Luciano reconhece trabalho de Paulo Dantas e expõe a diferença entre a política grande de Arapiraca e a política pequena que trava muitos municípios
Prefeito admitiu que não votou no governador, elogiou os investimentos do Estado na região e dá uma lição rara de maturidade ao colocar o interesse da população acima de disputas eleitorais; veja vídeo
A política costuma revelar o tamanho real de seus protagonistas depois que a eleição termina. É nesse momento que alguns líderes descem do palanque e começam a governar. Outros, infelizmente, passam quatro anos alimentando ressentimentos, disputas paroquiais, perseguições e questiúnculas locais que atrasam cidades inteiras.
Arapiraca deu, mais uma vez, uma demonstração de que joga em outro campeonato.
Durante a inauguração da duplicação da AL-110, no trecho que liga Arapiraca a São Sebastião, o prefeito Luciano Barbosa fez uma declaração incomum na política alagoana. Reconheceu publicamente o trabalho do governador Paulo Dantas, mesmo lembrando que não esteve ao lado dele na eleição.
“Eu não votei no governador Paulo Dantas. Todo Alagoas sabe disso”, afirmou Luciano.
A frase poderia ter parado aí. Mas o prefeito foi além e fez o que muitos gestores, presos à vaidade ou ao rancor eleitoral, não têm coragem de fazer: reconheceu o mérito de quem entregou obras, investiu no município e colocou recursos públicos a serviço da população.
“Foi uma grata e grande surpresa a quantidade de investimento que ele fez, não só na região do Agreste, o que mostra que ele não é pequeno, como também em todo o Estado de Alagoas”, disse o prefeito.
A declaração tem peso político, administrativo e simbólico.
Não se trata apenas de um elogio protocolar em palanque de inauguração. Trata-se do reconhecimento público de que Paulo Dantas governou para Arapiraca mesmo sem ter recebido o apoio eleitoral do prefeito da cidade. E isso, em um Estado onde muitos ainda tratam voto como senha para receber obra, é um gesto que precisa ser destacado.
Veja vídeo ao final do texto
Paulo Dantas poderia ter seguido o caminho da política menor. Poderia ter olhado para Arapiraca como território adversário. Poderia ter usado a divergência eleitoral como desculpa para reduzir investimentos, retardar obras ou empurrar demandas para o fim da fila. Não fez isso.
Fez o contrário.
Entregou obras, fortaleceu a infraestrutura regional, investiu no Agreste e tratou Arapiraca como aquilo que ela é: uma cidade estratégica para Alagoas, independentemente da posição eleitoral de seu prefeito.
Essa postura revela uma diferença fundamental entre governar e fazer politicagem.
Governar é compreender que o Estado não pertence a grupos. Não pertence a aliados. Não pertence a adversários. O Estado pertence ao povo.
E, nesse ponto, Paulo Dantas deu uma resposta objetiva, com obra, investimento e presença administrativa. Não respondeu com discurso. Respondeu com estrada duplicada, mobilidade, integração regional e desenvolvimento.
Luciano Barbosa, por sua vez, também poderia ter escolhido o caminho fácil da omissão. Poderia ter participado da solenidade, feito um discurso frio, protocolar, sem reconhecer o papel do governador. Poderia ter escondido o mérito alheio para não contrariar antigas posições políticas. Preferiu agir como gestor público.
Reconheceu o fato.
E fato, em política séria, deve falar mais alto do que ressentimento.
É por isso que Arapiraca está anos à frente de muitos municípios alagoanos na forma de fazer política. A cidade aprendeu que desenvolvimento não se constrói com birra, com isolamento, com briga de grupo, nem com prefeito tratando adversário como inimigo pessoal.
Arapiraca cresce porque suas lideranças, com todos os conflitos naturais da política, entenderam que há momentos em que a cidade precisa estar acima do palanque.
Essa maturidade institucional não é comum.
Basta observar a realidade de muitos municípios do interior, inclusive no entorno do próprio Agreste. Cidades como São Sebastião, Feira Grande, Lagoa da Canoa, Campo Alegre, Craíbas, Girau do Ponciano e tantas outras têm potencial econômico, localização estratégica e população trabalhadora. Mas, muitas vezes, só conseguem romper gargalos históricos quando o Estado entra com obras estruturantes, porque a política local se perde em disputas pequenas, rivalidades familiares, conflitos entre grupos e dependência excessiva de padrinhos externos.
Não se trata de diminuir essas cidades. Pelo contrário. Trata-se de reconhecer que muitas delas poderiam avançar muito mais se suas lideranças tivessem a mesma capacidade de cooperação institucional que Arapiraca demonstra.
Em vários municípios, a eleição não termina no dia da apuração. Ela continua dentro da prefeitura, dentro da câmara, nos bastidores, nos grupos políticos e até na execução de obras. O adversário não é tratado como alguém que pensa diferente, mas como alguém a ser esmagado. O resultado é conhecido: projetos paralisados, convênios perdidos, obras atrasadas, serviços públicos fragilizados e população pagando a conta da vaidade dos líderes locais.
É a política pequena produzindo cidades pequenas.
A política do “se não for do meu grupo, não serve”.
A política do “se veio do adversário, eu não reconheço”.
A política do “melhor a cidade perder do que o outro aparecer”.
Esse tipo de comportamento ainda prende muitos municípios alagoanos ao atraso. São cidades que dependem quase exclusivamente do empurrão do Governo do Estado para melhorar estradas, ampliar escolas, fortalecer hospitais, levar abastecimento, recuperar vias urbanas e criar alguma perspectiva de desenvolvimento.
Quando falta grandeza local, sobra dependência externa.
Arapiraca, ao contrário, construiu outra cultura política.
Luciano Barbosa resumiu essa visão em uma frase forte:
“Eu não faço política desse jeito. A minha política é a política que conspira a favor.”
A expressão é feliz porque traduz uma forma de governar. Conspirar a favor significa trabalhar para que as coisas aconteçam, mesmo quando há divergência política. Significa procurar pontes, não muros. Significa entender que a cidade não pode ser refém de uma eleição passada.
Conspirar a favor é reconhecer que uma rodovia duplicada não beneficia um partido. Beneficia o trabalhador que se desloca todos os dias. Beneficia o comerciante. Beneficia o estudante. Beneficia o agricultor. Beneficia quem transporta mercadorias. Beneficia quem precisa chegar com mais segurança a um hospital, a uma escola ou ao trabalho.
A duplicação da AL-110, ligando Arapiraca a São Sebastião, é mais do que uma obra viária. É um símbolo da política que funciona quando o interesse público vence a mesquinharia eleitoral.
E é nesse ponto que o reconhecimento de Luciano a Paulo Dantas ganha dimensão ainda maior.
O prefeito não apenas agradeceu uma obra. Ele reconheceu uma postura de governo.
Ao dizer que Paulo Dantas o surpreendeu positivamente pela quantidade de investimentos feitos no Agreste e em todo o Estado, Luciano deu um testemunho difícil de ser ignorado. Principalmente porque veio de alguém que não votou no governador.
Esse detalhe torna o elogio mais forte.
Elogio de aliado é esperado. Elogio de adversário eleitoral tem outro peso.
Luciano não estava fazendo bajulação eleitoral. Estava constatando uma realidade administrativa: Paulo Dantas investiu em Arapiraca, respeitou a importância da cidade e mostrou que não governa apenas para quem esteve com ele no palanque.
Essa é a diferença entre liderança grande e liderança pequena.
A liderança pequena conta votos antes de liberar obras. A liderança grande olha para a necessidade da população.
A liderança pequena pergunta quem apoiou quem. A liderança grande pergunta qual cidade precisa de investimento.
A liderança pequena transforma eleição em vingança. A liderança grande transforma mandato em entrega.
Paulo Dantas, nesse episódio, sai fortalecido porque mostrou capacidade de governar acima da disputa municipal. Luciano Barbosa também sai fortalecido porque mostrou segurança política suficiente para reconhecer o mérito de quem não esteve no mesmo lado eleitoral.
Essa combinação ajuda a explicar por que Arapiraca segue em movimento enquanto muitos municípios permanecem travados em disputas que não enchem barriga, não duplicam estrada, não geram emprego e não melhoram a vida de ninguém.
No fim das contas, a verdadeira grandeza na política não está apenas em vencer eleição.
Está em saber o que fazer depois dela.
Arapiraca deu a sua resposta.
Paulo Dantas investiu.
Luciano Barbosa reconheceu.
E a população ganhou.
É assim que cidades avançam.