SAÚDE & BEM-ESTAR

Saúde mental de profissionais da pediatria exige atenção, alerta psicóloga do HRPI

Cuidar da saúde emocional das equipes é fundamental para garantir atendimento seguro e humanizado, destaca especialista.

Por Cláudia Valéria de Oliveira/Ascom HRPI Publicado em 17/03/2026 às 15:48
Profissionais da pediatria do HRPI enfrentam desafios emocionais no atendimento infantil. Cláudia Valéria de Oliveira

Profissionais que atuam na pediatria enfrentam, além de uma rotina intensa, impactos emocionais decorrentes do contato constante com o dor infantil. No Hospital Regional de Palmeira dos Índios (HRPI), a psicóloga Luana Gonçalves ressalta que o cuidado com a saúde mental dessas equipes é essencial para garantir um atendimento seguro e humanizado.

De acordo com Luana Gonçalves, o impacto emocional vai além do cansaço físico. "Na pediatria, não é só uma criança que sente dor. Quem cuida também é afetado emocionalmente. Cada choro, cada procedimento doloroso ou situação crítica repercute na saúde mental do profissional. É um reflexo natural da empatia", explica.

Segundo o especialista, esse desgaste não prejudica apenas o indivíduo, mas também compromete o funcionamento das equipes. A sobrecarga emocional pode afetar a atenção durante os procedimentos, reduzir o engajamento e até contribuir para o afastamento de profissionais.

A empatia, embora fundamental no cuidado pediátrico, pode se tornar um fator de esgotamento quando não há suporte adequado. "A saúde mental do profissional é fundamental para garantir um cuidado eficaz e seguro. Se quem cuida está sobrecarregado ou emocionalmente esgotado, isso impacta diretamente o atendimento. Cuidar de quem cuida fortalece toda a assistência", destaca a psicóloga.

Na rotina da pediatria, o vínculo com os pacientes é progressivo. Para a enfermeira Isabela Lopes, o trabalho exige sensibilidade e dedicação constantes. "Cuidar de crianças é um desafio diário. É como deixar o próprio filho em casa e cuidar dos filhos de outras famílias com o mesmo carinho. Muitas vezes, precisamos ir além da assistência técnica, oferecendo escuta e acolhimento", relata.

A técnica de enfermagem Marinilza Eufrazio também destaca o envolvimento emocional na profissão. "Não é fácil, porque sentimos tudo intensamente. Mas saber que estamos contribuindo para a recuperação dessas crianças faz valer a pena. Ver a melhoria de cada uma é a nossa maior recompensa", afirma.

Diante desse cenário, a diretora-geral do HRPI, Walquíria Bulhões, reforça a importância de estratégias institucionais voltadas ao cuidado com os profissionais. Segundo ela, o hospital investe em espaços de escuta e acompanhamento psicológico contínuo.

"É fundamental observar nossos colaboradores, identificar sinais de desgaste e oferecer apoio. A sobrecarga emocional não afeta apenas o trabalho, mas a vida como um todo. Aqui, buscamos cuidar das pessoas de forma integral", ressalta um gestor.

A diretora acrescenta que atuar na linha de frente da pediatria exige sensibilidade e resiliência. “Para que esses profissionais desempenhem as suas funções com qualidade e segurança, é essencial que existam políticas permanentes de acolhimento, prevenção e cuidado com a saúde mental”, conclui.