Conselho pressiona governo federal a homologar Terra Indígena Xukuru-Kariri em Palmeira dos Índios
Resolução cobra decreto imediato do Planalto, denúncia intimidações a servidores da Funai e pede reforço da Polícia Federal no Agreste alagoano
O impasse sobre a regularização fundiária no Agreste de Alagoas ganhou um novo capítulo com a cobrança direta do Conselho Nacional de Política Indigenista (CNPI) à Presidência da República. Em resolução oficial veiculada no Diário Oficial da União nesta terça-feira (1º), o órgão exige a assinatura e publicação imediata do decreto de homologação da Terra Indígena Xukuru-Kariri, localizada no município de Palmeira dos Índios.
Além do ato formal que assegura a posse definitiva do território, o conselho alerta para a escalada de tensões na região e defende ações emergenciais de proteção às comunidades e às autoridades federais.
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Medida recomendada |
Objetivo principal |
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Homologação imediata |
Garantir a segurança jurídica da terra indígena e viabilizar a desintrusão de não indígenas. |
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Escolta policial |
Proteger servidores da Funai contra intimidações durante o levantamento de benfeitorias. |
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Investigação federal |
Apurar ameaças de morte e discursos de ódio dirigidos às lideranças Xukuru-Kariri. |
Promessa pendente e escalada de tensão
O documento reforça que a Terra Indígena Xukuru-Kariri integrou o pacote de territórios previstos para homologação nos primeiros 100 dias da atual gestão federal, iniciada em janeiro de 2023. O descumprimento do prazo, segundo a entidade, perpetua o clima de incerteza jurídica e impulsiona novos confrontos na zona rural.
Com a homologação, o Governo Federal obtém a prerrogativa legal para dar início ao processo de desintrusão — a retirada de ocupantes não indígenas da área delimitada —, assegurando a posse plena ao povo Xukuru-Kariri.
Intimidações em campo e denúncias de ódio
A resolução traz relatos sobre o agravamento das condições de trabalho das equipes técnicas. Servidores da Funai responsáveis por avaliar as benfeitorias locais teriam sido alvos de hostilidades e bloqueios promovidos por atores políticos da região.
O clima de instabilidade foi reiterado pelas próprias lideranças indígenas, que denunciaram formalmente ameaças de morte e discursos de ódio em outubro de 2025. Diante dos riscos, o CNPI formalizou a necessidade de atuação ostensiva da Polícia Federal para acompanhar as incursões de campo da Funai, prevendo inclusive o acionamento da Força Nacional de Segurança Pública caso o cenário exija maior contingente.