POLÍTICA

Renan cobra investigação sobre ligação de JHC com Banco Master e questiona aporte de R$ 117 milhões do Iprev

Senador afirmou, em Arapiraca, que operação envolvendo recursos de aposentados e pensionistas de Maceió precisa ser investigada e disse que prejuízo “já está irreversivelmente feito”

Publicado em 16/05/2026 às 09:52
Senador Renan ao lado do prefeito Luciano Barbosa durante entrevista à imprensa no gabinete da Prefeitura de Arapiraca, no ato de lançamento da obra do novo CEASA, quando comentou o caso envolvendo o aporte de R$ 117 milhões do Iprev de Maceió


O senador Renan Calheiros voltou a elevar o tom das críticas em relação ao caso envolvendo aplicações financeiras do Instituto de Previdência dos Servidores de Maceió (Iprev) no Banco Master. Durante entrevista concedida à imprensa no gabinete da Prefeitura de Arapiraca, ao lado do prefeito Luciano Barbosa, por ocasião do lançamento da obra do novo CEASA do município, Renan cobrou investigação sobre a ligação do ex-prefeito JHC com o caso e questionou o aporte de R$ 117 milhões realizado pelo Iprev em letras financeiras da instituição bancária.

Presidente da Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado, Renan afirmou que as informações mais recentes apontam para um avanço das investigações sobre o caso e citou a atuação da Polícia Federal.

“Esse assunto teria que ser investigado. E as informações da semana é que a Polícia Federal pediu autorização ao Judiciário para investigar”, declarou o senador durante a entrevista.

Na avaliação de Renan, o episódio envolvendo Maceió seria o caso mais grave entre os investimentos realizados no Banco Master por entes públicos, justamente por envolver recursos previdenciários destinados a aposentados e pensionistas da capital alagoana.

“Esse caso é o mais grave, porque foram R$ 117 milhões dos aposentados e pensionistas que foram aportados em letras financeiras do Master”, afirmou.

O senador também chamou atenção para o fato de os recursos aplicados não possuírem cobertura do Fundo Garantidor de Créditos (FGC), o que, segundo ele, amplia a preocupação em torno da operação financeira.

“São R$ 117 milhões perdidos, porque esses recursos não têm a garantia do FGC”, disse.

Durante a declaração, Renan direcionou questionamentos diretamente à gestão do então prefeito JHC e cobrou explicações sobre a decisão administrativa que autorizou a aplicação dos recursos do instituto previdenciário municipal.

“Então o prefeito precisa dar essas explicações, por que é que naquele momento, quando todo mundo sabia que o banco iria quebrar, ele aportou esse dinheiro do Iprev, que é o Fundo de Previdência da Prefeitura de Maceió”, afirmou.

O presidente da CAE ainda comparou o volume do investimento realizado em Maceió com operações semelhantes em outros estados brasileiros, afirmando que, proporcionalmente, o caso da capital alagoana seria o maior do país.

“Foi o maior investimento proporcionalmente de todo o país. Esses R$ 117 milhões é maior proporcionalmente do que o R$ 1 bilhão do estado do Rio de Janeiro e maior também do que os R$ 400 milhões do estado do Amapá”, declarou.

As declarações foram dadas em meio ao ato de lançamento das obras do CEASA de Arapiraca, evento que reuniu lideranças políticas e representantes da imprensa no gabinete da Prefeitura Municipal.

A fala do senador amplia a pressão política em torno do caso Banco Master e reforça o debate sobre a gestão dos recursos previdenciários do município de Maceió. O episódio vem ganhando repercussão nacional e sendo acompanhado por órgãos de investigação e setores políticos devido ao impacto potencial sobre os recursos destinados ao pagamento de aposentadorias e pensões dos servidores municipais.

Ao concluir a entrevista, Renan afirmou que a sociedade espera esclarecimentos sobre o caso e voltou a mencionar a dimensão do prejuízo.

“Então a sociedade quer saber por que isso aconteceu, porque o prejuízo já está irreversivelmente feito”, concluiu.