EDUCAÇÃO

JHC derrubou a qualidade da educação de Maceió para 90º entre os 102 municípios alagoanos, diz MEC

Sob sua gestão, a capital alagoana ficou com a 5ª pior nota no Ideb entre as 27 capitais brasileiras

Publicado em 09/09/2026 às 15:13
JHC: gestão pífia na educação

De um lado, um candidato ao governo que fala na internet e promete a mudança da educação; do outro lado, os dados oficiais mostram uma realidade diferente. De acordo com os números do Sistema de Avaliação da Educação Básica (Saeb) e do Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb), calculados pelo Inep, sob a gestão do ex-prefeito João Henrique Caldas (PSDB), Maceió caiu para a 8ª colocação entre as 9 capitais do Nordeste e ficou na 90ª posição entre os 102 municípios alagoanos.

Na prática, dezenas de cidades do interior com arrecadação tributária menor conseguem ensinar melhor que a prefeitura que gere o cofre mais robusto de Alagoas. Os números do Ministério da Educação (MEC) mostram que a nota de Maceió nos Anos Finais do Ensino Fundamental (do 6º ao 9º ano) despencou para 4,3. Dos municípios alagoanos que tiveram sua nota aferida pelo MEC, 89 superam a capital.

Pela Constituição e pela Lei de Diretrizes e Bases da Educação, creches e o Ensino Fundamental são de competência direta, prioritária e orçamentária da prefeitura. Foi justamente nessa etapa que a gestão JHC colecionou tropeços pedagógicos e administrativos, atestados pelos órgãos oficiais do MEC.

Nos Anos Iniciais (1º ao 5º ano), o cenário de estagnação se repete. Com nota 5,6, Maceió se configura na 22ª colocação entre as capitais avaliadas, sendo a quinta pior do país e perdendo para 81 municípios alagoanos. Ou seja, enquanto a educação de Alagoas alcançou o 8º lugar nacional nos Anos Iniciais com média 6,3, a capital gerida por JHC puxou os índices para baixo.

A nota média do Ideb esconde o que acontece dentro das salas de aula de Maceió. Os microdados do Saeb, compilados na plataforma QEdu, revelam que mais de 90% dos estudantes concluem o Ensino Fundamental sem o aprendizado adequado em Matemática: 9,47% dos alunos do 9º ano dominavam o conteúdo em 2023, taxa que recuou em relação a 2019 (14,91%).

Em Língua Portuguesa, o índice de aprendizado é de apenas 29,26%. Além disso, a recente alta na nota dos anos finais (de 4,1 para 4,3) maquiou o resultado: as notas reais do Saeb caíram em Português e estagnaram em Matemática.

No palanque, as propostas de JHC sobre o tema continuam vagas e focadas em atacar os índices gerais do estado, acusando Alagoas de concentrar taxas históricas de analfabetismo. O discurso omite que a capital administrada por ele é parte central desse problema: segundo a PNAD Contínua, do IBGE, Maceió atingiu 6,4% de taxa de analfabetismo entre a população — a pior marca registrada entre todas as capitais do país.

Infraestrutura precária


Na teoria, João Henrique Caldas defende a recuperação da infraestrutura e a ampliação do tempo integral, mas, na prática, o Sindicato dos Trabalhadores da Educação de Alagoas (Sinteal) e o Conselho Municipal de Educação denunciam um cotidiano de precarização na rede municipal: salas castigadas por mofo e infiltrações, escassez de profissionais de apoio para estudantes com deficiência e unidades inteiras funcionando em galpões ou prédios alugados, sem pátio, quadra ou refeitório.

Enquanto a rede própria estava sem reformas estruturais, a Secretaria Municipal de Educação (Semed) virou alvo de representações no Ministério Público por repasses e contratos milionários com entidades privadas, firmados em sua maioria sob o guarda-chuva de dispensas e inexigibilidades de licitação.

Diante de salas sem energia compatível, contratos sob suspeita e nove em cada dez alunos saindo da escola sem dominar o cálculo básico, os dados oficiais do MEC e do IBGE respondem ao marketing das redes: o modelo que JHC promete para Alagoas é o mesmo que empurrou a educação de Maceió para o atraso.