TECNOLOGIA

FIEA lança Mapa Estratégico da Indústria de Alagoas 2025–2032 durante o Gazeta Summit

Documento traça prioridades para inovação, sustentabilidade e aumento da competitividade do setor produtivo no estado

Publicado em 02/03/2026 às 16:34
FIEA lança Mapa Estratégico da Indústria de Alagoas 2025–2032 durante o Gazeta Summit

A Federação das Indústrias do Estado de Alagoas (FIEA) lançou, nesta segunda-feira (2), o Mapa Estratégico da Indústria de Alagoas 2025–2032, durante a 5ª edição do Gazeta Summit, realizada no Centro de Inovação Tecnológica, em Jaraguá. O documento vai orientar políticas públicas, investimentos e ações do setor produtivo nos próximos anos, com foco em inovação, sustentabilidade e aumento da competitividade.

A apresentação do Mapa foi feita pelo diretor de Tecnologia, Inovação e Sustentabilidade Industrial da FIEA, Júlio Zorzal, ao lado do professor da Universidade Federal de Alagoas (Ufal), Reynaldo Ferreira.

O material consolida diagnósticos, metas e iniciativas estratégicas para fortalecer a indústria alagoana até 2032.“A FIEA busca, justamente, a agenda do futuro. O Mapa não é apenas um planejamento institucional, mas um direcionamento para todo o setor industrial, com prioridades claras em tecnologia, inovação, sustentabilidade e formação de capital humano”, afirmou Zorzal.

Segundo ele, o documento foi construído com base em dados, escuta ativa e alinhamento com tendências nacionais e globais.

O vice-presidente da FIEA, José da Silva Nogueira Filho, destacou que o lançamento marca um novo momento para a indústria local. “Estamos apresentando um instrumento de planejamento de longo prazo, que dialoga com as demandas do presente, mas olha firmemente para o futuro. A indústria precisa de previsibilidade e estratégia, e é isso que estamos propondo para Alagoas”, disse.

Alagoas 2050

Com o tema “Alagoas 2050 – Indústria, Comércio e Serviços: diagnóstico do presente e apostas para o futuro”, o evento reuniu empresários, gestores públicos, estudantes e profissionais da economia.

A iniciativa foi promovida pela Organização Arnon de Mello (OAM), com apoio do Governo de Alagoas e da Assembleia Legislativa do Estado de Alagoas (ALE).

No painel de abertura, o diretor-adjunto de Desenvolvimento Industrial, Inovação, Comércio e Serviços da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Mário Sérgio Telles, demonstrou preocupação com o ritmo de crescimento do país.

Segundo ele, o Brasil vem crescendo 3,2% nos últimos anos, resultado de reformas que trouxeram avanços. No entanto, a CNI avalia que o potencial atual de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) é de 2,5%.

“O crescimento acima desse patamar tem gerado pressão inflacionária, o que mantém uma taxa de juros asfixiante, hoje em 15%. Para este ano, nossa projeção é de 1,8% de crescimento”, afirmou.

Para sustentar um crescimento mais robusto sem elevação dos juros, Telles defendeu três frentes: ajuste do cenário macroeconômico, com foco na responsabilidade fiscal; fortalecimento de políticas de desenvolvimento produtivo – como o programa Nova Indústria Brasil (NIB), que, segundo ele, deve ser uma política de Estado; e maior integração internacional, com redução do chamado custo-Brasil e ampliação de acordos comerciais, como o firmado com a União Europeia.

Protagonismo regional

O diretor-executivo da Gazeta de Alagoas, Luís Amorim, defendeu maior protagonismo do estado no cenário nacional. “Nós conseguimos ser protagonistas nos nossos próprios destinos. Não podemos ficar a reboque das agendas do Centro-Sul do país, e ficarmos aqui apenas sendo vistos como os últimos das prioridades. Precisamos emergir dessa forma, levar aos grandes debates profissionais qualificados, para criar uma agenda com começo, meio e fim até 2050”, afirmou.

Amorim destacou diferenciais estratégicos de Alagoas, como o gás natural, a estrutura e a localização do Porto de Maceió e a malha rodoviária que facilita o escoamento da produção. “Nosso Estado aprendeu a transformar vocação natural em desenvolvimento econômico, desde o tempo da cana-de-açúcar. Ao projetarmos 2050, falamos de tecnologia, ciência aplicada, sustentabilidade e bioeconomia. Estamos falando de agregar valor ao que antes era subproduto e ampliar a competitividade internacional, com o etanol de terceira geração, por exemplo”, disse.