ELEIÇÕES

Fleming atribui ausência de Alagoas no debate da Band a acordos entre grupos políticos

Candidato da UP ao Senado critica indefinição das chapas majoritárias, negociação de apoios municipais e diz que eleitor alagoano está sendo afastado do confronto entre projetos para o Estado

Por Redação Publicado em 10/08/2026 às 15:17
Alexandre Fleming

A ausência de Alagoas na primeira rodada de debates entre candidatos aos governos estaduais promovida pela Band neste domingo (9) provocou críticas do candidato ao Senado pela Unidade Popular (UP), professor e jornalista Alexandre Fleming. Os debates foram realizados em 12 estados e no Distrito Federal, mas não houve confronto entre os postulantes ao Governo de Alagoas.

Para Fleming, a situação alagoana não deve ser vista apenas como uma questão de organização da emissora. Na avaliação do candidato, a indefinição que marcou a formação das chapas majoritárias no Estado é consequência das negociações entre os principais grupos políticos.

“Alagoas não ficou de fora do debate por acaso. Ficou de fora porque um grupo de oligarquias ainda não decidiu, entre si, quem vai representar seus interesses. Enquanto isso, o povo alagoano é impedido de conhecer e comparar projetos diferentes para o Estado”, afirmou.

A declaração ocorre depois de semanas marcadas por negociações entre partidos, mudanças na composição das alianças e discussões sobre os nomes que ocupariam as vagas de governador, vice-governador e Senado.

“Tentam vencer por W.O.”

Fleming usa um tom ainda mais duro ao analisar a maneira como, na sua avaliação, os principais grupos políticos estruturam as eleições em Alagoas.

“As oligarquias tentam vencer a eleição por W.O. Definem antes quem vai ser candidato a governador, quem vai para o Senado, quem fica com as vagas na Câmara Federal e depois dividem o território alagoano entre si, sustentadas pelo controle das prefeituras e pelas formas mais tradicionais de coronelismo”, declarou.

O candidato sustenta que esse modelo reduz o espaço para o debate programático e transforma a formação das chapas em uma negociação conduzida antes que o eleitor tenha a oportunidade de conhecer e confrontar os projetos apresentados pelos diferentes partidos.

A crítica de Fleming não significa, por si só, que tenha havido qualquer irregularidade na formação das alianças. Trata-se da avaliação política do candidato da UP sobre o processo eleitoral em Alagoas.

Crítica à negociação de apoios de prefeitos


Outro ponto abordado pelo candidato é o peso das prefeituras na montagem das estruturas eleitorais.

Em Alagoas, como ocorre tradicionalmente nas eleições estaduais, o apoio de prefeitos e lideranças municipais é disputado pelas candidaturas majoritárias. Fleming critica, porém, a ideia de que a adesão de um gestor municipal possa ser automaticamente convertida em votos de toda a população de uma cidade.

“Prefeitos e prefeitas não são donos dos votos de suas cidades. Nenhuma das 102 cidades alagoanas tem dono. Quem estiver negociando o voto do povo como se fosse proprietário dele pode tirar o cavalinho da chuva”, afirmou.

Para Fleming, o eleitorado não pode ser tratado como parte de acordos previamente estabelecidos entre dirigentes partidários, prefeitos e grupos políticos.

Mudanças nas chapas também são alvo de críticas


O candidato da UP também relaciona sua crítica às discussões ocorridas durante e depois das convenções partidárias.

Segundo Fleming, alterações em atas, negociações para preenchimento das vagas majoritárias e mudanças de nomes nas composições são reflexo de um processo político conduzido distante do eleitor.

“Isso é consequência de acordos fechados longe do povo, para decidir quem pode concorrer e quem precisa ser tirado do caminho”, declarou.

As mudanças realizadas por partidos e federações durante o período permitido pela legislação eleitoral obedecem a procedimentos previstos pela Justiça Eleitoral. A crítica de Fleming é política e se dirige à forma como essas decisões são negociadas.

Fleming também critica parte da imprensa


O candidato ao Senado ampliou as críticas para a cobertura da eleição.

Fleming fez questão de diferenciar o trabalho dos jornalistas da atuação empresarial de determinados meios de comunicação que, segundo ele, possuem vínculos com grupos políticos.

“Não falo dos profissionais do jornalismo, que fazem seu trabalho com seriedade e ética, mas de veículos ligados às próprias oligarquias, que tentam invisibilizar candidaturas e decidir antecipadamente quem pode ganhar e quem deve perder”, afirmou.

O candidato não indicou, na declaração, quais veículos estariam adotando esse comportamento.

Debate da Band ocorreu sem Alagoas


A Band abriu no domingo a temporada de debates estaduais das eleições de 2026. Inicialmente, a própria emissora havia anunciado uma abrangência maior para os encontros, mas a rodada efetivamente realizada reuniu candidatos de 12 estados e do Distrito Federal.

Alagoas ficou fora dessa primeira rodada.

Para Fleming, mais do que a ausência de um programa de televisão, o episódio simboliza o que ele considera uma limitação do debate público no Estado.

“É a democracia tutelada que tentam impor ao Estado. Querem uma eleição sem confronto, sem contraditório e, se possível, sem concorrentes de verdade”, disse.

Fleming concorre ao Senado pela Unidade Popular nas eleições de 2026.

Ao concluir a crítica, ele afirmou que sua candidatura pretende se colocar fora dos acordos que atribui aos grupos políticos tradicionais.

“Não estamos nesta eleição para participar dos acordos feitos por cima. Estamos na disputa para confrontar as oligarquias e provar que o voto do povo alagoano não tem dono”, concluiu.