EDUCAÇÃO

Ufal recebe professor da UFRGS para discutir desafios éticos da IA

Palestra abordou impactos das tecnologias digitais na universidade e no exercício profissional no campo do Serviço Social

Publicado em 26/02/2026 às 16:18
Conceito de colonialismo digital foi tema de debate na Calourada de Serviço Social

 última terça-feira (24), o curso de Serviço Social (FSSO) da Universidade Federal de Alagoas (Ufal) deu continuidade à programação de boas-vindas aos novos feras do curso. Desta vez, no auditório da Reitoria, foi promovida a palestra “Colonialismo digital: IA e os desafios éticos na Universidade”, ministrada pelo professor Walter Lippold, da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), introduzindo os calouros no universo das discussões acadêmicas.

A coordenadora da FSSO, Maria Alcina Lins, afirmou que as expectativas para o início de um novo semestre são sempre as melhores. Segundo ela, a ação teve como objetivo dar continuidade ao trabalho realizado pela gestão do curso, promovendo debates e reflexões importantes para o processo formativo dos discentes, sejam ingressantes ou veteranos.

“Nosso objetivo é possibilitar uma formação de qualidade, crítica, que estimule a reflexão diante das contradições da realidade social. Trazer o professor Walter para esta aula inaugural está alinhado à proposta de debater como o colonialismo digital e as tecnologias digitais têm sido incorporados à realidade social, sobretudo no campo das políticas sociais. Portanto, essa é uma discussão que envolve tanto o exercício profissional quanto a formação acadêmica aqui na universidade”, afirmou a gestora.

O palestrante explicou o conceito de colonialismo digital e destacou a relevância de discutir o tema no ambiente universitário.

“Trata-se da tendência de empresas estrangeiras controlarem infraestruturas, propriedade intelectual de software e, muitas vezes, utilizarem esse controle para realizar intervenções. Na universidade, essas questões ainda não são debatidas de modo maduro. Há um uso intenso, muitas vezes problemático, principalmente como máquina de plágio. Esses cuidados exigem formação docente e discente. É isso que pretendo trazer aqui: possibilidades de formação, discussões éticas, históricas, sociológicas e, principalmente, alternativas de IAs adequadas ao trabalho acadêmico”, ressaltou.

Além disso, o professor reforçou como o tema já se faz presente na realidade dos profissionais de Serviço Social e destacou a importância de que os gestores estejam sempre abertos ao debate dessas questões no ambiente acadêmico.

“Hoje o Serviço Social está totalmente digitalizado. O estudante de Serviço Social precisa compreender esses fenômenos, bem como as dimensões tecnológicas e tecnopolíticas, porque a tecnologia não é neutra, ela tem desdobramentos políticos. O trabalho do assistente social é mediado pela digitalização do cuidado. Portanto, é necessário compreender não apenas a técnica, mas também os impactos políticos e sociais dessas tecnologias”, afirmou.

A coordenadora finalizou lembrando que, na experiência docente, os professores são constantemente estimulados a se manter atualizados e a incorporar, de forma ética e responsável, a discussão sobre inteligência artificial nas práticas pedagógicas.

“É uma discussão que envolve tanto o exercício profissional quanto a formação acadêmica aqui na universidade. Buscamos refletir sobre as novas configurações do trabalho, não apenas no Serviço Social, mas também em diferentes profissões diretamente vinculadas às tecnologias digitais, além das mudanças nas formas de acesso aos direitos, como a educação pública”, concluiu Maria Alcina Lins. 

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