MP Eleitoral já registra 446 manifestações sobre propaganda antes da campanha em Alagoas
Em pouco mais de cinco meses, procuradores eleitorais auxiliares analisaram 262 processos antes do início oficial da campanha, marcado para 16 de agosto.
Mesmo com o início oficial da campanha eleitoral previsto apenas para o próximo dia 16 de agosto, o Ministério Público Eleitoral em Alagoas já registra intensa atuação na fiscalização da propaganda eleitoral. Entre 1º de março e 5 de agosto deste ano — período de cinco meses e cinco dias — os três procuradores regionais eleitorais auxiliares para propaganda receberam 262 processos judiciais e emitiram 446 manifestações perante o Tribunal Regional Eleitoral de Alagoas (TRE/AL).
Os números refletem o crescimento das demandas eleitorais ainda na fase preparatória do pleito e acompanham o cenário observado pela própria Justiça Eleitoral. Em reunião recente com o TRE/AL, representantes da Meta Plataforms (Facebook, o Instagram, o WhatsApp, o Messenger e o Threads) informaram que só o Estado de Alagoas concentra cerca de 25% de todos os processos recebidos pela empresa no Brasil relacionados às Eleições 2026, índice significativamente superior ao registrado no mesmo período das eleições gerais de 2022.
Atualmente exercem a função de procuradores regionais eleitorais auxiliares para propaganda os procuradores da República Eliabe Soares, Juliana Câmara e Marcelo Lôbo. A atuação ocorre em regime de acumulação com seus respectivos ofícios de origem, responsáveis por comunidades tradicionais, meio ambiente e criminal/improbidade administrativa, respectivamente.
A atuação dos procuradores auxiliares envolve a análise de representações e pedidos relacionados à propaganda eleitoral, especialmente em ambiente digital, emitindo pareceres e manifestações que subsidiam as decisões dos juízes auxiliares da propaganda do TRE/AL.
Os processos de propaganda eleitoral possuem tramitação célere. Após a distribuição, o MP Eleitoral dispõe, em regra, de 24 horas para emitir parecer, prazo que exige análise jurídica e elaboração das manifestações em tempo reduzido.
Entre as demandas que mais têm movimentado a atuação dos procuradores auxiliares estão pedidos de remoção de reportagens jornalísticas e de publicações feitas por pessoas físicas nas redes sociais. Em geral, as representações sustentam que esses conteúdos ultrapassariam os limites da liberdade de expressão e atingiriam a honra ou a imagem de pré-candidatos. Cabe ao Ministério Público Eleitoral, em cada processo, analisar as circunstâncias do caso e se manifestar sobre os pedidos apresentados, considerando a legislação eleitoral e a necessária proteção à liberdade de expressão e de informação.
Embora exerçam a função de procuradores regionais eleitorais auxiliares para propaganda durante o período eleitoral, os três membros permanecem à frente de seus respectivos ofícios de origem, acumulando as atribuições eleitorais com a atuação ordinária em suas áreas de responsabilidade. Dessa forma, além da análise das demandas relacionadas à propaganda eleitoral, continuam conduzindo normalmente os procedimentos e processos vinculados aos seus gabinetes.