SAÚDE

Médico do Hospital Dr. Ib Gatto ressalta desafios no diagnóstico das 'doenças invisíveis'

Fibromialgia e lúpus exigem atenção especial e acompanhamento contínuo, alerta especialista da unidade em Rio Largo.

Por Maju Silva / Ascom Hospital Dr. Ib Gatto Falcão Publicado em 23/02/2026 às 16:06
Médico do Hospital Dr. Ib Gatto orienta sobre desafios no diagnóstico das chamadas doenças invisíveis. Fotos: Carla Cleto e Pedro Júnior

Nem toda dor é visível. Muitas pessoas que buscam atendimento em unidades de saúde convivem diariamente com sintomas que não deixam marcas aparentes, mas impactam de forma significativa a rotina, o bem-estar emocional e a qualidade de vida. As chamadas “doenças invisíveis”, como fibromialgia e lúpus, exigem atenção, escuta qualificada e acompanhamento contínuo, conforme destaca o médico Pedro Andrade, do Hospital Dr. Ib Gatto Falcão, em Rio Largo.

A fibromialgia caracteriza-se por dor crônica generalizada, que pode persistir por meses ou anos, além de fadiga intensa, distúrbios do sono, dificuldade de concentração e memória — conhecida como “névoa mental” — e alterações emocionais, como ansiedade e depressão.

“Por não apresentar alterações evidentes em exames laboratoriais ou de imagem, o sofrimento do paciente muitas vezes é subestimado, o que pode atrasar o diagnóstico e o início do tratamento”, explica o médico.

O lúpus, segundo Pedro Andrade, é uma doença autoimune crônica, em que o sistema imunológico passa a atacar tecidos saudáveis do próprio organismo. Os sintomas variam conforme o paciente e podem incluir dores articulares, manchas na pele, fadiga extrema, queda de cabelo e comprometimento de órgãos como rins, pulmões e coração.

“A doença costuma alternar períodos de crise com fases de remissão, o que exige acompanhamento médico rigoroso e contínuo”, detalha o especialista.

De acordo com Pedro Andrade, identificar precocemente os sinais de fibromialgia e lúpus é fundamental. “Quando o paciente relata dor persistente, cansaço extremo, alterações do sono ou sintomas que não melhoram com o tempo, é essencial investigar. Ouvir o paciente com atenção é o primeiro passo para um diagnóstico correto e para evitar o agravamento do quadro”, orienta o médico.

Tratamento

O tratamento das “doenças invisíveis” é individualizado e multidisciplinar. Pode envolver uso de medicamentos, acompanhamento clínico regular, atividade física orientada, fisioterapia, cuidados com a saúde mental e mudanças no estilo de vida, como controle do estresse e melhora da qualidade do sono. O objetivo é não só aliviar os sintomas, mas promover mais funcionalidade e qualidade de vida ao paciente.

“Além dos impactos físicos, essas doenças trazem consequências emocionais e sociais. A dificuldade de explicar uma dor que não aparece pode gerar incompreensão, preconceito e isolamento, tornando o acolhimento familiar e o suporte dos serviços de saúde ainda mais importantes”, ressalta Pedro Andrade.

O médico enfatiza que a conscientização sobre as “doenças invisíveis” é essencial para reduzir o estigma, estimular o diagnóstico precoce e fortalecer a rede de apoio aos pacientes.

“Quando a dor não aparece, mas existe, informação, empatia e cuidado contínuo são fundamentais para garantir mais dignidade e qualidade de vida a quem convive diariamente com essas condições”, conclui Pedro Andrade.