SAÚDE

Hospital Portugal Ramalho discute eletroconvulsoterapia na formação médica

Debate sobre o uso da eletroconvulsoterapia (ECT) foi parte da formação em Psiquiatria.

Por Agência Alagoas Publicado em 28/10/2026 às 15:17
O Hospital Escola Portugal Ramalho destaca o debate sobre eletroconvulsoterapia moderna em formação médica. Ascom HEPR

Betty Costa/ Ascom Hospital Portugal Ramalho

O mês de outubro marca o debate sobre o uso da eletroconvulsoterapia (ECT), procedimento historicamente conhecido como eletrochoque e que ainda gera controvérsias. No dia 22 de outubro, manifestações em diferentes países chamam a atenção para os questionamentos relacionados à técnica e ao seu uso na assistência psiquiátrica.

Nesse contexto, o Hospital Escola Portugal Ramalho (HEPR), unidade assistencial da Universidade Estadual de Ciências da Saúde de Alagoas (Uncisal), incluiu a eletroconvulsoterapia moderna no módulo teórico de Psiquiatria Intervencionista da Residência Médica em Psiquiatria. A atividade é conduzida pelo psiquiatra Igor de Oliveira Pinto, preceptor do módulo, e tem como objetivo ampliar o conhecimento dos médicos-residentes sobre as indicações, os benefícios e os riscos do procedimento. O hospital não realiza ECT há bastante tempo.

Embora ainda seja associada a práticas antigas, marcadas pela ausência de anestesia e pelo uso inadequado como forma de controle, a ECT moderna é realizada sob anestesia geral de curta duração, com relaxante muscular e monitorização contínua do paciente. O procedimento exige indicação clínica criteriosa, estrutura adequada e profissionais capacitados.

Segundo Igor de Oliveira Pinto, a técnica pode ser indicada em casos de depressão grave, especialmente quando há resistência ao tratamento ou risco elevado de suicídio, além de catatonia e episódios maníacos graves. Também pode ser considerada em situações específicas de esquizofrenia, conforme a avaliação clínica.

“Não se trata de defender o uso indiscriminado da ECT, mas de garantir que o desconhecimento e o preconceito não impeçam um paciente de receber um tratamento potencialmente decisivo”, afirma o preceptor.

O médico-residente do terceiro ano (R3) Pedro Bradley explica que o procedimento é realizado em ambiente hospitalar ou clínico, com participação de psiquiatra, anestesista e equipe de enfermagem treinada. Durante a aplicação, são monitorados parâmetros como frequência cardíaca, pressão arterial e oxigenação, além da atividade elétrica cerebral, quando disponível.

Apesar de ser considerada uma opção terapêutica eficaz para determinadas condições, a ECT não é isenta de riscos. Entre os possíveis efeitos adversos estão dor de cabeça, náuseas e alterações temporárias de memória. Por isso, a decisão de utilizar o procedimento deve considerar as condições clínicas, o histórico de tratamentos e as necessidades de cada paciente, com esclarecimento sobre os benefícios e os riscos envolvidos.

Para Igor, abordar o tema durante a formação dos futuros psiquiatras é uma oportunidade de qualificar o debate e ampliar o conhecimento sobre as possibilidades terapêuticas disponíveis na especialidade. “A eletroconvulsoterapia não precisa ser romantizada. Precisa ser compreendida”, resume o psiquiatra.

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