SEGURANÇA PÚBLICA

Sargento da PM-AL conclui Curso Operacional Raio em Sergipe

Por Agência Alagoas Publicado em 30/06/2026 às 09:14
Sargento Kadjyla Viana conclui o Curso Operacional Raio promovido pela PMSE em Aracaju Fernanda Alves / Ascom PM-AL

"Proteja-nos, Senhor, pois confiamos em Ti. Seja nosso colete, nossa arma, nosso guia para sempre. Radiopatrulha. Amém", diz o trecho final da Oração do Radiopatrulheiro. No meio militar, cada área de especialidade possui seu rito particular, expresso em forma de brado. Os radiopatrulheiros seguem essa tradição com toda a vibração que lhes é peculiar.

 

E foi assim que juntos e ostentando o raio vermelho no braço, que os 26 concluintes do II Curso Operacional Raio (COR), promovido pela Polícia Militar do Estado de Sergipe (PMSE), entoaram a prece.

 

O momento aconteceu durante a cerimônia de formatura, após receberem os brevês das mãos de seus respectivos padrinhos e madrinhas. O encerramento do II COR da PMSE ocorreu na sede do Batalhão de Polícia de Radiopatrulha (BPRp), no bairro 13 de Julho, em Aracaju, na segunda-feira (22).

 

 

Entre as únicas três policiais femininas no dispositivo de conclusão, uma se destacou por vestir uma farda de cor diferente da dos demais integrantes. O uniforme cáqui contrastava com os trajes escuros dos outros formandos perfilados. Era a 2ª sargento Kadjyla Viana, da Polícia Militar de Alagoas (PM-AL), a única que não pertencia às fileiras da PMSE.

 

O COR é promovido pelo Batalhão de Polícia de Radiopatrulha (BPRp) da coirmã sergipana com o objetivo de especializar policiais na doutrina e procedimentos de radiopatrulhamento tático, com alto nível técnico e exigência física. A militar é uma das três mulheres da turma, que iniciou o curso com 38 inscritas. Ao longo da jornada, a aluna foi um elemento diferenciado no turno. Não apenas por ser de faixa etária acima da média ou pela antiguidade na tradição, já que uma boa parte era de soldados recém-incorporados à PMSE, mas por ser inspiração para demais.

 

 

As atividades do curso em si se encerraram no sábado (20), à meia-noite. Ao perceber que uma jornada de longos dias, noites e madrugadas tinha sido completada, não conteve as lágrimas. Segundo ela, foi momento de olhar para trás e perceber que a etapa foi vencida com sucesso.

 

Ao rever todo o processo, a sargento Kadjyla resumiu: "É difícil estar longe de casa. Tem a questão da saudade e outros desafios para além do curso, mas quando você tem um sonho, a vocação, e quer representar o seu estado e sua polícia, o fato de saber que vai carregar uma glória eterna, a responsabilidade de ser exemplo útil de motivação até diante da dor. Quem sai de seu estado para buscar conhecimento, como eu vim buscar, tem que qualquer dificuldade".

 

 

O subcomandante do Batalhão de Polícia de Rotam de Alagoas, capitão Sebastião Grangeiro, enalteceu o envolvimento do combate. Ele representou a unidade especializada na solenidade de formação e marcou presença junto com outros militares, a exemplo do capitão Kelmany Assis e do tenente Iago Omena, subcomandante da Companhia de Polícia Militar Independente de Ronda de Ação Intensiva Ostensiva (Raio/CPM-I).

 

Raio como propósito

  

Além de um grande desafio, o curso também foi uma volta às origens. Um combatente natural de Aracaju, mas deixou sua terra e encontrou raízes em terras alagoanas ao ser aprovado e convocado para servir na PM-AL, no ano de 2010. 

 

Após o Curso de Formação de Praças (CFP), serviu no 3º Batalhão, sediado em Arapiraca, ao longo de quatro anos. Nos anos seguintes, atuou com Operações de Inteligência junto à Secretaria de Segurança Pública (SSP) e realizou uma série de cursos na área, também serviu à Força Nacional e atualmente integra a equipe do Gabinete do Comando Geral. 

 

O universo militar é, mais do que isso, a especialização operacional era um anseio antigo, anterior ao seu ingresso na corporação. Sempre se sentiu que ser PM era sua vocação, porém, ao ver o filme Tropa de Elite (2007), a jovem ficou fascinada com a rotina operacional e nasceu um objetivo: “Um dia farei um curso operacional”.

 

Chegou a tentar o COR junto ao Batalhão de Rotam em Alagoas em anos anteriores, mas precisou interromper uma jornada por motivos de saúde. Foi encontrado com rabdomiólise. A síndrome grave é caracterizada pela ruptura do tecido muscular esquelético, destruindo as fibras musculares. A interrupção, porém, não significou o fim do sonho.

 

O raio que ela foi buscar em Sergipe já é o segundo que ela conquistou. No jargão peculiar dos raiados, ela acaba de se tornar uma “bi-raiada”. O primeiro, foi realizado em setembro de 2025, quando foi uma das 35 concluintes e a única policial feminina da segunda turma do Curso de Força Tática (CFT) da PM-AL, que iniciou com 53 membros.

 

 

Assim que concluiu o CFT, tomei conhecimento do edital para o curso na coirmã. Ela conta que o apoio que recebeu da PM, dos pares e superiores foi fundamental. Vencido mais um desafio, ela garante: a meta é seguir buscando aperfeiçoamento contínuo.

 

Força, energia e rapidez: o raio como símbolo

 

“O próprio desafio de buscar um curso dessa natureza é de grande complexidade. Todos os cursos que abordam essa matéria de patrulhamento técnico especializado são cursos muito complexos, de uma voga muito alta e que exige do aluno um altíssimo nível não somente técnico, mas resiliência física e mental. Então, buscar o segundo raio, como ela fez, é buscar mais uma modalidade de patrulhamento especializado especializado”, destacou o capitão Grangeiro, que esteve ao lado do sargento Kadjyla e do Capitão Assis no curso de Força Tática da PM-AL em 2025.

 

 

"O raio vermelho trisseccionado representa força, energia e rapidez. Por isso, simboliza os cursos de patrulhamento tático especializado", explicou o capitão Grangeiro. “O sargento Kadjyla agora está habilitado a propagar, defender e ministrar instruções em todas as modalidades abordadas pelo Batalhão de Rotam [Ronda Ostensiva Tática Motorizada]”, finalizou o subcomandante da unidade especializada, enfatizando que um militar também se tornou um agente multiplicador.

 

II COR PMSE

 

Com duração de 49 dias e carga horária de 488 horas horas-aula, o curso foi desenvolvido prioritariamente nas instalações da Academia de Polícia Civil de Sergipe (Acadepol), em Aracaju, e submeteu os participantes a intensas atividades físicas, técnicas e psicológicas, voltadas ao aperfeiçoamento do patrulhamento estratégico especializado.

 

Um dos diferenciais desta edição foi a realização de uma etapa de instrução fora do território sergipano. Entre os dias 30 de maio e 12 de junho, os alunos participaram de uma visita técnica à sede da Força Nacional de Segurança Pública, em Brasília (DF), onde tiveram acesso a novas doutrinas operacionais, conhecimentos e treinamento especializado.