Estudo sobre mobilidade de mulheres no Nordeste é destaque internacional
Trabalho premiado em evento realizado na Inglaterra destaca os impactos da motocicleta na equidade, acessibilidade e qualidade de vida de mulheres em áreas rurais
A professora e pesquisadora Jessica Helena da Universidade Federal de Alagoas (Ufal) recebeu reconhecimento internacional durante o evento INTALInC: Transport Inequalities in the Global South [Rede Internacional para Transporte e Acessibilidade em Comunidades de Baixa Renda: Desigualdades de Transporte e Mobilidade no Sul Global], realizado entre os dias 19 e 22 de maio, em Manchester, na Inglaterra. Com apoio de uma bolsa concedida pela Universidade de Manchester, a pesquisadora foi uma das selecionadas em um edital mundial para participar do encontro, o evento reuniu especialistas de diferentes países para debater desigualdades no transporte e mobilidade no Sul Global.
Durante o evento, o trabalho intitulado Transport Mobilities in the Global South: Motorcycle use, Accessibility and equity in Brazil [Mobilidade no Sul Global: Uso da Motocicleta, Acessibilidade e Equidade no Brasil] recebeu menção honrosa concedida pela Volvo Fundação de Pesquisa e Educação (VREF), fundação internacional voltada ao incentivo de pesquisas sobre transporte sustentável e equidade.
Sobre a pesquisa
A pesquisa premiada analisa como o uso da motocicleta influencia o acesso a oportunidades, a mobilidade social e a qualidade de vida de mulheres que vivem em áreas rurais e localidades distantes dos grandes centros urbanos. O estudo integra os resultados da tese de doutorado da pesquisadora e utilizou a teoria da justiça de Ronald Dworkin para compreender em que medida a motocicleta contribui para ampliar ou restringir a equidade social.
Segundo a pesquisadora, o diferencial do trabalho está na abordagem de um tema ainda pouco explorado internacionalmente: “Existem poucas pesquisas sobre mobilidade em áreas rurais e em regiões de baixo acesso, especialmente envolvendo mulheres. Conseguimos reunir grupos diversos, com diferentes perfis etários e sociais, para compreender como a motocicleta transforma a vida dessas pessoas”, destacou.
Segundo Jessica, os resultados apontam um cenário complexo. Por um lado, a motocicleta amplia o acesso ao trabalho, à educação, à renda e a novas oportunidades, especialmente para mulheres que historicamente enfrentam restrições de deslocamento em áreas rurais. Por outro, os dados quantitativos mostram que acidentes graves podem gerar impactos significativos na renda familiar, evidenciando os desafios relacionados à vulnerabilidade desse meio de transporte.
Livro reúne capítulo produzido por pesquisadores da Ufal
Além da premiação, o evento marcou o lançamento do livro Mobilidades de Gênero no Sul Global, publicado no último dia 19 de maio. A obra reúne contribuições de pesquisadores de diferentes países e conta com apenas um capítulo dedicado à realidade brasileira: Mulheres sobre Duas Rodas: Uma Análise de Gênero da Mobilidade por Motocicleta no Brasil.
O capítulo foi escrito pela pesquisadora da Ufal, Jessica Helen em coautoria com as ex-alunas da Universidade, Larissa Campos e Caroline Romão. O trabalho é resultado de mais de quatro anos de pesquisa e foi elaborado a partir de convite dos organizadores da publicação para representar o Brasil em uma obra considerada referência internacional nos estudos sobre gênero e mobilidade.
“O livro foi publicado justamente durante o evento e tive a oportunidade de receber uma das duas cópias disponíveis no local. É um trabalho construído ao longo de muitos anos e que certamente será uma referência importante para pesquisadores da área”, afirmou Jessica.
Representatividade nordestina em cenário internacional
A participação no encontro também representou um importante momento de visibilidade para a produção científica desenvolvida no Nordeste brasileiro. Para a pesquisadora, a experiência reforça a importância da internacionalização da ciência produzida na Universidade.
“Estar presente em um evento desse porte, dialogando com pesquisadores de diversos países e apresentando uma pesquisa desenvolvida no Nordeste, é fundamental para ampliar redes de colaboração e fortalecer a presença da Ufal no cenário internacional”, ressaltou.