EDUCAÇÃO

Correia Titara consolida ensino médio na Região dos Canais

Unidade transferida para a Massagueira atende estudantes de Marechal Deodoro com estrutura ampliada e cursos técnicos

Por Agência Alagoas Publicado em 14/06/2026 às 17:01
Escola Estadual Correia Titara atende estudantes da Massagueira e da Região dos Canais Kaique Pacheco / Ascom Seduc

A transferência da Escola Estadual José da Silva Correia Titara de Maceió para o povoado Massagueira, em Marechal Deodoro, completou seis anos consolidando o acesso ao ensino médio na Região dos Canais, área que também reúne os povoados Barra Nova e Santa Rita.

A nova sede da unidade foi inaugurada em 09 de março de 2020 e atendeu a uma demanda antiga dos moradores da região, além de assegurar a continuidade das atividades da escola, cujo prédio original precisou ser desocupado.

A trajetória da unidade faz parte da história da Educação em Alagoas. Antes instalada no Centro Educacional de Pesquisa Aplicada (Cepa), em Maceió, a escola foi, durante décadas, referência na oferta do Curso Normal, antigo Magistério, formando gerações de educadores.

Com problemas estruturais e geológicos provocados pelas atividades de mineração no bairro do Pinheiro, o antigo prédio foi desocupado, e a escola foi relocada para o município de Marechal Deodoro.

Na época, a Massagueira, conhecida como polo gastronômico e turístico do estado, já concentrava grande população. Apesar disso, os jovens da comunidade não tinham uma escola de ensino médio próxima de casa e precisavam se deslocar até o centro de Marechal Deodoro, em um percurso de 15 km feito em ônibus escolar.

Atualmente vinculada à 1ª Gerência Especial de Educação (GEE), a escola oferece à comunidade 12 salas de aula climatizadas, ginásio poliesportivo, campo society, laboratórios de informática, biologia, física e química, além de auditório e biblioteca.

O impacto real

Os resultados da presença da escola aparecem na vida de estudantes que passaram pela instituição. Steffane Santos cursou o ensino médio no Correia Titara entre 2021 e 2023 e hoje é aluna do 4º período de Matemática na Universidade Federal de Alagoas (UFAL).

Moradora do bairro desde os 11 anos, ela recorda as dificuldades enfrentadas antes da inauguração da nova sede, quando dependia de ônibus escolares para chegar ao Centro de Marechal. Segundo ela, a chegada da escola à comunidade abriu caminhos que antes não conhecia.

“A escola é essencial para o jovem ter a perspectiva de que pode conquistar as coisas. Até então, eu nem sabia o que era uma graduação, uma licenciatura, o Sisu [Sistema de Seleção Unificada] ou o Fies [Fundo de Financiamento Estudantil]. Foram os professores que trouxeram essas informações e nos ajudaram a montar um projeto de vida”, conta a universitária.

O início da trajetória na escola ocorreu em 2021, durante o auge da pandemia da Covid-19, quando as aulas aconteciam em formato híbrido. O uso de máscaras e as limitações do período impediram a turma de aproveitar plenamente os laboratórios. A mudança veio a partir de 2022, com o retorno presencial e o incentivo de professoras como Daffney Lins, de Matemática, Natiely Sampaio e Lucilene Rodrigues. A vontade de lecionar surgiu nesse período, quando Steffane participou do conselho escolar e conheceu os bastidores da Educação.

“A escola era a nossa segunda casa, a gente virou uma família de verdade. Se não fossem aqueles professores, talvez eu não estivesse na Ufal hoje. Carrego o Titara no coração como um lugar de transformação real”, destaca Steffane.

Estratégias práticas

A escola é atualmente comandada pela gestora geral Lucilene Rodrigues da Silva e atende 514 alunos matriculados nos três turnos. O ensino médio integral é o principal formato da unidade, com jornada de 9 horas diárias para 405 estudantes.

Nessa modalidade, os alunos concluem a formação regular junto com a formação técnica em Contabilidade, Administração ou Informática. No turno da noite, a unidade atende outros 109 estudantes na EJA Modular.

Para reduzir a desistência escolar, a equipe adotou duas estratégias de acompanhamento. A primeira é o Monitoramento de Permanência 48h. Pelo sistema, se um aluno do Integral ou da Educação de Jovens e Adultos (EJA) falta dois dias seguidos sem justificativa, o professor mentor ou mediador entra em contato imediatamente com os pais ou com o próprio estudante. A ação ajudou a reverter um grande volume de abandonos ao longo do semestre.

A segunda iniciativa é o Acolhimento Noturno na EJA. Como a maioria dos 109 alunos da noite trabalha, a escola adotou recepção humanizada e flexibilidade controlada na pauta, o que estabilizou a frequência de trabalhadores que antes deixavam os estudos por causa de atrasos no emprego ou no transporte.

Para a gestora adjunta, Chrisnia Costa, que começou sua trajetória na unidade como professora, acompanhar a multiplicação dessas histórias fortalece o trabalho pedagógico. “Nosso maior orgulho é o profundo senso de pertencimento e o desenvolvimento que floresceu depois de tempos tão duros. Ver hoje a escola viva, pulsando, com os alunos ocupando e cuidando do espaço como se fosse a extensão de suas casas, é emocionante”, ressalta.

A gerente da 1ª GEE, Márcia Malafaia, afirma que a consolidação da estrutura ultrapassa os números de matrículas e se reflete no bem-estar social da região. “A mudança das instalações trouxe inúmeros benefícios, sobretudo para a comunidade estudantil de Marechal Deodoro. Além da Massagueira e Região dos Canais, a escola atende aos povoados como Jiboia e Riacho Velho. Com estrutura moderna, proporciona aos estudantes conforto e condições adequadas para o processo de ensino-aprendizagem”, conclui Márcia.