ASSEMBLEIA

Elida Miranda lamenta interrupção de seu mandato na ALE

Deputada diz ter sido surpreendida pela decisão “desesperada” do deputado Silvio Camelo

Por Graça Carvalho/Ascom Publicado em 07/10/2026 às 18:28
Elida Miranda

A deputada estadual Elida Miranda (PT) lamentou , nesta quarta-feira (7), a decisão do deputado Sílvio Camelo (PV) de interromper sua licença e retornar ao exercício do mandato na Assembleia Legislativa de Alagoas (ALE). Para a parlamentar, que ocupava a vaga de Camelo, desde 11 de agosto deste ano, houve quebra do acordo político construído no âmbito da Federação Brasil da Esperança, formada por PT, PCdoB e PV.

“Fui surpreendida pela informação do pedido de interrupção da licença do deputado Sílvio Camelo para retornar ao exercício do mandato. Nao houve sequer reunião no âmbito da Federação para discussão do assunto. É uma quebra de acordo político dentro da federação”, criticou Elida, que ficou sabendo da decisão do parlamentar ontem à tarde e obteve a confirmação nesta quarta-feira (7/10).

O deputado Sílvio Camelo concorreu à reeleição, obtendo 29.398 votos, no último domingo, e terminou como suplente. A Federação Brasil da Esperança elegeu três deputados estaduais — Teca Nelma, Ronaldo Medeiros e Marcos Barbosa, que conquistou a terceira vaga com 475 votos a mais que Camelo.

Na avaliação de Elida, o resultado eleitoral pode ter influenciado a decisão do parlamentar. “Eu acredito que, no calor da emoção, por ter perdido a eleição, por uma diferença muito pequena, o deputado Silvio Camelo decidiu retornar à Assembleia. Uma atitude desesperada, que não era o que se esperava dele”, declarou.

56 dias de mandato


Elida Miranda tomou posse na Assembleia Legislativa em 11 de agosto, após a aprovação dos pedidos de licença apresentados por Sílvio Camelo. Segunda suplente da Federação Brasil da Esperança nas eleições de 2022, ela assumiu pela primeira vez um mandato no Legislativo estadual. Sua chegada à Casa foi apresentada como parte de uma estratégia política da federação para permitir a atuação de suplentes durante o período eleitoral.

Em menos de dois meses, Elida desenvolveu uma agenda parlamentar marcada por projetos voltados à inclusão social, direitos das mulheres, igualdade racial, acessibilidade, educação e políticas de cuidado.

Entre as iniciativas apresentadas estão o projeto que institui a Política Estadual de Lavanderias Públicas e Comunitárias, incorporando a pauta à política de cuidados em Alagoas; proposta de ampliação das cotas para negros, indígenas e quilombolas; substitutivo que prevê cardápios físicos em Braille em bares, restaurantes e estabelecimentos similares; e projeto para ampliar a transparência e o acompanhamento da universalização das bibliotecas escolares no Estado.

A atuação também incluiu iniciativas relacionadas ao combate ao trabalho infantil, à defesa das comunidades quilombolas, à participação feminina e à valorização da cultura afro-brasileira. A trajetória parlamentar foi apresentada pela própria deputada como uma continuidade de sua militância social, sindical e política.

“Cumprimos todo o nosso mandato, com o compromisso que é característico da minha trajetória política”, afirmou Elida. Segundo ela, o acordo estabelecia a continuidade de sua atuação até 10 de dezembro, o que permitiria completar o período inicialmente previsto.

Impacto


Para Elida, o retorno antecipado de Camelo também provoca um impacto político dentro da federação em um momento que, segundo ela, exigiria unidade entre os partidos que integram o grupo. “Isso significa inclusive um estremecimento, uma fragilização em um momento em que a gente precisa unificar todos os esforços em torno da campanha do presidente Lula”, afirmou.

A parlamentar ressaltou que sua manifestação não representa apenas uma divergência pessoal, mas uma reação ao que considera uma decisão que deveria ter sido previamente discutida pelas forças políticas que integram a federação.

“Lamento profundamente esse cenário. Minha reação e manifestação é legítima, diante da quebra de acordo”, justificou. Elida também demonstrou preocupação com a possibilidade de sofrer retaliações políticas após tornar pública sua posição. “Espero que não haja perseguição a minha pessoa, nem aprofundamento da violência política de gênero, porque não é isso que o povo alagoano espera das pessoas públicas”, afirmou.

A deputada lamentou o desfecho e disse considerar que o episódio fragiliza uma construção política que, desde sua posse, procurou apresentar a atuação dos suplentes como parte de um compromisso coletivo da Federação Brasil da Esperança.