SAÚDE

HEA aponta alta nos atendimentos a vítimas de acidentes com motocicletas

Unidade em Arapiraca registrou 42.010 atendimentos por acidentes de transporte entre 2023 e 2025; 25.930 envolveram motos

Por Agência Alagoas Publicado em 12/06/2026 às 15:41
HEA registrou aumento nos atendimentos a vítimas de acidentes com motocicletas em Arapiraca Tony Medeiros / Ascom HEA

O Hospital de Emergência do Agreste (HEA), em Arapiraca, registrou aumento no número de atendimentos a vítimas de acidentes com motocicletas nos últimos três anos. Os dados constam em boletim divulgado nesta sexta-feira (12) pelo Serviço de Epidemiologia Hospitalar da unidade.

A média diária de vítimas passou de 21,6, em 2023, para 25,8 em 2025, indicando tendência de crescimento e reforçando a necessidade de medidas preventivas.

Referência em urgência e emergência para a II Macrorregião de Saúde de Alagoas, que reúne 46 municípios do Agreste, Sertão e Baixo São Francisco, o HEA contabilizou 42.010 atendimentos a vítimas de acidentes de transporte entre 2023 e 2025. Desse total, 25.930 foram relacionados a motocicletas.

No mesmo período, o Serviço de Epidemiologia Hospitalar registrou 19.658 notificações de Doenças e Agravos de Notificação Compulsória (DNC). As informações são encaminhadas à Secretaria de Estado da Saúde (Sesau) e ao Ministério da Saúde, servindo como base para o planejamento de políticas públicas voltadas à prevenção de doenças e à redução de acidentes.

Segundo a assistente social e coordenadora do serviço, Ana Lúcia Alves, o boletim busca dar transparência aos dados e apoiar ações dos gestores. “O boletim mostra o trabalho desenvolvido pelo serviço e disponibiliza dados que ajudam os municípios a planejar ações e políticas públicas voltadas à melhoria desses indicadores”, explicou.

Animais peçonhentos e violência

Entre os agravos com maior número de notificações estão os acidentes por animais peçonhentos, que somaram 6.670 registros no período analisado. Os escorpiões aparecem como os principais responsáveis pelos atendimentos, com média de cinco casos por dia.

O boletim também apresenta dados sobre violência interpessoal e autoprovocada, que totalizaram 4.999 notificações entre 2023 e 2025. Quase metade dessas ocorrências está relacionada a tentativas de suicídio.

As intoxicações exógenas somaram 3.666 notificações. Em 66% dos casos, medicamentos foram identificados como agente tóxico, com indícios de associação a tentativas de suicídio.

Alerta para prevenção

Para Ana Lúcia Alves, os números mostram a necessidade de atenção permanente dos gestores públicos, especialmente em áreas como saúde mental, acidentes com animais peçonhentos e agressões por animais domésticos.

“Quando essas informações são disponibilizadas, os municípios podem acompanhar os indicadores, realizar análises e desenvolver ações de prevenção voltadas para cada realidade. O objetivo é reduzir esses agravos e melhorar a qualidade de vida da população”, destacou.

As agressões por cães e gatos resultaram em 3.872 atendimentos antirrábicos entre 2023 e 2025, com crescimento no último ano analisado.

Os acidentes de trabalho graves somaram 311 notificações, enquanto os casos de exposição a material biológico totalizaram seis registros. De acordo com a equipe técnica, esses números podem ser maiores por causa da subnotificação, principalmente em atividades informais.

O boletim ainda aponta outras doenças de notificação compulsória, como tuberculose, com 14 casos confirmados, e dengue, com 12 registros no período analisado.

Com média anual de aproximadamente 6.600 notificações, o trabalho do Serviço de Epidemiologia Hospitalar permite acompanhar os principais agravos atendidos na unidade e orientar ações estratégicas na área da saúde.

Ana Lúcia Alves reforçou que, além da notificação e investigação dos casos, o serviço realiza monitoramento contínuo e controle de possíveis surtos no ambiente hospitalar. “As informações também ficam disponíveis para consulta pelos municípios por meio do Sistema de Informação de Agravos de Notificação (Sinan), que auxilia no acompanhamento da situação epidemiológica e no planejamento das ações de saúde”, concluiu.