POLÍTICA

Escândalo gigante do Banco Master entra na pauta de ato político com Guilherme Boulos em Maceió; vídeo

Durante plenária pelo fim da jornada 6x1, ministro defendeu soberania nacional, valorização dos trabalhadores e afirmou que o caso Banco Master revela falta de transparência e necessidade de maior controle sobre o sistema financeiro no país

Por Redação com Land Quintela e Keliane Nascimento Publicado em 15/05/2026 às 08:36
Ministro Guilherme Boulos em plenária do Sinteal em Maceió

A plenária pelo fim da jornada 6x1, realizada na noite desta quinta-feira (14), no Espaço Cultural do Sinteal, em Maceió, reuniu trabalhadores, representantes sindicais, movimentos sociais e lideranças políticas em defesa da redução da jornada de trabalho, da ampliação de direitos sociais e da valorização da classe trabalhadora. Mas o encontro também ganhou forte tom político nacional com a presença do ministro Guilherme Boulos, que falou à Tribuna do Sertão sobre soberania nacional e fez duras críticas ao caso Banco Master, escândalo que passou a ocupar o centro do debate político no Brasil e em Alagoas.


Entre as lideranças presentes estavam o deputado federal Paulão, a vereadora Teca Nelma e o vereador Charles Hebert, que defenderam a mobilização popular em torno do fim da escala 6x1 e a necessidade de garantir melhores condições de vida aos trabalhadores brasileiros.
A pauta trabalhista, no entanto, dividiu espaço com um tema que ganhou repercussão nacional nos últimos dias: as suspeitas envolvendo o Banco Master e os desdobramentos políticos do caso. Em Alagoas, o assunto tem impacto direto por causa da aplicação de R$ 117 milhões do Instituto de Previdência dos Servidores de Maceió, o Iprev, no banco, operação que vem sendo alvo de questionamentos, cobranças públicas e pedidos de investigação.


Em entrevista à Tribuna, Boulos afirmou que o caso revela problemas estruturais do sistema financeiro brasileiro. Para o ministro, o episódio expõe a necessidade de maior fiscalização, transparência e controle social sobre a atuação dos bancos no país.


“Revela que nós temos uma farra dos bancos até hoje no Brasil. Banco praticamente pode tudo. Isso é os juros de agiotagem que a gente já tem. E um banco dá um golpe desses. Não foi um único caso, não foi um caso isolado”, declarou.


Boulos também criticou a concentração bancária no país. Segundo ele, o sistema financeiro brasileiro é marcado por baixa concorrência e pouca transparência, o que, em sua avaliação, permite a ocorrência de operações de alto risco com graves consequências econômicas e sociais.
“Nós temos muito problema no sistema financeiro, no sistema bancário no Brasil, que é cartelizado, que é meia dúzia de bancos que controlam o conjunto do sistema, com pouquíssima concorrência, com pouquíssima transparência. É preciso ter mais regras de transparência e controle social da atuação do sistema financeiro e dos bancos no país”, afirmou.


O ministro também comentou a repercussão nacional envolvendo o senador Flávio Bolsonaro, pré-candidato à Presidência da República, citado em reportagens sobre conversas atribuídas a ele com o banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. O episódio provocou reações no Congresso e intensificou a pressão de setores governistas pela instalação de uma CPI para apurar o caso. Reportagens nacionais informaram que Flávio Bolsonaro confirmou a existência de tratativas para patrocínio privado a um filme sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro, mas negou irregularidades ou contrapartidas políticas.


Ao tratar do assunto, Boulos afirmou que o episódio precisa ser investigado com rigor, especialmente diante da dimensão financeira e política do escândalo.
“Acho que revela também, nesse caso, principalmente por áudio, o envolvimento de um senador da República que quer ser candidato a presidente do Brasil, pedindo para um banqueiro que já estava mascarado 130 milhões de reais”, disse o ministro, em referência ao caso que ganhou repercussão nacional.


A fala de Boulos ocorre em meio ao avanço do debate sobre o Banco Master no Congresso e na imprensa nacional. Segundo a Agência Brasil, Daniel Vorcaro está preso sob suspeita de liderar organização criminosa envolvida em fraudes financeiras por meio do Banco Master, instituição cuja liquidação foi decretada pelo Banco Central após a constatação da incapacidade de honrar depósitos e aplicações de clientes.

Maceió no centro do debate


Em Alagoas, o caso tem uma dimensão particular. Maceió aparece no centro das cobranças políticas por causa da aplicação milionária de recursos previdenciários do Iprev no Banco Master. O tema vem sendo explorado por parlamentares e lideranças políticas como exemplo da necessidade de maior controle sobre recursos públicos, especialmente quando envolvem fundos de aposentados e pensionistas.
A presença de Boulos em Maceió ampliou a nacionalização do debate. Ao relacionar o escândalo à falta de transparência no sistema financeiro, o ministro reforçou a tese de que o episódio não deve ser tratado apenas como uma operação bancária isolada, mas como parte de uma engrenagem que envolve bancos, agentes públicos, interesses privados e recursos sensíveis da população.
O caso também passou a ser lido politicamente como uma pauta de forte impacto eleitoral, principalmente diante da proximidade da disputa presidencial de 2026 e da tentativa de diferentes campos políticos de associar adversários ao escândalo.

Soberania nacional e defesa do trabalhador


Durante a entrevista, Boulos também relacionou o debate sobre soberania nacional à proteção das riquezas brasileiras e ao futuro dos trabalhadores. Segundo ele, defender a soberania significa impedir que recursos estratégicos do país sejam entregues a interesses estrangeiros.
“Soberania nacional, não só para o trabalhador de Alagoas, mas para o trabalhador brasileiro, significa ter um país respeitado no mundo, um presidente que não negocia o nosso futuro”, afirmou.
O ministro criticou o que chamou de tentativa da extrema-direita e do bolsonarismo de negociar riquezas brasileiras, citando minerais críticos e terras raras como patrimônio estratégico do país.
“Defender a soberania é defender as riquezas do Brasil para os brasileiros. É defender que os nossos filhos possam ter futuro e usufruir do nosso país em progresso”, completou.

Jornada 6x1


A plenária também reforçou a mobilização pelo fim da escala 6x1, modelo em que o trabalhador atua seis dias e folga apenas um. O tema vem sendo discutido no Congresso Nacional e ganhou força com o apoio de setores do governo federal, centrais sindicais e movimentos sociais.
Na Câmara dos Deputados, Boulos defendeu recentemente a aplicação imediata do fim da escala 6x1 e da redução da jornada para 40 horas semanais caso a proposta seja aprovada pelo Congresso, sem período de transição que adie a implementação da medida.
Em Maceió, lideranças sindicais e parlamentares defenderam que a redução da jornada representa mais qualidade de vida, mais tempo para a família e melhores condições físicas e psicológicas para os trabalhadores.
O encontro no Sinteal, portanto, uniu duas frentes de debate: a luta por direitos trabalhistas e a cobrança por mais controle sobre o sistema financeiro. No centro das discussões, o caso Banco Master ganhou destaque como símbolo de uma crise que ultrapassa os limites do mercado e chega ao coração da política nacional, com reflexos diretos em Alagoas.

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