BASTIDORES DO PODER

Jornalista levanta questionamentos sobre negócios de sogro de JHC, Mario Cândia em Alagoas e cobra transparência

Carlos Victor Costa, da Jovem Pan News, resgata trajetória empresarial do pai de Marina Cândia em Mato Grosso e questiona mudança de sua situação financeira após chegada ao Estado; relações envolvendo empresa que atua em obras da Braskem em Maceió também voltam ao debate

Por Redação Publicado em 04/08/2026 às 22:06
Mário Roberto Cândia, pai de Marina e sogro de JHC

Uma reportagem do jornalista Carlos Victor Costa, do Jovem Pan News, publicada nesta terça-feira, 02, colocou no centro do debate político e empresarial a trajetória de Mário Roberto Cândia de Figueiredo, pai de Marina Cândia e sogro de JHC. A apuração levanta questionamentos sobre os negócios desenvolvidos pelo empresário desde sua chegada a Alagoas e cobra maior transparência sobre sua atuação no Estado.

Marina Cândia ganhou projeção política nos últimos meses e passou a ocupar posição estratégica no grupo liderado por JHC, inclusive com mobilização de integrantes do primeiro escalão da Prefeitura de Maceió em eventos políticos relacionados ao seu nome.

Jornalista faz questionamentos pela transparência



Mas, segundo Carlos Victor Costa, pouco se conhece em Alagoas sobre a trajetória empresarial do pai de Marina.

Mário Roberto Cândia possui uma longa história no setor da construção pesada em Mato Grosso e esteve ligado à Agrimat Engenharia e Empreendimentos, empresa que participou de grandes obras e contratos públicos naquele Estado.

Documentos oficiais de Mato Grosso registram Mário Roberto Cândia de Figueiredo como sócio e maior quotista da Agrimat em operação societária realizada em 2014. Registros mais recentes relacionados a procedimentos licitatórios também apresentam Cândia como responsável técnico da empresa.


Processos e investigações


Ao longo de sua trajetória, o nome de Mário Cândia e da Agrimat também apareceu em procedimentos judiciais relacionados a contratos públicos.

Há, por exemplo, registros da Justiça Federal envolvendo Mário Roberto Cândia, a Agrimat e outros investigados em processo movido pelo Ministério Público Federal.

Reportagens publicadas neste ano também noticiaram denúncia relacionada a obras na BR-158, em Mato Grosso, envolvendo, entre outros, Mário Cândia e a Agrimat, com acusações que incluem lavagem de dinheiro e supostas irregularidades na aplicação de recursos públicos.

É fundamental ressaltar que a existência de investigação, denúncia ou processo judicial não equivale a condenação definitiva. Eventuais responsabilidades devem ser estabelecidas pelo Poder Judiciário, assegurados o contraditório e a ampla defesa.


A chegada a Alagoas


É justamente a passagem de Mato Grosso para Alagoas que está no centro dos questionamentos apresentados por Carlos Victor Costa.

Segundo o jornalista, três pessoas que teriam participado da equipe de transição do governo JHC relataram à sua coluna que Mário Cândia teria chegado a Alagoas após vender empresas em Mato Grosso e sem ostentar a mesma capacidade financeira que possuía no auge de sua atuação empresarial.

Ainda conforme essas fontes ouvidas pelo jornalista, a situação financeira do empresário teria mudado significativamente ao longo dos quase cinco anos seguintes.

As afirmações são atribuídas às fontes da reportagem e, até o momento, não representam comprovação de irregularidade.

A partir delas, entretanto, Carlos Victor Costa apresenta uma série de perguntas de interesse público: quais atividades empresariais Mário Cândia passou a desenvolver em Alagoas? Que negócios realizou durante esse período? E quais atividades econômicas explicariam, segundo as fontes ouvidas pelo jornalista, a recuperação de sua capacidade financeira?


MTSul e as obras da Braskem


Outro capítulo já conhecido dessa discussão envolve a MTSul e obras relacionadas ao acordo socioambiental da Braskem em Maceió.

Reportagens anteriores apontaram a origem mato-grossense da MTSul e destacaram a proximidade desse ambiente empresarial com a trajetória de Mário Cândia, levantando questionamentos políticos sobre a contratação da empresa.

A MTSul foi contratada pela Braskem para serviços de infraestrutura, incluindo terraplenagem, drenagem e pavimentação em trecho da Avenida Durval de Góes Monteiro.

A Braskem, por sua vez, já declarou que possui procedimentos próprios de conformidade e avaliação de integridade de seus parceiros e sustentou que seus processos de contratação seguem diretrizes empresariais e são conduzidos pela própria companhia.

Também não há, nas informações apresentadas pela reportagem de Carlos Victor Costa, demonstração de que JHC tenha determinado ou interferido ilegalmente na contratação da empresa.

O ponto levantado pelo jornalista é outro: diante das relações familiares, políticas e empresariais existentes, as circunstâncias mereceriam maior transparência.


“O que aconteceu nesse período?”


Carlos Victor Costa ressalta que não está afirmando a existência de ilegalidade. O jornalista sustenta, porém, que a trajetória empresarial de Mário Cândia, somada às informações recebidas de integrantes da antiga equipe de transição e aos negócios que passaram a ser discutidos publicamente em Alagoas, justifica questionamentos.

A questão ganha ainda mais repercussão porque Marina Cândia deixou de ocupar apenas o espaço institucional de primeira-dama e passou a integrar diretamente o cenário político-eleitoral de Alagoas como pré-candidata a deputada-Federal.

Assim, os questionamentos sobre eventuais relações empresariais de seu pai com negócios realizados no Estado assumem relevância pública e política.

A pergunta apresentada pela reportagem permanece aberta: o que mudou na vida empresarial e financeira de Mário Cândia desde sua chegada a Alagoas e quais negócios explicam essa transformação?

O espaço está aberto para que Mário Roberto Cândia, Marina Cândia, JHC, a MTSul, a Braskem e quaisquer outras pessoas ou empresas mencionadas apresentem esclarecimentos, documentos ou manifestações sobre os fatos e questionamentos levantados.