SAÚDE MENTAL

Janeiro Branco: especialista da Santa Mônica destaca cuidado emocional na gestação e no pós-parto

Psicóloga ressalta importância da escuta qualificada e do apoio profissional para gestantes e puérperas durante campanha Janeiro Branco.

Por Ascom MESM Publicado em 20/01/2026 às 15:17
Psicóloga da Santa Mônica destaca importância do cuidado emocional na gestação e pós-parto. Ascom MESM

“A gestação e o puerpério são fases de intensa vulnerabilidade emocional, e falar sobre saúde mental é romper com um silêncio que ainda afeta muitas mulheres”. A afirmação é da psicóloga Regina Japiá, da Maternidade Escola Santa Mônica (MESM), ao destacar a importância do cuidado emocional durante esse período, em alusão à campanha Janeiro Branco, dedicada à promoção da saúde mental.

Janeiro, tradicionalmente associado a recomeços, inspira a campanha Janeiro Branco, que incentiva a sociedade a debater abertamente a saúde mental. O tema ganha relevância especial quando direcionado a gestantes e puérperas, cujos sofrimentos muitas vezes permanecem invisíveis.

As transformações físicas, hormonais, sociais e emocionais vivenciadas durante a gestação e o pós-parto tornam esse período especialmente sensível. Diretrizes do Ministério da Saúde (MS) reconhecem que o cuidado à mulher deve ser integral, incluindo a dimensão emocional, desde o pré-natal até o puerpério, conforme a política de atenção à saúde da mulher no Sistema Único de Saúde (SUS).

Segundo o MS, transtornos mentais como depressão e ansiedade estão entre os agravos mais frequentes no ciclo gravídico-puerperal, podendo afetar o vínculo entre mãe e bebê, o autocuidado e a adesão ao acompanhamento pré-natal. As Diretrizes Nacionais de Atenção à Gestante e ao Puerpério, atualizadas em 2021, reforçam a importância da avaliação do sofrimento psíquico, da prevenção da depressão pós-parto e do fortalecimento do cuidado humanizado no SUS.

Na Maternidade Santa Mônica, unidade da Universidade Estadual de Ciências da Saúde de Alagoas (Uncisal), o cuidado com a saúde mental materna faz parte da assistência oferecida. Para Regina Japiá, o Janeiro Branco é uma oportunidade estratégica para ampliar o debate e incentivar a busca por apoio profissional.

De acordo com a psicóloga, a escuta qualificada no ambiente hospitalar pode ser decisiva para evitar agravamentos. “Quando a mulher é acolhida emocionalmente, ela se sente mais segura para expressar seus sentimentos. Isso impacta diretamente na saúde dela e do bebê, fortalecendo o vínculo e reduzindo riscos futuros”, afirmou.

Criada em 2014, a campanha Janeiro Branco propõe uma mudança de cultura ao reforçar que saúde mental não é luxo, mas condição essencial para o bem-estar. No contexto da maternidade, esse entendimento se traduz em políticas públicas, atuação de equipes multiprofissionais e valorização da mulher como sujeito integral, considerando corpo e mente.

“Cuidar da saúde mental de gestantes e puérperas é investir em prevenção. É garantir que essa mulher atravesse a maternidade com mais apoio, menos sofrimento e mais autonomia”, reforçou Regina Japiá. Ela conclui convidando a sociedade a ampliar o olhar para a saúde mental materna: “Falar de Janeiro Branco é, acima de tudo, falar sobre cuidado, escuta e vida”.