido.