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MTB recebe lançamento do Inventário Participativo do Patrimônio Cultural de Maceió

Iniciativa reúne memórias, saberes e referências culturais dos bairros atingidos pelo afundamento do solo e reforça o compromisso da Ufal com a preservação da cultura alagoana

Por Relações Públicas Publicado em 07/10/2026 às 09:37
MTB recebe lançamento do Inventário Participativo do Patrimônio Cultural de Maceió

O que acontece quando um território muda, quando famílias precisam deixar suas casas e quando lugares que durante décadas foram referências para uma comunidade deixam de fazer parte do cotidiano? As casas, as ruas e os espaços podem ser modificados, mas a memória permanece, especialmente quando existem iniciativas dedicadas a ouvi-la, registrá-la e preservá-la.

É nesse contexto que a Universidade Federal de Alagoas (Ufal), por meio da Fundação Universitária de Desenvolvimento de Extensão e Pesquisa (Fundepes), e o Ministério Público Federal (MPF) realizam, nesta quarta-feira (7), o lançamento do Inventário Participativo do Patrimônio Cultural Imaterial (IPCI Maceió). O evento acontece às 18h30, no Museu Théo Brandão, no Centro de Maceió.

O IPCI Maceió é uma iniciativa voltada à identificação das referências culturais e das memórias dos fazedores de cultura dos bairros atingidos pelo risco de afundamento do solo. O trabalho contempla os territórios de Bebedouro, Bom Parto, Farol, Mutange e Pinheiro e representa uma importante ação de registro e salvaguarda da cultura produzida e vivenciada por essas comunidades.

Mais do que reunir informações, o inventário permite reconhecer que o patrimônio cultural também está presente nas pessoas, nos saberes, nas celebrações, nas práticas, nas expressões artísticas e nas formas de viver e construir vínculos com um território. Dados divulgados pelo MPF apontam que o levantamento reúne informações sobre 330 fazedores de cultura e 75 expressões culturais identificados ao longo do trabalho.

Memória que permanece

A importância do IPCI ganha ainda mais dimensão diante das transformações provocadas pelo afundamento do solo em Maceió. A desocupação de áreas dos bairros atingidos provocou não apenas mudanças físicas no território, mas também a dispersão de moradores, grupos culturais, mestres e fazedores de cultura.

Nesse cenário, registrar essas referências significa contribuir para que histórias e práticas culturais não sejam apagadas pelas transformações do espaço urbano.

O caráter participativo da iniciativa também coloca os próprios fazedores de cultura no centro desse processo. Afinal, são eles que carregam consigo conhecimentos, lembranças, práticas e experiências que ajudam a contar a história desses territórios para além dos mapas e das edificações.

O Museu Théo Brandão como espaço de memória e encontro

A escolha do Museu Théo Brandão para receber o lançamento também possui um significado especial. Vinculado à Universidade Federal de Alagoas, o Museu é um equipamento cultural dedicado à preservação, pesquisa, difusão e valorização das expressões da cultura popular alagoana.

Receber o lançamento do IPCI Maceió significa fazer do Museu um ponto de encontro entre universidade, cultura e sociedade. É também uma oportunidade para reafirmar o papel da Universidade como instituição comprometida não apenas com a produção de conhecimento, mas com a preservação das memórias e dos patrimônios que constituem a identidade de Alagoas.

Para a diretora do Museu Théo Brandão, Hildênia Oliveira, iniciativas como essa reforçam justamente a vocação do espaço universitário para acolher, preservar e colocar em circulação as diferentes histórias que formam a cultura alagoana.

“Essa noite de quarta-feira é uma devolutiva à sociedade, uma comemoração do Inventário Participativo do Patrimônio Cultural Imaterial, que está ligado à região de risco afetada pelo afundamento do solo. Esse trabalho foi coordenado pelas professoras Josy Omena e Adriana Guimarães, da Universidade Federal de Alagoas, como uma das ações de mitigação desse desastre, que envolveu a retirada das pessoas daquela região de risco, mas também a necessidade de mapear culturalmente esse território e registrar essa riqueza. Ter esse patrimônio identificado em uma plataforma é muito importante, mas também é fundamental trazer luz a esse patrimônio, fazer com que ele seja visto, conhecido e reconhecido. E trazer isso para o pátio do Museu Théo Brandão tem um significado muito especial, porque entendemos que esta é a casa da gente alagoana. É um espaço de proteção, de acolhimento e de valorização da nossa cultura. Então, esperamos que essa noite seja também uma oportunidade de mostrar a riqueza que existe nesses territórios e reafirmar a importância de protegê-la e preservá-la.”

Universidade e sociedade de mãos dadas

A participação da Ufal no IPCI Maceió reafirma uma das principais contribuições da universidade pública: produzir conhecimento em diálogo com a sociedade e colocá-lo a serviço da preservação de sua história.

O inventário também pode contribuir para ampliar o conhecimento sobre as referências culturais dos territórios atingidos e subsidiar ações de preservação e políticas públicas voltadas à cultura e à memória.

Em 2025, durante a apresentação de resultados do projeto, a iniciativa já era apontada como um importante instrumento de resgate da memória coletiva e da identidade cultural dos moradores dos bairros afetados. O trabalho vem sendo acompanhado pelo Ministério Público Federal e pelo Ministério Público do Estado de Alagoas.

O lançamento, portanto, não representa apenas a apresentação de um documento ou de uma base de dados. É um momento de reconhecimento. É a oportunidade de olhar para aquilo que permanece quando um território é transformado: as pessoas, suas histórias, seus saberes e a cultura que ajudaram a construir.

A Ufal, por meio do Museu Théo Brandão, abre suas portas para receber esse encontro e reafirma que preservar a memória também é uma forma de cuidar do presente e construir caminhos para o futuro.