JUSTIÇA

Audiência poderá definir guarda de bebês trocados em maternidade de Arapiraca

Famílias deverão apresentar propostas de convivência; Justiça autorizou visitas entre menino e pais biológicos antes da decisão final

Por Redação com agências Publicado em 30/06/2026 às 15:15
Imagem ilustrativa gerada por inteligência artificial Nano Banana (Google Imagen)

A Justiça de Arapiraca marcou para o dia 21 de julho uma audiência considerada decisiva no processo que envolve a troca de três bebês na maternidade do Hospital Nossa Senhora do Bom Conselho, caso descoberto após exames de DNA realizados em 2024. O objetivo do encontro é analisar propostas de convivência apresentadas pelas famílias e avanço na definição sobre a guarda das crianças.

Enquanto o processo não é concluído, o juiz Wilker André Vieira Lacerda determinou que José Bernardo passasse a manter contato regular com seus pais biológicos, Débora Maria e Suelson dos Santos, e também com o irmão gêmeo, Gabriel. A decisão estabelece que o menino ficará com a família biológica em fins de semana alternados, sendo entregue às sextas-feiras e retornando aos cuidados da família que o criou aos domingos, em um regime de visitas supervisionadas.

O caso ganhou repercussão após exames de DNA confirmarem que José Bernardo, criado por Maria Aparecida, no município de Craíbas, é irmão biológico de Gabriel. Os testes também revelaram que Guilherme, registrado pelos pais das irmãs, é filho biológico de Aparecida. As investigações apontaram que uma troca ocorreu na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) Neonatal do hospital e só foi descoberta depois que um incidente nas redes sociais levou as famílias a questionar a origem das crianças.

As famílias defendem soluções diferentes para o futuro dos meninos. Maria Aparecida, que criou José Bernardo desde o nascimento, afirma que teme uma separação definitiva e pede a adoção de um modelo de guarda compartilhada. Já Débora Maria e Suelson dos Santos sustentam que os três irmãos deveriam viver juntos e solicitaram à Justiça a guarda das crianças.

Em decisão anterior, o Hospital Nossa Senhora do Bom Conselho foi condenado ao pagamento de R$ 350 mil em indenizações por falhas graves nos protocolos de segurança da maternidade. A sentença apontada, entre outras irregularidades, é a ausência de identificação biométrica dos recém-nascidos e a colocação das pulseiras de identificação nos berços, e não diretamente nos bebês. A alegação da unidade hospitalar de que terceiros poderiam ter interferido na troca foi rejeitada pela Justiça.

O processo segue na fase final de instrução e é acompanhado pelo Ministério Público de Alagoas. A audiência marcada para julho deverá orientar a decisão sobre a guarda definitiva das crianças, embora o resultado ainda possa ser objeto de recurso às instâncias superiores.