Alagoas intensifica ofensiva contra o crime organizado com inteligência, operações integradas e prisões estratégicas
Estado causa prejuízo de R$ 1,2 milhão às facções nas divisas, prende 21 pessoas no primeiro ciclo do programa federal e captura influenciador recrutado pelo Comando Vermelho para atuar na política
Em uma das ofensivas mais abrangentes dos últimos anos contra o crime organizado em Alagoas, a Secretaria de Estado da Segurança Pública (SSP/AL) avança em múltiplas frentes simultâneas: blindagem das fronteiras terrestres e litorâneas, desarticulação de redes do tráfico e neutralização da expansão das facções criminosas. O conjunto de ações está alinhado ao programa federal Brasil Contra o Crime Organizado e, em Alagoas, é coordenado pela Chefia Geral de Inteligência Integrada da SSP, com base no Plano Estratégico de Ações Integradas (PEAI).
Os resultados já são mensuráveis. No primeiro ciclo avaliado, entre 11 de maio e 5 de junho de 2026, as operações nas divisas alagoanas causaram R$ 1,2 milhão em prejuízo direto às organizações criminosas, conforme contabilização do Centro Integrado de Operações de Fronteira (CGFRON), da Secretaria Nacional de Segurança Pública (Senasp). No plano nacional, o programa já acumula impacto financeiro superior a R$ 279 milhões.
"Alagoas está na vanguarda desse programa nacional. Temos inteligência funcionando, forças integradas e resultado concreto. Isso não é esforço pontual, é uma política de Estado", afirmou o secretário Flávio Saraiva.

Operação Protetor das Divisas: o cerco terrestre
A principal barreira terrestre do estado é a Operação Protetor das Divisas, com vigência prevista até o final de 2027 dentro do PEAI. O foco geográfico cobre os principais pontos de entrada e saída interestaduais: Maragogi, na divisa norte com Pernambuco; Penedo, Piaçabuçu e Porto Real do Colégio, pela margem do Rio São Francisco, na fronteira com Sergipe; Delmiro Gouveia, Olho d'Água do Casado e Piranhas, na tríplice divisa do Sertão; e São José da Lage, corredor rodoviário estratégico de ligação ao interior pernambucano.
No pico operacional, concentrado em maio e junho, a Polícia Militar escalou 140 postos de serviço para o patrulhamento das divisas. A Polícia Civil emprega efetivo da DRACCO para ações de polícia judiciária. O resultado no período foi de 14 prisões em flagrante e cumprimento de sete mandados de prisão, com 21 presos no total.

As apreensões confirmam a efetividade do cerco: 23,70 kg de drogas interceptadas, incluindo maconha prensada, crack e cocaína, oito armas de fogo de diferentes calibres e dezenas de munições retiradas de circulação. Veículos e caminhões com compartimentos adaptados para o transporte de ilícitos foram retidos, e os suspeitos conduzidos aos Centros Integrados de Segurança Pública (CISPs).
“Alagoas tem construído, ao longo dos últimos anos, uma segurança pública que age com planejamento, inteligência e integração. Os resultados que estamos apresentados são fruto de um trabalho árduo das nossas forças policiais, que enfrentam o crime organizado sem recuar. O estado que um dia foi símbolo de violência hoje é referência nacional em como se faz segurança pública de verdade”, destacou o governador Paulo Dantas, enaltecendo os resultados alcançados por Alagoas.
Operação Faro e Fronteira Marítima: especialização do combate
Duas frentes complementares ampliam o escopo da ofensiva. A Operação Faro reúne 66 operadores do canil especializado da Polícia Militar (CME-Canil) e da Diretoria de Inteligência (DINT). Com entrada em campo a partir de junho, a operação emprega cães farejadores treinados para detecção de drogas e armamentos ocultos em fundos falsos de caminhões e ônibus intermunicipais.

A Operação Fronteira Marítima, também em fase de entrada operacional, direciona efetivo da Polícia Civil e Militar para o policiamento ostensivo e velado de portos, estuários e praias de alta relevância estratégica. São Miguel dos Milagres, Coruripe e Porto de Pedras integram o mapa de atuação com cumprimento de mandados e ações de inteligência no litoral alagoano.
O banco de dados do combate ao crime: o que os números revelam
Desde 2022, quando assumiu a pasta da Segurança Pública, o secretário Flávio Saraiva determinou que fosse criada uma força tarefa da secretaria para dar cumprimento aos mandados de prisão que estavam represados no estado. De maio daquele ano até junho deste ano, Alagoas registrou 4.469 prisões em 347 municípios, distribuídas em 28 estados. A tipificação dominante é homicídio, com 1.533 casos, seguida por crimes relacionados ao crime organizado (683), tráfico de drogas (454) e roubo (423).
Em 2026, foram 653 prisões até agora, distribuídas em 120 municípios e 14 estados. Só em junho, 20 prisões já foram registradas. A tipificação de junho revela prioridade no combate ao crime organizado: 10 das 20 prisões tiveram classificação ORCRIM, seguidas de estupro de vulnerável (4), tráfico (3), homicídio (2) e roubo (1).

A série histórica de prisões por trimestre mostra trajetória de crescimento consistente entre 2022 e 2025, com pico de 389 prisões no primeiro trimestre de 2026, o maior registrado. O segundo trimestre, ainda em curso, já acumula 264.
A infiltração interrompida: a prisão do influenciador PTK
O combate ao crime organizado em Alagoas foi além das divisas. Em três de junho, a Operação Morro do Alemão, conduzida pela DRACCO com suporte da Chefia Geral de Inteligência Integrada, desarticulou uma estratégia do Comando Vermelho para conquistar representação política institucional no estado.
O principal alvo da ação foi o influenciador digital Patrick de Almeida Silva, o PTK, apontado pelas investigações como o nome escolhido por Nem Catenga, líder do CV em Alagoas, para representar os interesses da organização na Câmara Municipal de Maceió. A investigação reuniu áudios, imagens, vídeos, relatórios de inteligência e outros elementos que indicam viagens de PTK ao Rio de Janeiro para reuniões diretas com a liderança da facção.

A operação cumpriu mandados em Maceió, Marechal Deodoro e Armação dos Búzios (RJ), prendendo nove pessoas. Com PTK, foram apreendidos R$ 20 mil em espécie, dois celulares de alto valor, joias e dispositivos de armazenamento digital. A análise financeira, em aprofundamento, investiga incompatibilidade entre o padrão de vida exibido pelo influenciador nas redes sociais e a renda formal identificada.
O secretário Flávio Saraiva definiu a operação como demonstração do modelo integrado que Alagoas construiu para enfrentar o crime organizado em todas as suas dimensões:
"A Segurança Pública do Estado de Alagoas dá mais uma lição de como fazer a atividade de polícia de forma integrada com os poderes públicos - Poder Judiciário e Ministério Público -, retirando de circulação elementos do Comando Vermelho. A Inteligência da Segurança Pública vem acompanhando passo a passo todos esses elementos vinculados à organização criminosa. Não permitiremos isso. Alagoas é um estado de terra ordeira e vagabundo aqui não se cria."

A operação mobilizou policiais militares da Rotam, Bope, Choque, BPRv, BPTran, BPA e 1º Batalhão, além de agentes da Dracco, Core, Tigre e Seção de Capturas pela Polícia Civil. O apoio veio ainda do Departamento Estadual de Aviação (DEA) e da Polícia Civil do Rio de Janeiro, no âmbito do Projeto Captura, força-tarefa coordenada pelo Ministério da Justiça através da Diopi/Senasp.
Alagoas no mapa federal
A participação alagoana no programa Brasil Contra o Crime Organizado posiciona o estado como um dos atores ativos da resposta nacional ao avanço das facções. Com investimentos que superam R$ 2 milhões em operações integradas, inteligência de fronteira e aparato especializado. Do canil ao patrulhamento marítimo, a SSP/AL demonstra que o enfrentamento ao crime organizado em Alagoas não é episódico, é estratégico, contínuo e documentado.
As operações Faro e Fronteira Marítima ainda estão em fase inicial. Os números tendem a crescer.