Recepção aos novos alunos e aula inaugural marcam início do semestre 2026.2 na Ufal
Mais de 2 mil estudantes ingressaram na universidade para novo ciclo; a aula magna foi ministrada pela pesquisadora Sara Wagner York
Um dos momentos mais especiais para a Universidade Federal de Alagoas (Ufal) é a recepção a novos alunos e alunas. Na segunda-feira (27), aconteceu a aula inaugural, que marcou o início do período letivo 2026.2, e a gestão da instituição pôde dar as boas-vindas aos mais dois mil calouros, além dos veteranos. A solenidade foi realizada no auditório da Reitoria, para as comunidades do Campus A.C. Simões, em Maceió, e do Campus de Engenharias e Ciências Agrárias (Ceca), de Rio Largo, com transmissão simultânea para os campi Arapiraca e do Sertão, e teve como convidada especial a professora, pesquisadora e ativista Sara Wagner York.
Na cerimônia, o reitor Josealdo Tonholo, a vice-reitora Eliane Cavalcanti e o coordenador-geral do Diretório Central dos Estudantes, Matheus Maia, deram as boas-vindas com empolgação e esperança, ressaltando o papel transformador da Universidade na vida de todas as pessoas que fazem parte da maior instituição pública de ensino superior de Alagoas.
“É importante que nossos estudantes tenham espírito crítico, que vivam a Universidade para formar um posicionamento sobre o que ela é e sobre como ela transforma vidas, para se posicionarem com base no conhecimento próprio. Toda essa experiência acumulada da Universidade, que faz parte do nosso dia a dia e acontece de forma transversal, só é possível porque a gente tem uma comunidade ávida por transformação aqui no estado de Alagoas”, disse o reitor.
Para a vice-reitora, Eliane Cavalcanti, receber, a cada período, novos rostos brilhando com o êxito de ingressar na maior universidade do estado e com a confiança no poder da educação é um dos grandes motivos pelos quais a Ufal continua existindo, resistindo e seguindo em frente. “É sempre bom lembrar que nós somos o amanhã. Eu falo de todas as pessoas que estão aqui presentes, acreditando na mudança da sua realidade, acreditando na mudança do futuro e que vão fazer de Alagoas um estado cada vez melhor. Sempre acreditando que o amanhã, se nós nos unirmos e trabalharmos juntos, pode, sim, ser diferente”, complementou.
Um exemplo da fala da vice-reitora é a estudante e caloura do curso de letras, Tainá Camille, que não escondeu sua emoção e felicidade ao falar sobre essa nova fase: “Foi uma coisa que eu desejei por muito tempo e eu pensava, repensava no curso e tudo mais e eu espero que seja um caminho para eu me desenvolver socialmente também, porque é algo que eu quero melhorar e crescer profissionalmente, e trazer uma condição melhor para minha vida e para minha família”, explicou a discente.
O representante do DCE, Matheus Maia, fez um convite aos alunos e alunas para participarem das discussões políticas na academia, das decisões que contribuem para a construção cotidiana da Universidade. Maia foi enfático quando defendeu a diversidade e a luta por melhores condições e que a Ufal é fruto de lutas coletivas.
A pró-reitora de Graduação, Eliane Barbosa, falou em nome de todas as pró-reitorias e também fez a saudação aos estudantes. Destacou o trabalho da comissão organizadora da aula inaugural, que tem participação de todos os campi e pró-reitorias. Ela agradeceu o empenho de todas as pessoas envolvidas. Além de Eliane Barbosa, também estiveram presentes os pró-reitores: Estudantil, Alexandre Lima; de Extensão e Cultura, Cézar Nonato; de Gestão Institucional, Edson Lima; além de diretores e diretoras das unidades acadêmicas, docentes e servidores técnicos.
Discutindo diversidade na Universidade
A já tradicional aula de recepção aos novos alunos e alunas, desta vez, foi ministrada pela pesquisadora, professora e jornalista Sara Wagner York, referência nacional nos estudos de gênero, sexualidade e educação. A palestra teve como tema "Identidades, diversidade e saberes localizados: diálogos entre ciência e diversidade de gênero e étnico-racial".
Pioneira na academia, Sara destacou que esta foi a primeira vez, em sua vasta carreira, que ministrou uma aula inaugural para uma universidade, momento que marca o início de um novo ciclo de uma comunidade inteira. Ela também disse que acolheu o convite com muito carinho. “A responsabilidade é imensa de conversar com todos esses estudantes, tentando aprender um pouco da subjetividade, disso que a gente tem chamado de diferença para estar perto”, comentou.
Sara, que já havia vindo ao estado a convite da Ufal para participar da 11ª Bienal Internacional do Livro de Alagoas, realizada em 2025, destacou a Universidade como uma grande parceira e afirmou que é importante que uma instituição pública esteja aberta para discutir as diferentes realidades. “Para esta aula, preparei um roteiro interessante porque, quando a gente fala de população LGBTQIAPN+, pessoas com deficiência, mulheres pretas, povos originários ou indígenas, as pessoas tendem a acreditar naquilo que foi estruturado como verdade universal. A gente acredita que muitos dos nossos saberes vêm dessas verdades. Desconstruí-las faz parte do processo de criação epistemológica que é trabalhado dentro da universidade”, finalizou.
A cerimônia de recepção foi encerrada com a apresentação do Grupo de Saxofones da Escola Técnica de Artes (ETA) da Ufal, coordenado pelo professor Kleber Dessoles, que prestou repertório em homenagem ao grande músico Hermeto Pascoal, Doutor Honoris Causa da Ufal.
Clique aqui e assista ao vídeo da cerimônia