OPERAÇÕES

Operação Morro do Alemão prende influenciador por envolvimento com o Comando Vermelho

Detalhes da ação foram repassados em entrevista coletiva nesta quarta-feira Pei Fon

Publicado em 03/06/2026 às 16:41
Detalhes da ação foram repassados em entrevista coletiva nesta quarta-feira Ascom SSP-AL

A Secretaria de Estado da Segurança Pública de Alagoas (SSP/AL) divulgou detalhes da Operação Morro do Alemão, que prendeu 9 pessoas, entre elas um influenciador digital, durante coletiva no final da manhã desta quarta-feira (3). A ação é resultado de investigação conduzida pela Diretoria de Repressão à Corrupção e ao Crime Organizado (Dracco), que identificou uma estratégia do Comando Vermelho para inserir representantes da facção no cenário político alagoano.

A operação cumpriu mandados em Maceió, Marechal Deodoro e na cidade de Armação dos Búzios, no Rio de Janeiro. Um dos criminosos reagiu à abordagem policial, foi baleado, mas não resistiu aos ferimentos. Os mandados foram expedidos pela 17ª Vara Criminal da Capital, especializada em organizações criminosas.

O principal alvo da ação é o influenciador digital Patrick de Almeida Silva, mais conhecido como PTK, apontado pela investigação como o escolhido pelo traficante Nem Catenga - líder do CV em Alagoas - para representar os interesses da organização criminosa junto ao poder público.

O secretário da Segurança Pública, Flávio Saraiva, destacou o caráter integrado da operação e o papel da inteligência no monitoramento sistemático de alvos vinculados ao crime organizado.

"A Segurança Pública do Estado de Alagoas dá mais uma lição de como fazer a atividade de polícia de forma integrada com os poderes públicos - Poder Judiciário e Ministério Público -, retirando de circulação elementos do Comando Vermelho. Tivemos nove prisões, incluindo um cidadão que havia se lançado pré-candidato nas eleições deste ano. A Inteligência da Segurança Pública vem acompanhando passo a passo todos esses elementos vinculados à organização criminosa. Não permitiremos isso. Alagoas é um estado de terra ordeira e vagabundo aqui não se cria", afirmou.

Candidato indicado pela facção

De acordo com as investigações, PTK teria sido incentivado a disputar uma vaga na Câmara Municipal de Maceió nas eleições de 2024 e, posteriormente, passou a se apresentar como pré-candidato a deputado federal. A polícia afirma que o influenciador chegou a viajar ao Rio de Janeiro para reuniões com Nem Catenga e, ao retornar ao estado, intensificou a atuação política.

O delegado Igor Diego, que participou da coletiva na sede da SSP, afirmou que a investigação reuniu áudios, imagens, vídeos, relatórios de inteligência e outros elementos probatórios que indicariam a aproximação entre o influenciador e integrantes da facção.

"Grupos criminosos buscam criar lideranças políticas próprias para representar seus interesses junto ao poder público e fortalecer sua presença em comunidades dominadas pelo tráfico. A atuação dessas lideranças pode dificultar a entrada de outros candidatos em áreas controladas pela facção, além de reforçar a influência dos criminosos sobre moradores dessas localidades”, detalhou.

Violência registrada e monitorada


Durante a coletiva, a SSP/AL exibiu vídeos obtidos ao longo da investigação que mostram situações de violência praticadas por integrantes do grupo em áreas sob domínio da facção, incluindo episódios de punições internas - conhecidas no ambiente criminal como “disciplinas”. Elas eram aplicadas contra pessoas acusadas de descumprir regras impostas pela organização.

Conforme a investigação, esses registros eram enviados para lideranças da organização no Rio de Janeiro, responsáveis por monitorar e acompanhar a atuação dos integrantes em Alagoas. A polícia informou ainda que possui materiais considerados mais sensíveis, não divulgados publicamente para não comprometer o andamento das investigações.

Incompatibilidade patrimonial


Outro ponto destacado na coletiva foi a situação financeira de PTK. O delegado Gustavo Henrique afirmou que há indícios de incompatibilidade entre o padrão de vida exibido pelo influenciador nas redes sociais e a renda formal identificada até o momento.

"A análise financeira do investigado será aprofundada nas próximas fases da operação. Entre os pontos que serão apurados estão a origem dos recursos utilizados para manutenção de seus negócios e eventual financiamento de atividades políticas", revelou o delegado.

Durante a operação, foram apreendidos com o influenciador R$ 20 mil em espécie, dois aparelhos celulares de alto valor comercial, joias e dispositivos de armazenamento digital. Serão investigadas ainda atividades empresariais ligadas ao influenciador nos setores de vestuário e comercialização de celulares.

Novas fases previstas


A análise do material apreendido deverá revelar novos elementos relacionados à estrutura financeira, política e operacional da organização criminosa.

As investigações, que revelaram ainda a intenção da cúpula do CV em expandir a atuação no território alagoano, contaram com o apoio do Batalhão de Rotam e teve suporte da Chefia Geral de Inteligência Integrada da SSP.

A operação mobilizou policiais militares da Rotam, Bope, Choque, BPRv, BPTran, BPA e 1º Batalhão. Já pela Polícia Civil participaram agentes da Dracco, Core, Tigre e Seção de Capturas. A ação também contou com o apoio do Departamento Estadual de Aviação (DEA) e da Polícia Civil do Rio de Janeiro, por meio da SSINTE/Sepol. 

A operação policial no Rio de Janeiro está inserida no âmbito do Projeto Captura, força-tarefa coordenada pelo Ministério da Justiça, por meio da Diopi/Senasp, para a prisão de criminosos foragidos no estado fluminense.