Renato Filho quer ampliar acesso ao Mounjaro pelo SUS para pacientes com obesidade em Alagoas
Candidato a deputado federal diz que novos medicamentos contra a obesidade não podem ficar restritos a quem pode pagar
O acesso a medicamentos de nova geração contra a obesidade, como a tirzepatida, princípio ativo do Mounjaro, será uma das pautas de saúde de Renato Filho (MDB) na Câmara dos Deputados. Candidato a deputado federal, ele quer fortalecer a discussão sobre a oferta desses tratamentos pelo SUS para pacientes com indicação médica e acompanhamento profissional.
A iniciativa também tem relação com uma medida adotada ainda no fim da gestão de Renato Filho no Pilar. Em 2024, último ano de seu segundo mandato como prefeito, ele solicitou à Secretaria Municipal de Saúde a aquisição de Ozempic para a rede pública. Com a medida, Pilar passou a se destacar como um dos municípios pioneiros em Alagoas na oferta desse tipo de medicamento pela rede de saúde. Atualmente, Pilar disponibiliza o Ozempic a pacientes que atendem aos critérios estabelecidos pela saúde municipal. O medicamento tem como princípio ativo a semaglutida e integra a nova geração de tratamentos que ganhou espaço no enfrentamento à obesidade.
Agora, Renato quer ampliar essa bandeira para Alagoas e levar a discussão também para Brasília. “Eu vou pedir ao nosso futuro governador de Alagoas, Renan Filho, que estude a oferta pelo SUS de medicamentos como Mounjaro e outros dessa nova geração. Óbvio, não é canetinha para todo mundo. É para quem realmente tiver indicação médica, seguindo critérios de saúde, com prescrição e acompanhamento profissional”, afirmou.
O tema já é alvo de outras propostas em andamento em Alagoas e no Congresso Nacional. Renato pretende somar força a essa agenda na Câmara dos Deputados e ampliar a discussão sobre formas de fazer os novos tratamentos chegarem também à população que não tem condições de custeá-los.
Os números ajudam a dimensionar o problema. Segundo o Vigitel, sistema do Ministério da Saúde que acompanha fatores de risco e proteção para doenças crônicas por meio de inquérito telefônico, a obesidade entre adultos nas capitais brasileiras e no Distrito Federal passou de 11,8% em 2006 para 25,7% em 2024.
Em Alagoas, dados da Secretaria de Estado da Saúde mostram que o excesso de peso atingia entre 68,45% e 74,93% dos adultos acompanhados pelo Sisvan no primeiro quadrimestre de 2024, dependendo da região de saúde.
Além de aumentar o risco de diabetes, hipertensão, doenças cardiovasculares e alguns tipos de câncer, a obesidade também gera impacto econômico. Documento disponibilizado pela Conitec aponta que, em 2019, os custos diretos com o tratamento de doenças crônicas associadas ao excesso de peso e à obesidade foram estimados em cerca de R$ 1,5 bilhão no Brasil, considerando despesas ambulatoriais e hospitalares.
“A obesidade não é brincadeira. Está ligada a diabetes, problemas cardiovasculares e várias outras doenças. Se a medicina avançou, esse avanço não pode ser privilégio de quem pode pagar. Saúde de ponta também tem que chegar a quem mais precisa”, disse Renato Filho.