ELEIÇÃO PARA ALE

Aposta em votos de Julio Cesar em Palmeira dos Índios falha e Sílvio Camelo perde mandato por apenas 475 votos

Deputado fez dobradinha com Júlio Cezar, que conseguiu 11.198 votos na cidade, mas Camelo recebeu apenas 2.897; diferença de 475 votos para último eleito de sua federação custou a reeleição

Por Redação Publicado em 06/10/2026 às 20:12
Ex-imperador não transferiu os votos necessários para Camelo que "morreu no deserto" de Palmeira dos Índios Assessoria

Uma diferença de apenas 475 votos separou o deputado estadual Sílvio Camelo (PV) da renovação de seu mandato na Assembleia Legislativa de Alagoas. E o resultado coloca sob os holofotes uma das principais apostas feitas pelo parlamentar na eleição de 2026: Palmeira dos Índios e a aliança eleitoral construída com o ex-prefeito Júlio Cezar (PSD) e a prefeita Luisa Julia Duarte.

Na totalização estadual, Camelo terminou com 29.398 votos, aumentando em 10 mil votos sua votação anterior, equivalentes a 1,63% dos votos válidos, e ficou na suplência.

O detalhe que dimensiona o tamanho da derrota está justamente dentro da própria Federação Brasil da Esperança, formada por PT, PCdoB e PV. Marcos Barbosa (PT) conquistou a última vaga da federação com 29.873 votos.

A diferença entre os dois foi de somente 475 votos.

Ou seja: mantidos os demais resultados da eleição, bastariam 476 votos a mais para Camelo ultrapassar Marcos Barbosa na votação nominal da federação e mudar o desfecho da disputa pela cadeira.

É uma diferença mínima diante de uma campanha estadual e ajuda a colocar Palmeira dos Índios no centro da análise sobre o resultado.

A aposta em Palmeira

Durante a campanha, Sílvio Camelo fez uma clara dobradinha eleitoral com o ex-prefeito de Palmeira dos Índios Júlio Cezar, candidato a deputado federal.

A parceria não ficou apenas nos bastidores. Os dois fizeram adesivaços, dancinhas no tik tok, reuniões e atos políticos juntos, montaram estrutura conjunta de campanha e encerraram a corrida eleitoral lado a lado em uma grande carreata pelas ruas de Palmeira.

Júlio também pediu publicamente votos para Camelo durante suas incursões pela zona rural do município.

Nas urnas, entretanto, os resultados dos dois candidatos dentro de Palmeira ficaram muito distantes.

Júlio Cezar recebeu 11.198 votos para deputado federal, tornando-se o candidato ao cargo mais votado no município.

Sílvio Camelo, por sua vez, conseguiu 2.897 votos para deputado estadual.

Camelo terminou somente na terceira colocação entre os candidatos a estadual em Palmeira. O primeiro colocado foi Hugo Wanderley (MDB), com 3.677 votos, seguido pelo presidente da Assembleia Legislativa, Marcelo Victor (MDB), com 2.921.

Portanto, apesar de toda a estrutura política montada em torno da dobradinha Júlio-Sílvio, Camelo ficou 780 votos atrás de Hugo Wanderley e até 24 votos atrás de Marcelo Victor dentro do município.

Transferência ficou muito abaixo da votação de Júlio

É justamente aí que os números ganham peso político.

Enquanto Júlio Cezar conseguiu 11.198 votos, Camelo recebeu 2.897. Isso significa que a votação do deputado estadual correspondeu a aproximadamente 25,9% da votação alcançada pelo seu parceiro de dobradinha para federal.

E faltaram apenas 475 votos para Camelo alcançar Marcos Barbosa no resultado estadual.

A diferença que decidiu o futuro político do deputado, portanto, caberia com enorme folga dentro da distância entre a votação obtida por Júlio e aquela alcançada por Camelo em Palmeira dos Índios.

A estratégia de Camelo era compreensível: associar sua candidatura à estrutura eleitoral de um ex-prefeito que governou Palmeira por dois mandatos e que entrou na eleição demonstrando capacidade de mobilização no município.

A votação de Júlio mostrou que a base existia - foram 11 mil votos, contudo aquém do esperado.

O que não ocorreu na mesma proporção foi a transferência dessa força eleitoral para Sílvio Camelo.


Palmeira poderia ter mudado a eleição de Camelo


O resultado torna Palmeira dos Índios particularmente relevante na análise da derrota.

Camelo não precisava de milhares de votos adicionais para continuar deputado. Precisava de algumas centenas.

Se, dentro de um município onde seu principal aliado obteve mais de 11 mil votos, Camelo tivesse acrescentado 476 votos ao seu desempenho, a situação na disputa interna da federação seria outra.

Mas eles não vieram.

Ao final da apuração, Marcos Barbosa chegou a 29.873 votos e foi eleito, enquanto Sílvio Camelo parou nos 29.398 e ficou na suplência.

Camelo, que havia sido eleito deputado estadual em 2018 e reeleito em 2022, deixa assim a cadeira após dois mandatos consecutivos.

A derrota por margem tão estreita mostra como decisões locais podem ter consequências estaduais em uma eleição proporcional.

E, no caso de Sílvio Camelo, Palmeira dos Índios acabou simbolizando essa conta: o parceiro de dobradinha ultrapassou 11 mil votos, Camelo não chegou a 3 mil e, no resultado final de Alagoas, menos de 500 votos fizeram a diferença entre permanecer na Assembleia e ficar na suplência.