SAÚDE

HGE alerta para cuidados imediatos em casos de queimaduras no São João

Cirurgiã plástica Anna Lima orienta sobre o que fazer e o que evitar em acidentes com fogueiras e fogos de artifício

Por Agência Alagoas Publicado em 23/06/2026 às 11:58
Cirurgiã plástica Anna Lima orienta sobre cuidados em casos de queimaduras no São João Thallysson Alves / Ascom HGE

Com a chegada dos festejos juninos, o aumento do uso de fogueiras e fogos de artifício acende o alerta para acidentes com queimaduras em Alagoas. No Hospital Geral do Estado (HGE), única unidade do Estado com Centro de Tratamento de Queimados (CTQ), a equipe se prepara todos os anos para atender vítimas desse tipo de ocorrência.

A cirurgiã plástica Anna Lima, coordenadora do serviço, orienta que a primeira atitude após uma queimadura pode fazer diferença na recuperação e na prevenção de sequelas. Segundo ela, em caso de acidente, a medida correta é irrigar a área atingida com água corrente.

“Resfrie imediatamente a área atingida com água corrente limpa, em temperatura ambiente, por 15 a 20 minutos. Esse é o único tratamento recomendado antes do atendimento médico. Cubra a área com gaze limpa ou pano limpo e úmido para protegê-la até chegar ao hospital”, explicou a especialista.

Em casos de queimadura nos olhos, a orientação é cobrir a região com gaze limpa, não lavar os olhos e levar a vítima com urgência para atendimento oftalmológico. Quando as queimaduras forem extensas ou profundas, o paciente pode receber o primeiro atendimento pelo Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) ou procurar a unidade de emergência mais próxima.

Anna Lima também reforça o que não deve ser feito após uma queimadura. “Jamais aplique manteiga, pasta de dente, pó de café, teia de aranha, óleo, clara de ovo nem qualquer ‘receita caseira’ sobre a queimadura, esses produtos aumentam o risco de infecção e pioram a lesão. Não use gelo ou água gelada, podem agravar o dano tecidual. Não estoure bolhas, pois elas protegem a ferida aberta. Não aplique pomadas, cremes ou medicamentos sem orientação médica. E não tente retirar pedaços de roupa grudados na pele queimada”, enumerou a cirurgiã plástica.

Em Alagoas, o CTQ do HGE é referência para casos de queimadura de média e alta complexidade. Situações mais leves devem ser atendidas na unidade de urgência e emergência mais próxima, como as Unidades de Pronto Atendimento (UPA). Quando há necessidade de internação especializada, a transferência é regulada pela Secretaria de Estado da Saúde (Sesau).

Prevenção

Para Anna Lima, a principal recomendação é prevenir os acidentes, evitando o uso de álcool ou outras substâncias inflamáveis para acender fogo e fogueiras. A preocupação é reforçada pelos números. Segundo dados da Sociedade Brasileira de Queimaduras (SBQ), cerca de 10 mil pessoas são atendidas por ano no Brasil em decorrência de acidentes com queimaduras durante o mês de junho.

No HGE, os registros também chamam atenção. Entre janeiro e maio de 2026, a unidade atendeu 127 vítimas de queimaduras, o mesmo número observado no mesmo período de 2025. No ano passado foram 288 admissões por queimadura; em 2024, foram 307.

“Os fogos de artifício, se manuseados de forma incorreta, podem causar queimaduras, além de mutilações nos dedos e lesões graves nos olhos. Além das mãos e dos dedos, as partes do corpo mais atingidas, rosto e olhos, figuram entre as regiões mais afetadas, podendo resultar em sequelas permanentes, incluindo perda parcial ou total da visão”, destacou Anna Lima.

Crianças são as vítimas mais vulneráveis

Estudos brasileiros apontam que crianças menores de cinco anos estão mais expostas ao risco, por causa da curiosidade natural e da dificuldade de reconhecer situações de perigo. Dados do Ministério da Saúde indicam que aproximadamente 400 mil crianças de até cinco anos sofrem queimaduras por ano no Brasil, e 30 mil delas precisam de internação hospitalar.

Como reduzir os riscos

O HGE reconhece a importância cultural do São João no Nordeste. Por isso, além do alerta, a orientação da cirurgiã plástica é adotar cuidados práticos caso a tradição da fogueira ou dos fogos seja mantida.

“Use roupas de algodão, tecidos sintéticos derretem e grudam na pele; mantenha distância segura das chamas e nunca vire as costas para o fogo; tenha sempre por perto baldes com água ou extintores; nunca use álcool, gasolina ou qualquer inflamável para avivar a fogueira; não deixe crianças, idosos ou pessoas embriagadas próximos às chamas sem supervisão; certifique-se de que a fogueira está completamente apagada ao final da festa”, orientou Anna Lima.

A especialista também recomenda que as pessoas nunca manuseiem fogos de artifício sob efeito de álcool; usem apenas produtos com certificação do Inmetro, adquiridos em locais autorizados; sigam corretamente as instruções do fabricante; soltem fogos apenas em áreas abertas, longe de pessoas, fiações elétricas e construções; nunca direcionem fogos para o próprio corpo ou para outras pessoas; não tentem reacender ou reutilizar fogos que falharam; e mantenham crianças e adolescentes afastados e sob supervisão de adultos.

“Além do tratamento imediato, muitos pacientes necessitam de acompanhamento prolongado, procedimentos cirúrgicos, curativos especializados e reabilitação física e emocional. Dependendo da gravidade, as sequelas podem impactar a mobilidade, a autoestima, a convivência social e a qualidade de vida”, alertou Anna Lima, ao reforçar que a prevenção é sempre a melhor opção.