Oficinas com alunas da rede pública promovem protagonismo de mulheres e meninas no planejamento urbano
Metodologia 'Cidade Mulher', em parceria com ONU-Habitat, incentiva estudantes a sugerirem políticas para cidades mais seguras e inclusivas.
Estudantes da rede pública estadual participaram de oficinas da metodologia “Cidade Mulher”, desenvolvidas pelo Programa das Nações Unidas para os Assentamentos Humanos (ONU-Habitat). A iniciativa, realizada em escolas de Maceió, teve como objetivo propor sugestões de políticas públicas voltadas para a construção de cidades mais seguras e sustentáveis para meninas e mulheres.
As atividades ocorreram entre os dias 17 e 19, em parceria com as Secretarias de Estado da Mulher (Semu), de Transporte e Desenvolvimento Urbano (Setrand), da Educação (Seduc) e da Governança Corporativa (Governança).
As ações foram realizadas em três unidades educacionais da capital: Escola Estadual Professora Guiomar de Almeida Peixoto (Ponta Grossa), Professor Theonilo Gama (Jacintinho) e Marcos Antônio Cavalcanti Silva (Benedito Bentes).
As oficinas buscaram compreender como meninas e mulheres percebem a segurança nos espaços urbanos. Por meio de escutas e dinâmicas, a metodologia identificou fatores que influenciam essas percepções e buscou criar soluções para melhorar a vivência da população feminina.
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A iniciativa adota uma abordagem preventiva ao analisar a violência, levando em consideração as características dos territórios e a forma como mulheres e meninas circulam e vivenciam seus trajetos diários. Dessa forma, são elaboradas medidas para promover bem-estar e segurança, sem depender exclusivamente de ações complexas ou burocráticas no âmbito da segurança pública.
Durante todas as etapas, as oficinas promoveram rodas de conversa com meninos e meninas sobre questões de gênero. Em seguida, as estudantes exploraram o entorno das escolas, analisando suas características e contextos. Por fim, reuniram-se para identificar problemas e sugerir soluções integradas, com propostas de melhorias em áreas como saúde, educação, assistência e demais setores que impactam o cotidiano urbano.
As alunas da rede estadual foram escolhidas como público-alvo devido à sua relação direta com a cidade e à perspectiva de construção do futuro. “Os jovens são especialistas daquele território, pois circulam diariamente em diferentes horários, sozinhos ou em grupo. Além disso, são agentes de transformação”, destacou Paula Zacarias, coordenadora do Visão Alagoas 2030.
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Alagoas Lilás
As oficinas Cidade Mulher integram a política Alagoas Lilás, fortalecendo ações de enfrentamento e aprimorando políticas públicas existentes a partir de um olhar territorial urbano. O objetivo é reforçar a prevenção da violência não apenas nos lares, mas também nos deslocamentos diários de mulheres e meninas pela cidade.
“A violência não acontece apenas no contexto doméstico e familiar, mas também em diversos outros ambientes, inclusive urbanos. Por isso, as formas de enfrentamento precisam ser múltiplas. A contribuição do ONU-Habitat é nesse sentido”, explicou Paula Zacarias.
A secretária de Estado da Mulher, Marília Albuquerque, ressaltou a importância da iniciativa para a construção de ambientes urbanos mais seguros. “A partir da escuta de quem vive no território, podemos criar soluções para enfrentar a violência e garantir mais segurança no dia a dia da população feminina”, afirmou.