RESSOCIALIZAÇÃO

Livro de Mãe Neide será debatido em projeto de leitura no sistema prisional

Imprensa Oficial vai doar obras ao programa Livros que Libertam e mediar a participação de autores nas unidades prisionais

Por Agência Alagoas Publicado em 23/06/2026 às 15:03
Obra de Mãe Neide será debatida em ação de leitura no sistema prisional Bruno Soriano / Ascom Imprensa Oficial

A política de ressocialização do Governo de Alagoas inclui iniciativas voltadas à leitura e à assistência religiosa no sistema prisional. A partir de agosto, a Secretaria de Estado da Ressocialização e Inclusão Social (Seris) contará com o apoio da Imprensa Oficial Graciliano Ramos, que vai doar livros publicados pela editora e mediar a presença de autores, como Mãe Neide Oyá d'Oxum, cuja vida e obra serão tema de exposição no Presídio Cyridião Durval, em Maceió.

A yalorixá é autora de dois livros publicados pela Imprensa Oficial: “Wa Jeun: Sabores Ancestrais Afro-indígenas” e “Diário de uma Mãe de Santo”. O segundo, que foi o mais vendido na 11ª edição da Bienal Internacional do Livro de Alagoas, será tema de encontro do Café Literário, conforme definido pela Gerência de Educação e Cidadania da Seris.

O Café Literário integra o programa Livros que Libertam, criado em 2022. A ação já passou por todas as unidades prisionais, incluindo o Presídio do Agreste, em Girau do Ponciano. A iniciativa busca fortalecer a saúde emocional dos apenados, substituir a ociosidade pelo conhecimento e prepará-los para o retorno à sociedade.

Assessor técnico de Ensino, Cultura e Esporte da Seris, o policial penal Ademir Santos explica que os encontros do Café Literário acontecem mensalmente. Segundo ele, os reeducandos têm acesso a diferentes títulos e também podem interagir com o escritor homenageado.

“É um momento de interação muito valioso para eles, já que todos podem se manifestar por meio da música ou da dança, por exemplo. A forma de expressar aquilo que aprenderam fica a critério do grupo participante”, afirma Ademir. Ele acrescenta que cada livro lido equivale a quatro dias a menos de pena, conforme a Lei de Execuções Penais (LEP).

Desenvolvido em parceria com a Academia Alagoana de Letras (AAL), o projeto ocorre em paralelo à garantia do direito à assistência religiosa, permitindo que todos possam exercer livremente sua crença. “A Imprensa Oficial vai doar títulos que integram seu vasto catálogo, atuando como um elo entre os autores e o sistema prisional. Nesta próxima edição, aproximadamente trinta reeducandos da ala LGBTQIAPN+ irão debater a importância da cultura afro-brasileira. Será, sem dúvida, um momento de muito aprendizado para todos”, reforça Ademir.

Doutora Honoris Causa da Uneal e Patrimônio Vivo de Alagoas, Mãe Neide também terá participação no Café Literário e levará o Candomblé ao Presídio Feminino Santa Luzia.

“Sinto-me honrada em poder ajudar essas mulheres, que, além de presas, acabam abandonadas no cárcere, em razão do preconceito. É uma espécie de dupla punição. Estão todos de parabéns pela iniciativa, especialmente o Pai Manoel Xoroquê, responsável por introduzir as religiões de matriz africana nos presídios e, dessa forma, proporcionar acolhimento e orientação espiritual a cada vez mais pessoas. Espero aproveitar ao máximo essa oportunidade”, afirma Mãe Neide.

Ela também é fundadora do Centro de Formação e Inclusão Social Inaê, que há duas décadas assiste 160 famílias em situação de vulnerabilidade no Conjunto Village Campestre, em Maceió.

O secretário de Estado da Ressocialização e Inclusão Social, Diogo Teixeira, destacou o alcance da ação. “O Governo de Alagoas, por meio da Seris, trabalha para proporcionar cada vez mais segurança aos alagoanos, o que também se deve ao fortalecimento da nossa política de ressocialização. Transformar vidas e reduzir a reincidência criminal são nossas metas, e o ‘Livros que Libertam’ é um dos nossos orgulhos”, declarou.

Para o diretor-presidente da Imprensa Oficial, Mauricio Bugarim, incentivar a leitura no complexo penitenciário também contribui para fortalecer a cultura alagoana. “Fiquei muito feliz pelo convite. Afinal, esse projeto é uma grande oportunidade de recomeço. Ele não só leva conhecimento, disseminando a nossa cultura, mas também humaniza o cumprimento da pena. Portanto, estou convicto de que essas pessoas sairão muito mais conscientes de seus direitos e deveres”, avaliou.