Captação de órgãos no HGE pode beneficiar quatro pacientes em Alagoas
Doador de 26 anos teve morte encefálica confirmada após protocolos do CFM; família autorizou a doação de rins, fígado e córnea
O Hospital Geral do Estado (HGE), em Maceió, realizou nesta quarta-feira (17) mais uma coleta de órgãos que poderá beneficiar quatro pessoas que aguardam por transplante para restabelecer a qualidade de vida.
O doador era um homem de 26 anos, vítima de um acidente de trânsito. Ele teve morte encefálica confirmada de acordo com protocolos específicos estabelecidos pelo Conselho Federal de Medicina (CFM). Após a confirmação, a família autorizou a coleta de dois rins, do fígado e de uma córnea.
“Esse gesto permitiu que quatro pessoas recebessem uma nova oportunidade de reescreverem suas vidas. Mas, em Alagoas, ainda temos 617 pessoas aguardando por um órgão ou tecido. São 559 pacientes à espera de uma córnea, 42 precisando de transplante de rim e 16 fazendo um fígado. E por trás de cada número existe um nome, uma família, amigos, sonhos interrompidos e a expectativa diária por uma ligação capaz de mudar tudo”, pontudou o coordenador da Central de Transplantes de Alagoas, Daniela Ramos.
Critérios rígidos
A doação envolve um trabalho minucioso, ético e especializado. Da identificação do potencial doador até a efetivação do transplante, todas as etapas seguem os protocolos definidos pela legislação brasileira. O médico coordenador da Organização de Procura de Órgãos (OPO), Lucas Santa, explicou que a confirmação da morte encefálica só ocorre após uma série de exames e avaliações feitas por médicos habilitados, sem relação com as equipes transplantadoras.
Depois da conclusão do diagnóstico, a família é acolhida e obtém as informações necessárias para compreender o processo e tomar a decisão de forma consciente e respeitosa.
“Quando conseguimos a autorização, iniciamos uma verdadeira força-tarefa. Os nossos profissionais da OPO da Central de Transplantes e a equipe do hospital, nesse caso do HGE, se envolvem para que tudo possa acontecer com segurança, ética e respeito. São médicos, enfermeiros, anestesistas, profissionais da logística e diversos outros trabalhadores da saúde que atuam de forma integrada para garantir que cada etapa seja realizada com agilidade”, informou o médico.
Para os profissionais envolvidos na investigação, o trabalho é marcado pelo respeito à família doadora e pela esperança para quem aguarda um transplante. O diretor médico do HGE, Miquéias Damasceno, afirmou que cada autorização representa a possibilidade concreta de reduzir o sofrimento de pacientes com doenças graves que dependem da doação para continuar vivendo.
"O HGE agradece profundamente à família que, mesmo enfrentando uma perda irreparável, permitiu que a vida florescesse para outras pessoas. A decisão tomada por eles deixa um legado de solidariedade capaz de atravessar gerações e inspirar outras famílias a conversarem sobre a doação de órgãos", enalteceu o gestor.
Como ser um doador de órgãos
No Brasil, conforme estabelece o Ministério da Saúde, qualquer pessoa pode ser doadora de órgãos após a morte. Para que a doação aconteça, porém, é fundamental comunicar esse desejo à família, responsável por autorizar o procedimento após a confirmação da morte encefálica.
"Por isso, reforçamos a importância de conversar sobre o tema em casa. Uma simples declaração de vontade pode fazer toda a diferença caso, infelizmente, surja o momento de tomar essa decisão", declarou um coordenadora da Central de Transplantes de Alagoas.
A doação de órgãos é apresentada como uma forma de transformar uma perda em esperança, devolver qualidade de vida a quem espera por um transplante e permitir que parte da história de uma pessoa continue em outras vidas.