PREVENÇÃO

HGE reforça cuidados contra queimaduras no período junino

Cirurgiã plástica Anna Lima orienta famílias sobre riscos com alimentos quentes, fogos, fogueiras e substâncias inflamáveis

Por Agência Alagoas Publicado em 11/06/2026 às 16:00
CTQ do HGE atende vítimas de queimaduras em Alagoas Thallysson Alves / Ascom HGE

Com a aproximação das festas juninas e dos jogos da Copa do Mundo de Futebol, aumenta o risco de acidentes com queimaduras. O alerta é da cirurgiã plástica Anna Lima, coordenadora da Unidade de Tratamento de Queimados (CTQ) do Hospital Geral do Estado (HGE).

Segundo a especialista, a atenção deve ser redobrada principalmente durante o preparo de alimentos típicos e em ambientes com crianças. Entre as medidas preventivas estão cuidados simples no dia a dia e durante as celebrações.

“Mantenha as panelas com os cabos voltados para o interior do fogão; evite toalhas compridas sobre mesas onde haja recipientes quentes; não carregue crianças enquanto manipula líquidos ferventes; mantenha fósforos, isqueiros e fogos de artifício fora do alcance dos menores; evite as fogueiras; não utilize álcool ou substâncias inflamáveis para acender fogo; e mantenha constante o supervisionamento de crianças durante celebrações juninas”, orienta Anna Lima.

Em caso de queimadura, a recomendação é colocar a área atingida em água corrente limpa, em temperatura ambiente, por alguns minutos. A médica alerta que não devem ser usados produtos caseiros, como manteiga, pasta de dente, pó de café, teia de aranha, óleo ou pomadas sem orientação profissional.

“Em seguida, o paciente deve ser encaminhado para avaliação médica, na unidade de urgência e emergência mais próxima, principalmente quando houver queimaduras extensas, profundas ou em regiões sensíveis, como rosto, mãos, pés e genitais. Mediante avaliação e, em caso de necessidade, o paciente será transferido para o CTQ do HGE”, explica a cirurgiã plástica.

O serviço

O CTQ do HGE tem papel fundamental no atendimento às vítimas de queimaduras em Alagoas. A unidade conta com profissionais especializados e estrutura voltada ao tratamento de pacientes com lesões de diferentes graus de complexidade.

“Além do tratamento imediato, muitos pacientes necessitam de acompanhamento prolongado, procedimentos cirúrgicos, curativos especializados e reabilitação física e emocional. Dependendo da gravidade, as sequelas podem impactar a mobilidade, a autoestima, a convivência social e a qualidade de vida”, acrescenta Anna Lima.

Exemplo

Um momento em família terminou em preocupação para a empreendedora Maria Eduarda Sátiro Venancio, de 24 anos. A filha dela, Maria Eleonora da Silva Sátiro, de apenas um ano, sofreu queimaduras após derrubar uma xícara com água quente que estava sobre a mesa de jantar. Depois do acidente, a família precisou sair de Atalaia para Maceió, onde funciona o CTQ do HGE.

“A minha sobrinha estava fazendo um cappuccino e deixou a xícara com água quente em cima da mesa. E Eleonora, como está na fase de começar a andar, foi em direção à xícara. A gente até tentou intervir, mas não conseguimos. Ela se queimou, tirei a blusa e fui diretamente para o ventilador, mas, como vi a pele descamando, fomos logo para o hospital da minha cidade”, relata Maria Eduarda, que é casada e tem outra filha de quatro anos.

Maria Eleonora teve queimaduras de segundo grau na face, no tronco e no braço esquerdo. Ela foi transferida para o HGE, onde recebeu atendimento especializado de uma equipe multidisciplinar no CTQ, única unidade em Alagoas referência para esse tipo de trauma. A criança ficou internada por oito dias, recebeu alta hospitalar e agora retorna à maior unidade de urgência e emergência de Alagoas apenas para troca de curativos.

“Eu não sabia que o HGE tinha essa unidade, vim conhecer agora. Achei maravilhoso o atendimento, a atenção, todo o cuidado dos profissionais. O tratamento tem sido espetacular! E agora, depois desse susto, fica o aprendizado, a importância de conscientizar outras pessoas sobre a prevenção de queimaduras, de redobrar a atenção com as crianças, pois elas nos cegam”, afirma a mãe.

Dados

O caso de Maria Eleonora reflete uma realidade acompanhada diariamente pelas equipes de saúde. Entre janeiro e maio deste ano, o HGE registrou 127 atendimentos a vítimas de queimaduras, o mesmo número observado no mesmo período de 2025. Ao longo de 2025, 288 pessoas foram admitidas com ferimentos causados por queimadura; em 2024, foram 307.

“Estudos brasileiros apontam que as queimaduras causadas por líquidos quentes estão entre os principais tipos de acidentes envolvendo crianças pequenas. A maior parte ocorre dentro de casa, especialmente durante o preparo ou consumo de alimentos e bebidas quentes. Pesquisas mostram ainda que crianças menores de cinco anos são as mais vulneráveis, devido à curiosidade natural e à dificuldade de reconhecer situações de perigo”, destaca Anna Lima.