JUSTIÇA

Defensoria Pública entra com nova ação no TJAL para garantir permanência de 158 estudantes da Uncisal

Ação Direta de Insconstitucionalidade pede suspensão dos processos que discutem o bônus regional e busca preservar as matrículas já consolidadas dos estudantes

Publicado em 07/07/2026 às 07:58

A Defensoria Pública de Alagoas (DPAL) ingressou com uma Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI) no Tribunal de Justiça de Alagoas (TJAL) para garantir a permanência dos 158 estudantes matriculados na Universidade Estadual de Ciências da Saúde de Alagoas (Uncisal). Na ação, a instituição solicita, em caráter cauteloso, a suspensão dos processos judiciais que discutem a Lei Estadual nº 9.365/2024, responsável por instituir um bônus de 10% na nota do Enem para candidatos com vínculo comprovado com o Estado de Alagoas.

Embora sustente que a lei seja inconstitucional, a Defensoria Pública defende que uma eventual decisão da Justiça não deva atingir estudantes que ingressaram na universidade de boa-fé, quando a norma ainda estava em vigor. Por isso, pede ao Tribunal que os efeitos de uma possível declaração de inconstitucionalidade sejam aplicados apenas aos próximos processos seletivos, preservando as matrículas já efetivadas e garantindo segurança jurídica aos alunos.

A ação foi proposta pelo defensor público-geral Fabrício Leão Souto e subscrita pelo coordenador do Núcleo de Proteção Coletiva, Othoniel Pinheiro. O pedido é fundamentado nos princípios da segurança jurídica, da proteção da confiança legítima e da boa-fé dos candidatos, além da chamada modulação dos efeitos, mecanismo jurídico já adotado pelo Supremo Tribunal Federal em situações semelhantes.

"Não estamos discutindo apenas a constitucionalidade da lei, mas também a necessidade de preservar os direitos já consolidados. Esses estudantes participaram de um processo selecionado baseado em uma legislação vigente e não podem ser penalizados por uma eventual mudança de entendimento da Justiça. A atuação da Defensoria busca justamente conciliar a observância da Constituição com a proteção da segurança jurídica e da boa-fé dos cidadãos", destacou o defensor público-geral Fabrício Leão Souto.

De acordo com o Defensor Público Othoniel Pinheiro esta nova ação representa um caminho mais seguro para que o Poder Judiciário possa analisar o caso, uma vez que se admite que a lei é inconstitucional para que não mais seja aplicada no futuro, mas que também se busque outros valores constitucionais, como a presunção de legitimidade dos atos da Administração Pública, a boa-fé e segurança jurídica.

A bonificação regional foi aplicada no processo seletivo de 2025 da Uncisal e concedeu um acréscimo de 10% na nota do Enem para candidatos nascidos em Alagoas ou que concluíram integralmente o ensino médio em escolas localizadas no estado. A política foi criada com o objetivo de ampliar o acesso da população alagoana ao ensino superior público estadual.

A constitucionalidade da medida, entretanto, passou a ser questionada em março deste ano por meio de uma ação popular, sob o argumento de que os bônus regionais violariam os princípios constitucionais da isonomia e da igualdade. Em decisão liminar, o desembargador Paulo Zacarias suspendeu a aplicação da bonificação e determinou a reclassificação dos candidatos sem a vantagem, decisão que pode resultar no desligamento de 158 estudantes já matriculados, entre eles, 44 dos 50 aprovados para o curso de Medicina.