Desenvolvimento regional: Fábrica da Natville em Batalha fortalece produtores rurais e movimenta a economia sertaneja
A chegada de uma nova unidade industrial da Natville ao município de Batalha, no sertão de Alagoas, vai provocar mudanças importantes na dinâmica econômica da região, especialmente para a cadeia produtiva do leite. O investimento amplia as perspectivas de mercado para os produtores rurais e cria oportunidades para diferentes segmentos que integram a economia do interior do estado.
Foi com essa perspectiva que representantes do setor produtivo de Alagoas acompanharam o andamento das obras da nova unidade, nesta terça-feira (8) e, em seguida, foram conhecer as instalações da Natville em Nossa Senhora da Glória, no sertão sergipano, na quarta-feira (9).
A comitiva foi formada pelos presidentes da Federação da Agricultura e Pecuária de Alagoas (Faeal), Álvaro Almeida, e da Federação das Indústrias do Estado de Alagoas (Fiea), José Carlos Lyra, além dos diretores do Sebrae Alagoas, Juliana Almeida e Domício Silva, e do produtor rural e diretor da Faeal, André Ramalho. Eles foram recebidos pelos empresários Janea e Valderício Dantas e pelos filhos Flávio e Fábio Dantas.
A unidade de Batalha se soma à operação que a Natville já mantém em União dos Palmares, em Alagoas, e às fábricas de Nossa Senhora da Glória e Canindé do São Francisco, em Sergipe. A expansão, que também inclui uma planta em Jeremoabo, na Bahia, reforça a estratégia do grupo de ampliar sua presença no Nordeste e, particularmente, de fortalecer a produção de leite no semiárido.
Ampliação de mercado
Atualmente, a Natville trabalha com 2,2 mil produtores e uma capacidade produtiva total de aproximadamente 2,7 milhões de litros de leite, quando todas as unidades estiverem em funcionamento nos três estados. “Hoje já contamos com mil colaboradores, três mil clientes ativos e 50 produtos no nosso portfólio”, informou Flávio Dantas, durante a visita.
Para o setor produtivo alagoano, a instalação de uma indústria desse porte no sertão representa mais do que a chegada de uma nova fábrica. A proximidade entre a indústria e as propriedades rurais pode estimular o aumento da produção, a melhoria da produtividade e a profissionalização da atividade leiteira, ao mesmo tempo em que amplia as possibilidades de comercialização para os pecuaristas.
Na avaliação do presidente do Sistema Faeal/Senar, Álvaro Almeida, o fortalecimento da agroindústria é fundamental para criar um ambiente capaz de estimular novos investimentos no campo. “Com uma indústria estruturada e um mercado consumidor assegurado, o produtor passa a ter melhores condições para planejar a atividade, investir no rebanho e ampliar sua produção. Para isso, ele já conta com o acompanhamento dos técnicos e supervisores da Assistência Técnica e Gerencial (ATeG) do Senar Alagoas”, afirmou o presidente.
Os efeitos também tendem a alcançar outros segmentos da economia. O crescimento da atividade leiteira movimenta o comércio de insumos, alimentação animal, transporte, serviços veterinários, assistência técnica, máquinas e equipamentos, além de gerar empregos diretos e indiretos. A agroindústria também deve promover o surgimento de outras plantas industriais de pequeno e médio porte que podem integrar a cadeia produtiva do leite e seus derivados.
Articulação fundamental

Durante a visita, os proprietários da Natville fizeram questão de reconhecer a participação de Álvaro Almeida e Domício Silva no processo que contribuiu para a chegada da agroindústria ao estado.
“Os dois tiveram um papel muito importante na intermediação das conversas que levaram o grupo a avaliar e, posteriormente, concretizar investimentos em Alagoas, em uma articulação que envolveu o então governador Renan Filho e o secretário da Fazenda à época, George Santoro. Eu pedia muito a Deus e ele orientou a nossa tomada de decisão e colocou no no nosso caminho o Domício e o Dr. Álvaro”, declarou Janea Dantas.
A relação construída ao longo desse processo, segundo os empresários, foi determinante para aproximar o grupo do ambiente institucional alagoano e criar as condições para a expansão dos negócios no estado. Eles também destacaram a relação de diálogo mantida atualmente com o governador Paulo Dantas, ressaltando a continuidade do bom relacionamento institucional com o Governo de Alagoas.
Para Álvaro Almeida, a consolidação de investimentos dessa dimensão no interior demonstra a importância da união entre o setor produtivo e o poder público na construção de um ambiente favorável aos negócios. “Aqui vale salientar que o governador Renan Filho sempre esteve ao lado do setor produtivo e nunca deixou de atender as demandas do agro, apoio que continuamos a contar no governo de Paulo Dantas, que também é produtor rural”, lembrou Almeida.
Fábrica de Ração
Além da nova indústria em Alagoas e da modernização da unidade em Jeremoabo, na Bahia, a estratégia de expansão do grupo também contempla investimentos voltados diretamente ao produtor. Em Nossa Senhora da Glória, a empresa está implantando uma fábrica de ração com capacidade para 500 toneladas por dia.
A iniciativa busca reduzir os custos de alimentação do rebanho e oferecer uma alternativa especialmente importante durante os períodos de estiagem, quando a disponibilidade de alimento para os animais costuma ser um dos principais desafios da pecuária leiteira no semiárido.
O conjunto de investimentos sinaliza uma transformação na escala da atividade e na integração da cadeia produtiva regional. Ao ampliar a capacidade de processamento e, simultaneamente, a base de fornecedores, a Natville pretende criar uma estrutura na qual a expansão industrial seja acompanhada pelo crescimento da produção no campo.
Muito além da porteira

A experiência da Natville em Sergipe foi um dos pontos observados pela comitiva alagoana durante a visita. Em Nossa Senhora da Glória, a indústria já integra uma cadeia produtiva que reúne milhares de produtores e movimenta uma ampla rede de fornecedores e prestadores de serviços.
É esse modelo que a chegada da nova fábrica a Batalha poderá ajudar a consolidar em Alagoas. Para o sertão, onde a pecuária leiteira tem forte presença econômica e social, a industrialização representa uma oportunidade de agregar valor à produção local e reduzir a distância entre quem produz e quem transforma o leite.
A expectativa é que o investimento contribua para gerar um ciclo de desenvolvimento regional, com mais produção no campo, maior demanda por serviços, circulação de renda e novas oportunidades para trabalhadores e empreendedores. “Estamos presenciando um renascimento da Bacia Leiteira de Alagoas, que volta a ser pujante em nosso estado, beneficiando trabalhadores e produtores rurais que integram essa importante cadeia, que conta com apoio da Federação e do Senar”, atestou Álvaro Almeida.
Ele fez questão de destacar que a visita das lideranças do setor produtivo alagoano às unidades da Natville reforçou, assim, uma perspectiva que ultrapassa os limites da própria empresa. “Mais agroindústria significa mais mercado para o produtor rural, mais atividade econômica e novas possibilidades de desenvolvimento para o sertão de Alagoas”, concluiu o presidente do Sistema Faeal/Senar.