Ceam Jarede Viana fortalece acolhimento a mulheres em situação de violência
Unidade oferece escuta qualificada, apoio psicológico, orientação jurídica e encaminhamentos à rede de proteção
A escuta enviada é o primeiro passo do atendimento no Centro Especializado de Atendimento à Mulher (Ceam) Jarede Viana. O acolhimento começa assim que a mulher chega ao local. Inicialmente, ela passa por uma triagem, quando são coletadas informações para a abertura do prontuário. Depois, é atendido por uma equipe multidisciplinar, formada por cinco psicólogas, um assistente social e uma advogada, que avaliam cada caso e definem os encaminhamentos necessários.
O Ceam atende mulheres vítimas de todos os tipos de violência do gênero. O serviço oferece acompanhamento psicológico, orientação e encaminhamento jurídico, além de acesso à rede socioassistencial e de saúde, quando necessário. Nas situações que não envolvem violência doméstica, a equipe também orienta e encaminha a mulher aos órgãos mais adequados da rede de proteção.
Segundo a coordenadora da unidade, Christiane Omena, muitas mulheres procuram o Ceam em busca de acolhimento especializado e da necessidade de segurança para dar continuidade à denúncia formal e romper o ciclo da violência. “O atendimento psicológico e os esclarecimentos jurídicos ajudam a fortalecer essas mulheres para que elas possam seguir com o processo e seus direitos”, explica.
Para mulheres que vivem uma situação de violência e ainda não sabem como buscar ajuda, a orientação da coordenadora é procurar alguém de confiança e buscar apoio em órgãos especializados, como o próprio Ceam ou a Delegacia da Mulher. "O primeiro passo é não enfrentar essa situação sozinha. Existe uma rede preparada para acolher, orientar e acompanhar essas mulheres durante todo o processo", destaca.
Apoio psicológico
Além do suporte jurídico e social, o atendimento psicológico é uma das principais ferramentas de acolhimento oferecidas pelo Ceam. De acordo com a psicóloga da unidade, Tatyanne Barreto, o trabalho começa pela escuta atenta e sem julgamentos, em um espaço seguro para que a mulher possa falar sobre sua vivência e compreender a situação enfrentada.
Segundo o profissional, muitas mulheres chegam ao serviço emocionalmente fragilizadas e, em alguns casos, sem conseguir identificar a violência sofrida ou visualizar caminhos para romper esse ciclo. Nesse contexto, o acompanhamento psicológico busca promover a compreensão da violência de gênero, fortalecer a autoestima e contribuir para que a mulher recupere autonomia e segurança para tomar decisões sobre sua própria vida.
A psicóloga explica que os impactos emocionais provocados pela violência variam conforme a história de cada mulher, mas quadros de ansiedade, depressão e síndrome do pânico estão entre as mais frequências observadas pela equipe. Por isso, o atendimento do Ceam vai além do acolhimento inicial. As assistências podem contar com acompanhamento psicológico continuado, voltadas ao enfrentamento das consequências emocionais causadas pela violência.
Sobre o trabalho integrado, Tatyanne afirma que a psicologia, a assistência social e o atendimento jurídico atuam de forma interdisciplinar, com compartilhamento de estratégias e encaminhamentos para garantir um atendimento adequado às necessidades de cada caso.
O acesso ao acompanhamento psicológico pode ocorrer por procura espontânea ou por encaminhamento de serviços que integram a rede de enfrentamento à violência contra a mulher. Após o agendamento, a assistência passa pelo acolhimento e inicia o acompanhamento com a equipe especializada do Ceam.
Buscar proteção e seguir em frente
O atendimento jurídico é outro eixo central de atuação do Ceam. Mais do que orientar sobre processos e encaminhamentos, o trabalho da equipe busca garantir que as mulheres compreendam seus direitos e se sintam amparadas durante o enfrentamento à violência.
De acordo com a advogada Beatriz Vasco, a atuação jurídica começa ainda no acolhimento inicial, realizada em conjunto com uma psicóloga e um assistente social. Durante a escuta, o profissional identifica possíveis demandas jurídicas e dúvidas sobre direitos que, muitas vezes, a assistida não sabe que possui. A partir dessa análise, são feitos encaminhamentos para órgãos como a Defensoria Pública, a Delegacia da Mulher e outros serviços da rede de proteção.
Entre as dúvidas mais frequentes estão os desdobramentos após o registro do boletim de ocorrência, o funcionamento das medidas protetivas e o andamento dos processos judiciais. "Muitas mulheres chegam ao Ceam sem saber quais são seus direitos ou quais caminhos precisam percorrer para acessá-los. Existe um cenário de desinformação e, muitas vezes, de recebimento em relação ao sistema de justiça", explica a advogada.
Além dos encaminhamentos formais, o acompanhamento jurídico inclui orientações contínuas sobre audiências, medidas protetivas, processos de pensão alimentícia e outras demandas que surgem ao longo do atendimento. Mesmo depois do acolhimento inicial, muitas mulheres mantêm contato com o Ceam para esclarecer ou buscar novos encaminhamentos, fortalecendo o vínculo com a rede de proteção.
Para Beatriz, compreender os próprios direitos é um passo importante para romper o ciclo da violência. “Quando uma mulher entende que está amparada pelas leis e pelas instituições, ela se sente mais fortalecida para buscar proteção e seguir em frente”, afirma.
A advogada destaca ainda que o atendimento jurídico humanizado é essencial para acolher mulheres que chegam ao serviço em situação de vulnerabilidade. Mais do que explicar procedimentos legais, o objetivo é oferecer informações de forma acessível, respeitosa e acolhedora, garantindo que cada mulher compreenda seus direitos e encontre os caminhos necessários para reconstruir sua autonomia e segurança.
Atuação integrada e outros projetos
O Centro Especializado de Atendimento à Mulher (Ceam) Jarede Viana foi reinaugurado no último dia 10 e passou a contar com uma estrutura mais adequada para o atendimento às mulheres. O espaço dispõe de salas que garantem privacidade durante os atendimentos e de um ambiente infantil, implantadas em parceria com a Secretaria de Estado da Primeira Infância de Alagoas (Secria), destinadas a crianças que acompanham as mães durante o acolhimento.
Além do atendimento direto, o Ceam atua de forma integrada com outros serviços. Os encaminhamentos são realizados por meio de documentos entregues às assistidas e também por articulação institucional com os órgãos da rede de proteção. Essa atuação conjunta garante que as mulheres tenham acesso aos diversos serviços necessários para sua segurança, autonomia e residência de vida.
A prevenção à violência também faz parte do trabalho desenvolvido pela unidade. Entre as ações está o Cine Ceam, projeto que utiliza o cinema como ferramenta de reflexão e sensibilização sobre temas como machismo, misoginia e violência de gênero.
O equipamento também desenvolve o projeto Dia Delas, realizado junto a mulheres privadas de liberdade, com oferta de atendimentos de saúde, exames, vacinação, orientação e serviços voltados ao fortalecimento da autoestima. Já o Dia das Guardiãs Delas é direcionado aos policiais penais que atuam nas unidades femininas, oferecendo atividades de cuidado, saúde e bem-estar.
O Ceam também promove palestras, workshops e atividades educativas sobre a Lei Maria da Penha e o enfrentamento à violência contra as mulheres, fortalecendo a conscientização e a prevenção em diferentes espaços da sociedade.
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Centro Especializado de Atendimento à Mulher (Ceam) Jarede Viana
Endereço: Avenida Gustavo Paiva, nº 3298, Mangabeiras - Maceió/AL
Funcionamento: segunda a sexta-feira, das 9h às 16h
Contato: (82) 3315-1740 | 82 98867-6434
E-mail: [email protected]