Artistas locais transformam fachadas de agências do Banco do Nordeste em Alagoas
Pelo Programa Galerias Urbanas, do Centro Cultural do BNB, artistas locais criaram murais temáticos nas unidades de Maragogi e União dos Palmares
Maceió (AL), 17 de setembro de 2026 – Duas agências alagoanas do Banco do Nordeste (BNB) ganharam um novo visual graças ao talento de artistas locais, que demonstraram técnica e criatividade na produção de murais temáticos nas fachadas das unidades. A iniciativa integra o Programa Galerias Urbanas, do Centro Cultural do BNB, que, por meio de edital público, selecionou artistas visuais para personalizar as agências de Maragogi e de União dos Palmares. Outras unidades alagoanas também serão contempladas.
O Programa Galerias Urbanas tem o objetivo de aproximar as unidades de negócios das ações de cultura desenvolvidas pelo Banco do Nordeste, por meio de intervenções artísticas que dialogam com a estética e a identidade local. Segundo a gerente executiva do Centro Cultural do BNB, Juliana Coelho, o projeto está alinhado à missão do Banco do Nordeste de contribuir para o desenvolvimento regional, reconhecendo a cultura como um importante vetor de transformação e de desenvolvimento social, econômico e identitário.
“Ao apoiar artistas, incentivar a economia criativa e valorizar as referências culturais dos estados onde atua, o BNB reforça seu compromisso com o desenvolvimento regional e com a promoção da diversidade cultural nordestina e dos demais territórios de sua área de atuação”, destacou.
A executiva reforça ainda que, no estado de Alagoas, o projeto prevê ainda a confecção de novos murais nas agências de Batalha, Maceió e Olho d’Água das Flores e que, atualmente, a iniciativa está em fase de seleção dos artistas que assinarão essas intervenções.
Maragogi
Na agência de Maragogi, o coco de roda foi o elemento cultural e simbólico escolhido para ilustrar a unidade. Assinada pelo grafiteiro e artista visual Joe Santos, a obra foi desenvolvida em dois dias, com a utilização de tinta em spray e verniz incolor. “Eu sempre busco trazer uma proposta que seja condizente com o ambiente e que leve em consideração a história do lugar”, salientou, complementando que o coco de roda foi selecionado não apenas por fazer parte da identidade cultural e musical do estado, mas também por carregar um simbolismo relacionado à sua origem, que se divide entre Alagoas e Pernambuco, justamente onde está localizada a agência de Maragogi.
A composição da obra, segundo Joe, reúne referências aos instrumentos utilizados no coco de roda e elementos relacionados ao contexto em que essa manifestação cultural se desenvolveu. O painel apresenta dois personagens tocando pandeiro e ganzá, além de símbolos ligados à paisagem local, como o coqueiro, o mar e o sol. “A pintura representa a integração e a comunhão entre a força das figuras masculina e feminina, que dialogam com a natureza, com a perfeição e com o divino”.
Para o gerente da agência, Marcel Henrique, o novo mural trouxe mais vida, cor e identidade ao ambiente, tornando o espaço visualmente mais agradável e despertando a curiosidade e a atenção de clientes e funcionários.
“O Banco do Nordeste possui uma forte ligação com o desenvolvimento regional, e trazer elementos locais para dentro de suas agências reforça essa identidade, especialmente em um espaço institucional, que muitas vezes pode ser percebido apenas como um local de atendimento. A presença do mural quebra um pouco essa formalidade e proporciona uma experiência mais leve para quem trabalha ou circula pela agência”, declarou.
União dos Palmares
Para a produção do mural temático na agência de União dos Palmares, o Centro Cultural do BNB convidou o artista visual Jhonyson Nobre, que, por ser natural do município, possui forte identificação com a região. Segundo o artista, a obra foi construída a partir de uma pesquisa que ele tem desenvolvido sobre infância, memória, racialidade e construção da identidade. “Existe uma relação muito forte entre o que eu produzo artisticamente e o território onde cresci. Quando recebi o convite, senti que era uma oportunidade difícil de recusar e, de certa maneira, a realização de um desejo antigo de produzir uma obra dessa dimensão”, afirmou.
Executada com tintas específicas para áreas externas e pintada manualmente sobre os azulejos da fachada da agência, com o uso de pincéis e rolos, a obra retrata crianças negras brincando de ciranda, elemento escolhido por representar o encontro, a coletividade e a imaginação como espaços de construção de possibilidades. Segundo Jhonyson, a brincadeira ocupa um papel central na concepção do mural por ser um ambiente onde o sonho e a criatividade ganham forma. As figuras aparecem conectadas por fios vermelhos que simbolizam os laços de pertencimento, memória e ancestralidade transmitidos entre diferentes gerações.
A composição incorpora ainda referências diretamente ligadas à identidade de União dos Palmares. O mastro e as fitas presentes na pintura remetem à tradicional procissão de Santa Maria Madalena, padroeira do município, enquanto o conjunto de casas faz alusão ao bairro Castelo, onde o artista nasceu e cresceu. “Queria falar do território a partir de uma memória mais próxima, do cotidiano, das coisas que atravessaram a minha própria infância e que talvez também atravessem a memória de outras pessoas que cresceram aqui”, explicou.
O gerente da agência do BNB em União dos Palmares, Fillipe Willians, ressalta que o mural impactou diretamente a autoestima dos funcionários da unidade, que passaram a se sentir mais prestigiados por trabalharem em um ambiente bonito, harmônico e que chama a atenção de quem passa. “Criar vínculos e estampar arte homenageando a cidade, colocando um artista local para realizar o trabalho, é uma atitude nobre do Banco. A partir disso, é possível demonstrar, por meio de uma ação cultural, que a instituição vai além de um agente indutor de crédito, contribuindo para o desenvolvimento das cidades de sua área de atuação”, atestou.
Seleção de artistas
A gerente do Centro Cultural do BNB explica que a seleção dos artistas para a confecção dos murais é realizada por meio de diferentes mecanismos. Além dos editais públicos, a iniciativa realiza pesquisa curatorial e análise de portfólios para identificar profissionais cuja produção esteja alinhada aos objetivos do projeto. “Entre os critérios considerados estão a trajetória artística, a relação com o território onde a intervenção será realizada e a adequação da proposta ao conceito estabelecido pelo programa”, pontua Juliana.