SEGURANÇA PÚBLICA

Alagoas é alvo de operação contra esquema dos "clones" em concursos do Nordeste

Investigação revela uso de sósias para realizar provas admissionais e afastamento de PM que ingressou na corporação por meio do golpe

Por Redação Publicado em 27/08/2026 às 18:24
Alagoas foi um dos pontos centrais da Operação Fora de Forma, deflagrada pela Polícia Civil Imagem ilustrativa gerada por inteligência artificial

Alagoas foi um dos pontos centrais da Operação Fora de Forma, deflagrada pela Polícia Civil nesta quarta-feira (26) para desmantelar uma associação criminosa especializada em fraudar concursos públicos na Região Nordeste. A ação cumpriu 12 mandados de busca e apreensão distribuídos entre Alagoas, Pernambuco, Paraíba e Ceará, culminando no afastamento cautelar de um soldado da Polícia Militar de Pernambuco, que atuava em Jaboatão dos Guararapes após ingressar na corporação com o uso de um fraudador.

Iniciada em setembro de 2025, a investigação desvendou uma tática articulada do grupo: a contratação de pessoas com características físicas extremamente parecidas às dos inscritos — apelidadas pelos investigadores de "clones" — para realizar os exames no lugar dos candidatos originais. O policial afastado, por exemplo, assumiu o cargo público após um desses substitutos realizar a prova do concurso em seu lugar, em janeiro de 2024.

De acordo com as autoridades, a rede criminosa operava em duas frentes:

Substituição presencial: Envio de sósias para realizar as provas no dia do exame.

Vazamento de gabaritos: Repasse ilegal do conteúdo das avaliações antes do horário de aplicação.

Até o momento, a Polícia Civil já identificou dez suspeitos diretamente ligados à troca de identidades — divididos entre cinco contratantes e cinco "clones" —, além de dois investigados responsáveis pelo vazamento de gabaritos.

Os materiais apreendidos durante os mandados em Alagoas e nos outros três estados serão analisados para identificar novos integrantes e mapear a extensão total das fraudes em certames regionais. Há indícios do envolvimento de servidores públicos estaduais e de integrantes de órgãos de segurança e do Ministério Público no esquema.