Da assistência ao esclarecimento de crimes: o papel da enfermagem na perícia forense em Alagoas
Profissionais de enfermagem atuam nos bastidores da Polícia Científica, unindo ciência, cuidado e rigor técnico para fortalecer as investigações criminais em Alagoas.
Nos bastidores da perícia criminal, há um protagonismo silencioso, especializado e fundamental na busca pela verdade: o da enfermagem forense. Na Polícia Científica de Alagoas, enfermeiros, técnicos e auxiliares desempenham uma missão que combina conhecimento biológico, assistência humanizada e responsabilidade pericial, contribuindo diretamente para a robustez das evidências e o êxito das investigações.
Ainda pouco conhecida do grande público, a enfermagem forense demonstra que o cuidado com a vida também se estende ao campo jurídico. Longe da rotina clínica convencional, esses profissionais atuam nos Institutos Médicos Legais (IMLs), em exames de necropsia, perícias de lesões corporais, coleta de amostras biológicas e na rigorosa preservação da cadeia de custódia dos vestígios.
Para o técnico forense Mariel Monteiro, lotado no IML de Arapiraca, o exercício da profissão exige qualificação e profunda sensibilidade humana diante de cenários delicados. Ele ressalta que a coleta minuciosa de materiais biológicos pode alterar drasticamente o curso de um inquérito.
“Nossa função demanda ética e empenho absoluto com o serviço. Cada procedimento é único e exige o máximo para que o fato seja esclarecido à Justiça por meio da ciência. Realizamos coletas para exames de toxicologia e alcoolemia, por exemplo, que são determinantes para os rumos da investigação. É um elo vital do processo”, explica.
Monteiro destaca que a graduação em enfermagem aprimora a observação durante as perícias. Conhecimentos em anatomia, fisiologia e Atendimento Pré-Hospitalar (APH) facilitam a identificação de lesões e a compreensão dos mecanismos envolvidos em cada ocorrência. “Essa formação enriquece o cotidiano, permitindo detectar nuances que a experiência ambulatorial nos proporcionou”, pontua.
Acolhimento no ambiente pericial
Além do rigor metodológico, a categoria imprime ao setor pericial um olhar humanizado, essencial no acolhimento de familiares em momentos de dor. A contribuição desses servidores está na capacidade de suavizar um contexto marcado por forte carga emocional, oferecendo empatia e suporte no contato com o público.
A técnica forense Núbia Tavares, que atua no IML de Maceió, destaca que a enfermagem forense representa o ponto de encontro entre o cuidado e a responsabilidade de apresentar respostas dentro da persecução penal.
“Encontramos neste segmento pericial o caminho para unir ciência e justiça, zelando pelos vestígios e atendendo as famílias enlutadas. Mais do que auxiliar na produção de provas, colaboramos para a elucidação da verdade”, afirma Tavares, que também possui formação como enfermeira.
Semana da Enfermagem
Entre os dias 12 e 20 de maio, celebra-se a Semana da Enfermagem — período marcado pelo Dia do Enfermeiro (12) e pelo Dia Nacional do Técnico e Auxiliar de Enfermagem (20). O perito-geral da Polícia Científica, Kleber Santana, destaca que lidar diariamente com situações de violência e acidentes exige atualização constante e equilíbrio psicológico.
“Na rotina das unidades de medicina legal, cada detalhe observado pode se transformar em peça-chave para solucionar um crime. É justamente nesse encontro entre a exatidão técnica e a sensibilidade humana que a enfermagem potencializa as atividades desenvolvidas pela Polícia Científica”, ressalta o perito-geral.
Atualmente, a Polícia Científica de Alagoas conta com 30 técnicos forenses efetivos. Aprovados em concurso público, os servidores estão distribuídos estrategicamente entre os IMLs da Capital e do Agreste, assegurando a cobertura pericial em todo o estado.