REUNIÃO

Sucateamento e desvalorização leva trabalhadores da CASAL a realizar paralisação

Publicado em 19/06/2026 às 14:05

Em assembleia realizada no dia 16 de junho, os trabalhadores da Companhia de Saneamento de Alagoas – CASAL, decidiram deflagrar uma paralisação de advertência para o dia 26 de junho. O movimento visa chamar a atenção da sociedade e do Governo do Estado para a crise enfrentada pela empresa, denunciar a atual direção da CASAL pelo que classificam como um processo deliberado de desmonte da estatal e de desvalorização da categoria.

A decisão reflete o descontentamento dos trabalhadores diante das negociações do Acordo Coletivo de Trabalho – ACT, de um cenário de precarização das condições de trabalho e da estratégia de alienação de bens da companhia, com destaque para a possível venda do prédio sede, imóvel considerado um patrimônio histórico e afetivo do povo alagoano.

Segundo o Sindicato, a atual direção da CASAL está promovendo um processo de “sucateamento” com o objetivo de desvalorizar a empresa para justificar uma eventual privatização total.

“A missão da CASAL é levar água potável, um direito humano fundamental, à população mais vulnerável, que a lógica do lucro privado costuma ignorar. A entrega do patrimônio da empresa e a falta de investimentos crônicos são etapas de um projeto que coloca em risco a soberania sobre o serviço de abastecimento no estado”, destaca Dafne Orion, presidenta dos Urbanitários.

Além da pauta de resistência contra a privatização, os trabalhadores denunciam a exclusão da categoria em relação a outros setores do funcionalismo público estadual. Segundo o Sindicato, enquanto outros servidores foram contemplados com reajustes e melhorias, os trabalhadores da CASAL enfrentam um “tratamento injusto e humilhante”.

A paralisação também serve como um alerta sobre os impactos da privatização parcial do saneamento já vivenciada em Alagoas. De acordo com o Sindicato, o modelo tem gerado resultados negativos, tais como:

Tarifas abusivas: Aumento no valor das contas de água, impactando o orçamento das famílias de baixa renda.

Qualidade do serviço: Relatos crescentes de falta de abastecimento e descaso operacional.

Insatisfação popular: Frequência de protestos em comunidades diversas, que se sentem desassistidas pelo modelo atual.

A categoria reforça que a água é um “bem comum e não uma mercadoria”. Por meio do movimento, os trabalhadores pedem que o Governo do Estado de Alagoas interrompa o desmonte, promova a valorização profissional e garanta a manutenção da CASAL como uma empresa 100% pública.

“Defender a CASAL é defender a vida, a dignidade e o futuro de Alagoas”, conclui a presidenta Dafne Orion, reforçando que o controle público é a única forma de assegurar que o acesso à água seja pautado pela justiça social, e não exclusivamente pela capacidade de pagamento do cidadão.