JUSTIÇA

Desembargador ironiza críticas a “penduricalhos” e revela ter terminado o mês com apenas R$ 96,10 na conta

Márcio Roberto Albuquerque afirmou que salário recebido é “fruto de muito trabalho, suor e, acima de tudo, honra” e disse não conhecer as verbas apontadas como benefícios extras da magistratura

Por Redação Publicado em 21/08/2026 às 08:33
Desembargador comentou nas redes questões salariais na justiça

O desembargador Márcio Roberto Albuquerque, do Tribunal de Justiça de Alagoas (TJAL), utilizou as redes sociais para comentar as críticas recorrentes aos chamados “penduricalhos” pagos a integrantes do Judiciário brasileiro e chamou atenção ao revelar o saldo que encontrou em sua conta bancária ao final do mês: R$ 96,10.

Na publicação, intitulada “O custo da coragem e o saldo do fim do mês”, o magistrado afirmou que não teria conhecimento sobre os benefícios extras frequentemente mencionados no debate público sobre a remuneração de juízes e desembargadores.

“A propósito, sobre os chamados e decantados ‘penduricalhos’, sequer tenho conhecimento de onde estavam eles. Simplesmente não os recebi e, por isso mesmo, não tenho saudade do que nunca fez parte da minha realidade financeira”, escreveu.

O desembargador também fez referência ao pagamento mensal recebido como integrante do TJAL. Segundo ele, apesar das críticas que normalmente acompanham a divulgação dos vencimentos da magistratura, considera legítima a remuneração por sua atividade profissional.

Márcio Roberto afirmou que receberia seu “merecido salário” como desembargador e acrescentou que o rendimento seria resultado de “muito trabalho, suor e, acima de tudo, honra”.

Saldo de R$ 96

O trecho que mais chamou atenção na postagem veio em seguida. O magistrado relatou que, aproveitando um momento de repouso, decidiu acessar a conta-salário mantida no BRB, instituição financeira responsável pela administração das contas do Tribunal de Justiça de Alagoas.

Ao consultar o extrato, disse ter constatado que chegara ao final do mês com saldo positivo de apenas R$ 96,10.

“O resultado? Cheguei ao fim do mês ‘de boa’, ou seja, com um saldo positivo de R$ 96,10 (noventa e seis reais e dez centavos), com as graças de Deus”, publicou.

O relato insere-se em meio a um debate nacional sobre a remuneração de integrantes do Judiciário, especialmente em relação a pagamentos indenizatórios e outras verbas que podem elevar os rendimentos mensais para além do subsídio ordinário dos magistrados.

Ao abordar o assunto, Márcio Roberto buscou diferenciar sua situação pessoal das críticas generalizadas dirigidas à magistratura e sustentou que os chamados “penduricalhos” não fizeram parte de sua realidade financeira.

A publicação mistura defesa da atividade exercida no Judiciário, crítica à generalização sobre os ganhos da magistratura e uma exposição incomum da situação financeira pessoal do desembargador ao término do mês.