ELEIÇÕES

Pesquisa de Cuiabá testa JHC para o Senado e coloca Marina e Eudócia no tabuleiro de Alagoas

Levantamento online atribuído ao MT Dados, empresa sediada na terra natal da esposa de JHC, acende dúvidas sobre o real destino eleitoral do ex-prefeito de Maceió

Por Redação Publicado em 25/06/2026 às 12:20
Empresa de Cuiabá, terra de Marina Cândia, faz pesquisa eleitoral, em Alagoas que inclui JHC, a esposa e a mãe disputando o senado. Para presidente exclui o PSDB de Aécio

Em política, às vezes a pergunta vale mais do que a resposta. E uma pesquisa online que circula em Alagoas nesta semana está fazendo exatamente isso: perguntando demais sobre o Senado e deixando no ar uma dúvida incômoda para quem ainda trata João Henrique Caldas, o JHC, como pré-candidato natural ao Governo do Estado.

O levantamento é atribuído ao MT Dados, empresa de inteligência estratégica baseada em dados, com sede em Cuiabá, capital de Mato Grosso. O detalhe geográfico não passaria de mera informação cadastral se não houvesse um tempero político no meio: Cuiabá é a terra de Marina Cândia, esposa de JHC.

A redação acessou o questionário online nesta quinta-feira, 25 de junho, e encontrou perguntas específicas sobre a eleição de Alagoas, com forte concentração na disputa pelo Senado da República. Em uma das telas, o formulário pergunta diretamente se, “caso JHC, por decisão do seu partido, o PSDB, e do seu grupo político, seja candidato ao Senado”, o eleitor votaria nele para uma das vagas em disputa nas próximas eleições.

As alternativas eram: “sim, votaria com certeza”, “poderia votar”, “não votaria” e “não sabe/não respondeu”.

A pergunta, por si só, já é politicamente venenosa. Afinal, JHC é tratado por aliados como pré-candidato ao Governo de Alagoas, mas até hoje evita uma declaração pública, direta e definitiva, de própria voz, cravando que será mesmo candidato ao Palácio República dos Palmares. Os aliados falam por ele, os apoiadores o empurram para a disputa, as redes sociais sugerem o caminho, mas a palavra final, dita sem intermediários, ainda não veio.

E quando uma pesquisa aparece testando seu nome para o Senado, a esta altura do campeonato, às vésperas do período de convenções eleitorais, a pergunta que fica é inevitável: há dúvida no próprio grupo sobre o melhor destino eleitoral de JHC?

As telas verificadas pela reportagem mostram que o questionário não trata o Senado como tema lateral. Ao contrário. Em outro momento, o levantamento apresenta uma lista de nomes para o primeiro voto ao Senado, incluindo Davi Davino, Arthur Lira, Alfredo Gaspar, Renan Calheiros, JHC e Dr. Wanderley, além das opções “não sabe/indeciso” e “nulo/branco”.





Em seguida, o formulário repete a lógica para o segundo voto ao Senado. Mais uma vez, JHC aparece entre as opções. Ou seja: não se trata de uma pergunta solta, perdida no meio de um questionário genérico. O desenho sugere uma medição organizada da viabilidade do nome de JHC para a Câmara Alta.





Mas o roteiro fica ainda mais curioso.

Em outra tela, o questionário pergunta qual é a “probabilidade real” de o eleitor votar em cada possível candidato ao Senado Federal. Nessa lista aparecem Arthur Lira, Dr. Wanderley, Dra. Eudócia, Marina JHC, Renan Calheiros, Davi Davino, Alfredo Gaspar e o próprio JHC.




A presença de Marina Cândia e de Eudócia Caldas no mesmo tabuleiro amplia a temperatura política do levantamento. Marina é esposa de JHC. Eudócia é mãe de JHC e já ocupa mandato no Senado. A pesquisa, portanto, não apenas testa o ex-prefeito de Maceió para o Senado, como também coloca seu núcleo familiar no radar da disputa.

É aqui que a política deixa de ser tabuleiro e vira xadrez com peças escondidas.

A reportagem não afirma que a pesquisa tenha sido encomendada por JHC, por familiares, por aliados ou por qualquer integrante de seu grupo político. Até o momento, as telas acessadas não indicam publicamente quem contratou o levantamento, qual a finalidade da sondagem, qual o universo de entrevistados, nem se há metodologia científica consolidada por trás do questionário online.

Mas o fato político existe.

E ele é barulhento.

Por que uma empresa de Cuiabá, em Mato Grosso, está fazendo perguntas tão específicas sobre a eleição de Alagoas? Por que JHC aparece sendo testado ao Senado justamente quando ainda não bateu o martelo publicamente sobre a disputa ao Governo? Por que Marina Cândia e Eudócia Caldas também surgem em cenário de Senado? E por que o levantamento mede, com tanta insistência, a disposição do eleitor para votar em JHC numa eleição que, oficialmente, ainda não é apresentada como o caminho principal dele?



A coluna do jornalista Cadu Amaral, no BNews Alagoas, também chamou atenção para o assunto nesta quinta-feira. O texto questiona por que uma pesquisa feita por empresa de Mato Grosso estaria medindo JHC para o Senado em Alagoas e registra que o levantamento chegou a trazer perguntas envolvendo até eventual apoio do presidente Lula.

Esse ponto é explosivo. Em Alagoas, o campo político ligado a Lula tem lado conhecido, endereço conhecido e sobrenome conhecido. Passa por Renan Filho, pré-candidato ao Governo, e por Renan Calheiros, senador e candidato à reeleição. Por isso, qualquer pergunta que aproxime JHC de Lula, ainda que apenas como hipótese de pesquisa, tem potencial de gerar ruído, confusão e especulação no eleitorado.

No mínimo, o questionário parece medir a elasticidade do nome de JHC. No máximo, pode estar testando um plano B eleitoral.

E plano B, em política, raramente nasce por acaso.

A essa altura, a pesquisa deixa duas leituras possíveis. A primeira é que alguém quer saber se JHC teria densidade para uma eventual candidatura ao Senado, caso o projeto de Governo encontre obstáculos. A segunda é que o próprio ambiente político em torno do ex-prefeito ainda não fechou completamente a rota de 2026.

Em ambos os casos, a dúvida é ruim para quem tenta vender certeza.

JHC tem se movimentado como quem deseja disputar o Governo, mas a pesquisa mostra que seu nome também está sendo examinado em outro caminho. E, quando a política começa a testar alternativas em silêncio, normalmente é porque a vitrine pública não conta a história inteira.

O levantamento também joga luz sobre a posição de Eudócia Caldas e Marina Cândia. Se a mãe e a esposa de JHC aparecem como alternativas em uma pergunta sobre Senado, o eleitor pode se perguntar se o grupo está medindo apenas uma candidatura ou se está estudando a ocupação de espaços estratégicos em mais de uma frente.

No português claro da política: estão testando o tamanho do sobrenome Caldas na urna.

Por enquanto, não há resultado público a ser analisado. Não há números divulgados. Não há conclusão estatística conhecida. O que existe são perguntas. E perguntas, quando são muito bem direcionadas, também revelam intenções, medos e possibilidades.

A pesquisa de Cuiabá não responde se JHC será candidato ao Governo, ao Senado ou se manterá o suspense até o último minuto. Mas ela escancara que, nos bastidores, a hipótese de Senado não está enterrada.

E, se não está enterrada, é porque alguém ainda acha que ela pode respirar.

O espaço segue aberto para manifestação de JHC, Marina Cândia, Eudócia Caldas, do PSDB e do MT Dados sobre a finalidade do levantamento, eventual contratante, metodologia utilizada e objetivos da pesquisa online realizada com eleitores de Alagoas.

Veja a pesquisa neste link https://surveys.questionpro.co...