TREINAMENTO

Samu Alagoas capacita profissionais de Enfermagem para identificação de morte óbvia no APH

Por Larissa Sátiro / Ascom Samu Publicado em 20/03/2026 às 16:51
Foram adquiridas 17 novas ambulâncias e 10 motolâncias para o Samu Agência Alagoas

A Coordenação de Enfermagem da Central Maceió do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) realizou, nesta semana, um treinamento online estratégico sobre a Identificação de Morte Óbvia por Profissionais de Enfermagem. A ação tem o objetivo de aprimorar a eficiência do atendimento pré-hospitalar (APH) e dar maior fluidez à regulação médica.

 

O evento reuniu técnicos de enfermagem de toda a I Macrorregião de Saúde de Alagoas, formada pela Grande Maceió, Litorais Norte e Sul, Zona da Mata e Vale do Paraíba. 

 

Durante a capacitação foram alinhadas as condutas baseadas em protocolos nacionais e resoluções do Conselho Federal de Enfermagem (Cofen). 

 

Otimização de recursos

 

A necessidade da capacitação é reforçada por números expressivos. Em um levantamento das ocorrências de 2024, das 738 fichas associadas à Parada Cardiorrespiratória (PCR), 475 foram acionadas apenas para constatação de óbito, o que representa cerca de 67% dessas chamadas.

A correta identificação desses sinais pela equipe que chega primeiro ao local evita que Unidades de Suporte Avançado (USA), equipadas com UTIs móveis e médicos, fiquem retidas em ocorrências onde não há mais possibilidade de reversão do quadro, liberando-as para casos onde a sobrevivência da vítima depende de intervenção imediata.

Segurança Jurídica e Protocolo


 

O treinamento destacou que a norma vigente permite que o profissional de enfermagem identifique sinais de morte óbvia. Para isso, no entanto, é necessário haver a comunicação obrigatória com a regulação médica, registro formal dos achados em prontuário e atuação estrita dentro dos protocolos estabelecidos.

O médico Antônio Mansur, coordenador do Núcleo de Educação Permanente (NEP) da Central Maceió do Samu Alagoas, e um dos palestrantes do treinamento, ressalta que a clareza técnica é fundamental.  

 

"O reconhecimento de sinais evidentes, como a rigidez cadavérica, livores de hipóstase ou lesões incompatíveis com a vida, é uma competência que traz agilidade ao sistema. Nosso foco é garantir que o profissional na ponta tenha subsídios técnicos para tomar a decisão correta, sempre em sintonia com o médico regulador, otimizando o envio da USA para quem realmente tem chance de reanimação", salientou.

O Papel da Enfermagem no APH

 

A capacitação, que também contou com a instrução do enfermeiro Caio César, reforça a autonomia responsável da categoria. Para a coordenadora de enfermagem do Samu Maceió, Juliana Tenório, o treinamento é um marco na valorização e na organização do serviço.  

 

"Capacitar nossos técnicos para identificar a morte óbvia não é apenas uma questão de protocolo, é uma estratégia de gestão de saúde pública. Quando a equipe de enfermagem atua com segurança técnica e respaldo do Coren, conseguimos salvar mais vidas indiretamente, garantindo que o recurso mais avançado do Samu esteja disponível para as verdadeiras emergências de tempo-dependência", enfatizou.

O treinamento faz parte de um ciclo de atualizações constantes promovido pelo NEP, buscando manter o Samu Alagoas como referência em qualidade e precisão no atendimento de urgência e emergência.

Visão Estratégica e Eficiência Operacional

 

O fechamento do treinamento reforçou que a integração entre a enfermagem, o Núcleo de Educação Permanente e a Regulação Médica é o que sustenta a excelência do serviço em Alagoas. Para o coordenador-geral do Samu Maceió, médico Mac Douglas, a iniciativa reflete diretamente na ponta do atendimento.


"Nosso objetivo principal é salvar vidas e, para isso, a gestão do tempo e dos recursos é vital. Quando alinhamos o conhecimento técnico da enfermagem para a identificação de morte óbvia, estamos, na verdade, protegendo a população. Isso garante que a Unidade de Suporte Avançado não fique retida em uma ocorrência de óbito confirmado, permitindo que ela chegue minutos mais cedo a um infarto ou a um trauma grave. É inteligência operacional a serviço do cidadão alagoano", finalizou o coordenador-geral.